12.05.2009

Marc Chagall

Cartoon Film about life and creative work of the great russian artist Marc Chagall. OST is Folk Jewish Music by Kristall-Balalayka Folk Band.







Les Ballets Trockadero de Monte Carlo



Companhia de dança norte-americana exclusivamente masculina, foi fundada em 1974 por um grupo de entusiastas bailarinos com o objetivo de apresentar uma comédia, um entretenimento global apto para todos os públicos, um ballet clássico mas em forma de paródia e com um grande componente humorístico, mantendo como condição a absoluta qualidade técnica necessária para representar os clássicos do Ballet. Inspirados na combinação dos seus profundos conhecimentos de dança, e no fato indiscutível de que os homens podem dançar em pontas de pés sem cair redondos no chão, representam, numa interpretação livre, o percurso completo dos repertórios do Ballet Clássico e da Dança Contemporânea, desde uma perspectiva de comedia e bom Humor.


Arte com fita adesiva




  • Mark Khaisman/Tape Art

    Mark Khaisman cria cenas de filmes com fita adesiva

O artista ucraniano Mark Khaisman, de 51 anos, descobriu como unir seu trabalho à sua paixão pelo cinema: ele recria cenas de seus filmes favoritos usando apenas fita adesiva.

Sobrepondo pedaços do material e, depois, aplicando-os sobre um painel iluminado, ele recria os efeitos de luz e sombra de cada cena.

Khaisman, que é radicado na Filadélfia, nos Estados Unidos, chega a usar até cem metros de fita e passa em média uma semana para realizar cada quadro.

Clássicos do cinema noir (como "O Anjo Mau") e filmes de suspense ("Os 39 Degraus", de Alfred Hitchcock) são seus favoritos, mas ele também faz retratos de pessoas e objetos com o mesmo material.

Cada obra sua é vendida por até US$ 10 mil.



Esculturas com peças de carros

Para compor a 'pele' deste carneiro, o artista utilizou mais de 2 mil velas de ignição.



Uma galeria de arte britânica está exibindo as obras do australiano James Corbett, que se especializou em fazer esculturas usando apenas peças de carros.

Ele mesmo coleciona as partes que utiliza, retiradas de automóveis das décadas de 50 e 60.

'Minhas esculturas são um quebra-cabeça resolvido, e é o desafio de solucionar o quebra-cabeça que me dá prazer', diz Corbett



A exposição fica em cartaz na John Davies Gallery, em Moreton-in-Marsh, até 19 de dezembro





Preparando o Natal


Foto- Gideoni Júnior - árvore de Natal do bairro Ibirapuera em São Paulo



A cidade de São Paulo tem decoração que esbanja luz. No parque do Ibirapuera foram acesas na última terça-feira (01.12.09) cerca de 1,5 milhão de lâmpadas.





12.04.2009

O que sabemos sobre as crianças?

Elnido - Filipinas - TrekLens





O que sabemos sobre as crianças?


Das crianças, esses seres alados, sabemos muito pouco. Por mais que estudemos Piaget, Vygotsky, Freinet ou criemos novas teorias sobre o desenvolvimento da criança, mesmo assim, continuamos num saber pouco, muito pouco. As crianças não entendem nossa língua. E, pelo que me parece, os adultos não querem aprender a linguagem da infância. Muito pelo contrário. Nossa preocupação primeira é alfabetizar o jardim da infância. Nossa preocupação inteira é fazer com que a criança deixe de ser criança o quanto antes. Que ela veja o mundo não mais com seus olhos, mas com os olhares de seus pais e de seus professores.



Para que tanta pressa? Se a criança não anda com um ano de idade, compramos logo um “andajá” – aquele saco com rodas. Se ela sai do jardim da infância sem conhecer as vogais e o alfabeto, ficamos preocupados e contratamos uma professora de reforço escolar. Compramos um caderno de caligrafia. Compramos cartilhas, mas não compramos literatura. Mandamos fazer a tarefa escolar, mas não brincamos com ela. Reclamamos de quase tudo que ela faz, mas não contamos histórias nem cantamos acalanto. É triste, mas parece que criamos nossas crianças sem sentir a sua infância. Olhamos para elas e só pensamos como pode ser sua vida adulta e profissional. Matriculamos nossos filhos no maternal já pensando na competição do vestibular. E as crianças? Alguém já perguntou o que elas pensam disso tudo? Quem é doido de perguntar? Quem é mais doido ainda de ouvi-las?



Então, é melhor comprarmos presentes e mais presentes. E nada de jogos educativos ou brinquedos artesanais. Compremos bonecas barbies, digimons, pokemons e outros mons. Se não for assim, não terá graça quando ela for assistir TV ou mostrar seus presentes para os amigos. Outro troço! Compramos os presentes das crianças não apenas para se divertirem, mas para esbanjarem o preço e a etiqueta. Lembram daquela propaganda que a Xuxa fazia? “Eu tenho e você não tem! Eu tenho e você não tem!”.



Mas, espera aí. Este texto está ficando muito amargo. Então, voltemos para o olhar da criança. Olhemos para ela brincando na poeira com uma pedra que lhe cabe na mão. Vendo as coisas sempre pela primeira vez. Sentindo o tato do mundo de pés descalços e vendo as coisas ao redor com o olhar distraído. Cultivando as coisas aparentemente insignificantes e miúdas. Um olhar despojado de qualquer esquema codificado de ler o mundo. Apenas um olhar de criança que brinca e inventa. Que ainda tem a capacidade de se admirar com as coisas do mundo. Que o vivencia não como uma coisa absolutamente normal – como fazem a maioria dos adultos –, mas como algo enigmático, perene e brincante.



No mais, não pense só no brinquedo, pense também na brincadeira e na aventura. Ela pode ser do tamanho de um universo e durar uma vida inteira. Pode ser uma coisa cara qual o quê. Mas pode ser também uma coisa miúda como uma pedrinha engraçada ou cócegas no ouvido. Pode ser um riso, um salto, uma corrida. Quem sabe um colo, um acalanto, um sonho. Talvez, uma cambalhota, um abraço, um vagar. Sei lá! Um dedo de criança apontando para as pedras como se cada pedra fosse todo um universo.



Fabiano dos Santos


[Fonte:
http://www.patio.com.br/labirinto]



A estrela da tarde

Finlandia - TrekLens - Jarkko Mehtala




A estrela da tarde
Orides Fontela


A estrela da tarde está
madura
e sem nenhum perfume


A estrela da tarde é
infecunda
e altíssima


Depois da estrela da tarde
só há:
o silêncio.




O assunto na falta de assunto

A.D.



NINA HORTA

O assunto na falta de assunto



BRANCO PODE ser a cor das noivas, simbolizar a pureza, mas para quem escreve todas as semanas ou todos os dias para um jornal sabe o que quer dizer o negro branco da total falta de assunto. Antigamente, abria-se um caderno ou punham-se folhas brancas, muitas, empilhadas bem certinho, lápis de pontas afiadas e canetas carinhosamente cheias de tinta.
Hoje, abre-se o word, passa-se logo para o e-mail, ou Ebay, ou Amazon, o que leva horas divertidas, e o tempo vai chegando mais perto, mais perto, e tem de sair e você já leu todos os livros novos, deu uma espiada nos antigos, destripou os jornais, saiu para jantar e nada deu matéria. Vamos ao trabalho. Arrumar gavetas, guardar livros, rasgar muito papel, até que não haja mais absolutamente nada no mundo que sirva de desculpa.
Quem sabe na TV? Com tantos programas de comida caio bem naquele tipo que odeio, você-é-aquilo-que-come, com uma inglesa com cara de fuinha expondo ao mundo a gordura de duas mulheres e mostrando que o que elas comem é caca. Que vão morrer. Mostra um fígado (plástico) podre porque tomam muita vodca e cerveja. E as submete, então, a um regime de tofu e verdes. Correm, correm muito com o cachorro. (Interessante nesses programas ingleses é que na hora de correr sempre tem o cachorro junto, já magro, mas parece que correr sem cachorro, para inglês, não vale.)
As duas louras, meio abobadas, mãe e filha, emagrecem um pouco, deixam de tomar os dois copos de vodca, copos mesmo, que bebiam vendo TV, mais algumas cervejas. As gorduchas sem-vergonha bem que merecem, mas é um terror. O prazer de comer é subjugado, a importância é se livrar das banhas nada estéticas e nada saudáveis. Até dariam assunto, esses programas, mas batidos, hoje em dia não se fala em outra coisa.
Quem sabe dar um pulo no empório Santa Luzia? Lá tem sempre novidade e nos feriados deve estar vazio. Famosas últimas palavras, nunca esteve tão cheio. Resolvo ficar na parte de comidinhas diferentes, compro chouriços espanhóis fininhos, deliciosos.
Mas o que mais me assusta é que, desacostumada de supermercados que ando, parece que entrei na casa da d.
Fuinha da TV. Vou pegar um iogurte e, confusa, não acho nenhum normal. São todos light. E os médicos me dizem que não paga a pena, no caso do iogurte. Diferença mínima. E os queijos? Estou atrás de queijo bem bom, um roquefort especial, onde estão os não light? As carnes são light, mas eu quero uma que seja rajada de gordura para ficar macia. Quero ossobuco.
Nada de porco light, salsicha light, frango light. A única coisa gorda no supermercado sou eu.
Por sinal, surgiu, enquanto eu estava lá, uma réplica da Geyse, a da faculdade com seu mini. E é interessante vê-la em outro ambiente que não a faculdade. O mercado para. É uma morenona luxuriante de corpo lindo vestida com uma minicamisola "evasée" de cetim cinza e saltos muito altos.
"Todos podem se vestir como quiserem", é a voz do povo na TV, nos jornais. Não sei, não.
Poder, pode, mas tem que ser light. O empório inteiro entrou em êxtase de curiosidade e vontade de olhar. Todo mundo, desde os comportados vendedores, torceram o pescoço, pararam por um bom tempo num misto de incredulidade, curiosidade, desejo e riso.Tal qual, mas sem agressões. A menina não era light, num mundo light.
Influenciada pela Espanha, que tem ótimos enlatados, me interesso por anchovas em lata, por pimentões e pelo grão-de-bico em vidros. Ah, lembrei de comprar uma língua defumada que há muito não como. (Tem causado susto, cada vez que se abre a geladeira ela mostra a língua para nós, feia que dói.) É, às vezes, os dias não dão matéria.

ninahorta@uol.com.br

in Folha de São Paulo - 03.12.09

Intolerância e exclusão

O filme alemão Die Welle (A Onda)




Intolerância e exclusão

[...] PRECISAMOS PENSAR SE QUEREMOS MANTER ESSE CLIMA DE SERVIDÃO VOLUNTÁRIA AO GRUPO

A diretora de uma escola me contou um fato interessante. No segundo semestre do ano, muitos pais visitam escolas porque terão de matricular ou transferir o filho no próximo ano. Ela disse que ouviu uma pergunta inédita de vários deles: "Qual o perfil dos pais que matriculam seus filhos aqui?"
Qual o intuito desses pais? Pensei que, talvez, eles buscassem identificação, ou seja, procuravam saber se fariam parte do grupo, se as outras famílias seriam parecidas pelo menos em alguns pontos com eles.
Essa tem sido uma característica de nosso tempo: com tanta diversidade, buscamos o parecido, o semelhante, o quase igual para nos juntarmos.
Vemos isso pelas vestimentas, pelos modelos de carros e celulares, pelo uso da linguagem de grupos que têm afinidades entre si, seja pela condição econômica, seja pelo bairro ou cidade em que moram, seja pelos locais que frequentam etc. Ora, a escola dos filhos não iria escapar desse modo de se agrupar.
Quando ouvi o relato dessa diretora, lembrei-me de outro fato contado por uma mãe. Sua filha, de 12 anos, tivera de trocar de escola e enfrentava dificuldades para fazer parte do grupo de meninas de sua sala.
Sabe como é, leitor: as crianças rejeitam e excluem seus pares com facilidade, já que ainda se relacionam de acordo com seus interesses sempre temporários e por temer a diferença.
Um dia, a filha dessa leitora chegou em casa com alguns pedidos bem diferentes: queria trocar de relógio, cortar o cabelo, comprar pulseiras e, inclusive, trocar os óculos de grau que usava por lentes de contato.
Depois de conversar com a filha, a mãe descobriu que ela havia recebido das colegas de classe essas e outras instruções, que vieram, inclusive, por escrito, que ela teria de seguir para ser aceita pelo grupo. Para sorte dessa garota, a sua família não levou a sério o fato e até brincou com ele, de modo que ela teve a chance de não se sentir pressionada pelo evento.
Os dois fatos, e outros que observamos ou vivemos diariamente, me fizeram pensar no filme "A Onda", que relata uma experiência escolar em que um professor de história implanta em sua sala um clima inspirado no nazismo para demonstrar que ainda seria possível isso acontecer. O problema é que ele perde o controle da situação porque os alunos ficam absolutamente fascinados com a disciplina, com a homogeneização e com o sentido de fraternidade que se constrói no grupo. Com isso, os diferentes são excluídos e ignorados. Por sinal, vale a pena assistir ao filme.
Ele nos alerta principalmente a respeito do autoritarismo dos grupos em detrimento do pensamento crítico pessoal, dos comportamentos e atitudes diferentes da maioria e, portanto, das liberdades individuais. Já vivemos isso na atualidade, não?
A filha de nossa leitora sentiu isso na pele com apenas 12 anos. A protagonista daquele lamentável evento ocasionado por um vestido curto e vermelho ocorrido em uma universidade também. Hoje, os gordos -e não me refiro à obesidade mórbida-, os que fumam, os que não praticam exercícios físicos e que gostam de comer bem sem se preocupar com calorias e gorduras nem com a saúde perfeita, os que não competem, os chamados "perdedores", são excluídos dos grupos -muitas vezes, de maneira humilhante. A intolerância ganha cada vez mais terreno.
Precisamos pensar se queremos manter esse clima de servidão voluntária ao grupo entre os mais novos ou se vamos intervir para evitá-lo.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

[Fonte: Folha de São Paulo - 03.12.09]





12.03.2009

Dia virá

face - Jeff Vergara




"Dia virá em que as pessoas que pensam como nós irão se ausentando, até que poucas, bem poucas, ficarão para testemunhar nosso estilo de vida e pensamento. Os jovens nos olharão com estranheza, curiosidade; nossos valores mais caros lhes parecerão dissonantes e eles encontrarão em nós aquele olhar desgarrado com que, às vezes, os velhos olham sem ver, buscando amparo em coisas distantes e ausentes".

Ecléa Bosi
"Memória e sociedade - lembranças de velhos"