30.1.09


Chico Buarque e Elza Soares cantam "Façamos" (Porter-Rennó)


Henri Cartier-Bresson


Henri Cartier-Bresson, Notre Dame, Paris, 1953


Pequena biografia
Henri Cartier-Bresson (1908-2004)
Considerado um dos maiores fotógrafos do século 20, o francês Cartier-Bresson dedicou-se inicialmente à pintura. Suas primeiras fotografias foram feitas sem compromisso, no início dos anos 1930, durante o período em que viajou pela África.
Em 1932, de volta a Paris, Cartier-Bresson publicou sua primeira reportagem fotográfica na revista "Vu". Nos dois anos seguintes, o francês captou algumas de suas melhores imagens. Viajou pelo México, expôs nos Estados Unidos e Europa e trabalhou no cinema, como assistente do diretor Jean Renoir.
Embora tenha perseguido o fotojornalismo, a obra do criador da célebre expressão "instante decisivo" sempre impressionou mais como arte do que como reportagem. Em diversos temas, as imagens de Cartier-Bresson surpreendem pela sutileza com que ele extrai o máximo de informação de um retratado ou de uma simples cena cotidiana.
O encontro com a fotografia bélica aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Cartier-Bresson foi para os campos de batalha contratado pelo Exército francês, imortalizou momentos dramáticos nos campos de refugiados e acabou prisioneiro dos nazistas --conseguiu fugir três anos depois, após duas tentativas frustradas, a tempo de fotografar a libertação de Paris em 1944.
Em 1947, ao lado de Capa, Seymour, Rodger e Vandivert, Cartier-Bresson fundou a agência Magnum e passou a realizar reportagens em todo o mundo. Contudo, diante do horror presenciado, nunca mais quis cobrir uma guerra. A partir de 1970, ele deixou a fotografia e retomou a pintura, à qual se dedicou até sua morte, em 2004.
"Coleção Folha Grandes Fotógrafos"


Théophile Alexandre Steinlen

"Compagnie Des Chocolats Et Des Thes"

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Semente // Primavera




Semente // Primavera
Tuca / Bel

mudo / com a terra
muda / como a flor
broto / germino
em cor


trilha de Ho Chi Min // só alegria

Desconheço a autoria desta foto
trilha de Ho Chi Min // só alegria
Marco Bastos / Tuca

eu era pequeno, / a vida, uma aventura,
a trilha assim, pão com salsicha / pé no chão, dia-a-dia
eu era lagartixa. / Ousava pedra, barranco, abismo.
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29.1.09

A Dama do Mar

Gürbüz Doğan Ekşioğlu


A Dama do Mar
Murilo Mendes

Pelos teus olhos tu és o mar - pela tua alma és pedra.

Existe um resto de sereia no formato de tuas coxas.
Balanças nostalgicamente os quadris. E cantas para a morte, repelindo os viajantes.

Foste criada para os navios, para respirar as tempestades. Não ancoras em nenhum homem. Tua cabeleira pertence aos ventos. Os marinheiros mostram a seus filhos tatuagens representando tua cabeça. És a amante abstrata de todos. Não pertences a nenhum. Teu canto dirige-se mais para a morte, do que para a vida..

Esperas voltar para a água.

do livro "Poesia Completa & Prosa" - "Dispersos" / "Sinal de Deus"


Robert Doisneau

"Musician in the Rain"


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Robert Doisneau (1912-1994)

Embora a fotografia mais conhecida de Doisneau seja "O Beijo do Hotel de Ville", tirada em Paris em 1950 e transformada em um pôster que rodou o mundo três décadas depois, ele se destacou mesmo como um expert em registrar
Nascido nas cercanias de Paris e formado profissionalmente como litógrafo, a carreira por trás da câmera teve início em 1934, como fotógrafo industrial da montadora Renault.
O emprego era bom, mas ele acabou demitido por suas constantes ausências --em vez de enquadrar os carros na linha de montagem, Doisneau perambulava pelas ruas de Paris atrás de gente.
Durante a ocupação alemã, o fotógrafo colaborou com a Resistência e, em 1944, registrou a libertação de Paris, em cuja campanha conheceu Henri Cartier-Bresson. Cinco anos depois, assinou contrato com a Vogue, revista para
A partir daí, Doisneau dedicou-se à carreira independente de 'fotógrafo de rua', registrando formosos beijos, a vida nos cafés, os cabarés e os subúrbios de Paris.
Membro destacado da escola humanista francesa, ele também foi um fiel colaborador da agência Rapho. Morreu em 1994, na cidade de Paris, cuja ternura eternizou na maior parte dos 145 mil negativos que compõem o seu acervo.
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Jornal Folha de São Paulo

Tempestades

Porthleven by Malcolm Chant

Mais fotografias em: http://www.bbc.co.uk/cornwall/content/image_galleries/storms_dec_06_gallery.shtml?10


Generosa / Rosa / À Perfeição


Generosa / Rosa / À Perfeição
Cill / Palmeira / Tuca

rosa vistosa /de todo universo, / a mais flor das flores,
formosa /airosa, / segredo a se abrir em cores -
se expressa em prosa /...em verso. / é uma rosa é uma rosa é uma rosa
.

LUA // A outra face da Lua // musa da poesia

Mikhail Perfilov - Himalaya - Butão



LUA // oculta face // musa da poesia
Eliana Mora // Tuca // Martinho

Ácida. // Plácida. // Fascinante.
branca. // negra. // Luarenta.
Prenhe de Luz. // Estéril feitiço. // (E)terna Sonata de magia.
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28.1.09

Lulu Mae - Nina Hynes



Music animation directed by Jason Hickey.Song by Music by Nina Hynes and Jimmy Behan.

Ryszard Tychawski


Cristiano Mascaro







Biografia
Cristiano Alckmin Mascaro (Catanduva SP 1944). Fotógrafo, arquiteto e professor. Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, é um dos mais importantes fotógrafos da capital paulista e de sua arquitetura, que documenta sistematicamente há mais de duas décadas. Entre seus trabalhos mais importantes, há também registros do interior do Estado de São Paulo e de patrimônios históricos em todo o país. Inicia a carreira fotográfica em 1968, quando é convidado a participar da primeira equipe da revista Veja, onde permanece por quatro anos. É professor de fotojornalismo da Enfoco Escola de Fotografia, entre 1972 e 1975; dirige o Laboratório de Recursos Áudio-Visuais da FAU/USP, entre 1974 e 1988; e leciona comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos, de 1976 a 1986. Nesse último ano, titula-se mestre e em 1995, doutor, pela Universidade de São Paulo. Autor dos livros A Cidade, 1979; Cristiano Mascaro, As Melhores Fotos, 1989; Luzes da Cidade, 1996, São Paulo, 2000, e O Patrimônio Construído - as 100 mais belas edificações do Brasil, 2003. Recebe o Prêmio Internacional de Fotografia Eugène Atget, 1984; e a Bolsa Vitae de Fotografia, 1989.


Milton Dacosta


Mordillo




A ORAÇÃO QUE EU ESQUECI


A ORAÇÃO QUE EU ESQUECI
Paulo Coelho



Senhor, protegei as nossas dúvidas, porque a Dúvida é uma maneira de rezar. É ela que nos fazem crescer, porque nos obriga a olhar sem medo para as muitas respostas de uma mesma pergunta. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei as nossas decisões, porque a Decisão é uma maneira de rezar. Dai-nos coragem para, depois da dúvida, sermos capazes de escolher entre um caminho e o outro. Que o nosso SIM seja sempre um SIM, e o nosso NÃO seja sempre um NÃO. Que uma vez escolhido o caminho, jamais olhemos para trás, nem deixemos que nossa alma seja roída pelo remorso. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei as nossas ações, porque a Ação é uma maneira de rezar. Fazei com que o pão nosso de cada dia seja fruto do melhor que levamos dentro de nós mesmos. Que possamos, através do trabalho e da Ação, compartilhar um pouco do amor que recebemos. E para que isto seja possível,

Senhor proteja os nossos sonhos, porque o Sonho é uma maneira de rezar. Fazei com que, independente de nossa idade ou de nossa circunstância, sejamos capazes de manter acesa no coração a chama sagrada da esperança e da perseverança. E para que isto seja possível,

Senhor, dai-nos sempre entusiasmo, porque o Entusiasmo é uma maneira de rezar. É ele que nos liga aos Céus e a Terra, aos homens e as crianças, e nos diz que o desejo é importante, e merece o nosso esforço. É ele que nos afirma que tudo é possível, desde que estejamos totalmente comprometidos com o que fazemos. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei-nos, porque a Vida é a única maneira que temos para manifestar o Teu milagre. Que a terra continue transformando a semente em trigo, que nós continuemos transmutando o trigo em pão. E isto só é possível se tivermos Amor – portanto, nunca nos deixe em solidão. Dai-nos sempre a tua companhia, e a companhia de homens e mulheres que tem dúvidas, agem, sonham, se entusiasmam, e vivem como se cada dia fosse totalmente dedicado a Tua glória.

Amém.

Mafalda





hoje eu acordei com o sol se derramando por uma janela distraída que dormiu aberta.
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mg6es
(Múcio Góes)



"Baby Blues" ri do cotidiano dos pais


"Baby Blues" ri do cotidiano dos pais

Quadrinistas norte-americanos abordam com humor a aventura de cuidar de um bebê recém-nascido

PEDRO CIRNE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O que é mais difícil: realizar os famosos Doze Trabalhos de Hércules, completar uma maratona, escalar o Everest ou ser pai ou mãe e ter de cuidar de um bebê recém-nascido? Se você já descartou a última alternativa, provavelmente ainda não teve filhos, nem leu "Baby Blues - O Bebê Chegou... E Agora?!", história em quadrinhos recentemente publicada no Brasil.
Assim como tudo que um bebê faz em seus primeiros meses (ou anos) de vida é uma descoberta fenomenal para seus pais, também pode virar motivo de piada. Jerry Scott (roteiros) e Rick Kirkman (desenhos) criaram uma tira sobre os primeiros momentos de um casal "promovido" há pouco tempo a pais: Darryl e Wanda, além da recém-nascida Zoe.
Embora tudo gire em torno de Zoe, os protagonistas são os pais e suas reações à dura tarefa de cuidar de uma criança. A bebê está com cólica! Ela sorriu! Vomitou no meu ombro! Apertou meu nariz! Tudo é uma aventura e, entre uma e outra troca de fralda, o rico cotidiano de um casal aprendendo a cuidar de um bebê é um farto material para uma história em quadrinhos de costumes.
A falta de sono, o excesso de cansaço e a dúvida eterna sobre estar ou não fazendo a coisa certa que Darryl e Wanda enfrentam podem até soar como um "desestímulo" a ter filhos. Não é o caso: é apenas o saudável hábito que os humoristas têm de aprender a rir das dificuldades. Tanto não é um "desestímulo" que a pequena Zoe cresceu e ganhou irmãos: Hamish (criado em 1998) e Wren (de 2002). Ambos não aparecem neste livro, que retrata as primeiras histórias da família.
Na vida real, a família também aumentou. Quando a tira "Baby Blues" (publicada em jornais brasileiros como "Zoé e Zezé") surgiu nos Estados Unidos, em 1990, apenas Scott, o roteirista, havia sido pai -tinha duas filhas, de seis e três anos.
Kirkman, mesmo depois de desenhar tantas olheiras, ombros cansados e vômitos nos ombros dos pais, teve dois filhos desde que a série começou. "Baby Blues" foi eleita a melhor tira dos EUA pela Sociedade Nacional de Cartunistas em 1995 e, em 2002, Scott foi premiado o melhor cartunista estrangeiro no Adamsson Awards, da Suécia -um dos 28 países em que a HQ é publicada. Afinal, se a hercúlea tarefa de cuidar de um bebê é apreciada em qualquer parte do mundo, saber rir destas situações tão cotidianas e próximas de qualquer leitor também rompe fronteiras.




BABY BLUES - O BEBÊ CHEGOU... E AGORA?!
Autores: Jerry Scott e Rick Kirkman
Editora: Devir
Quanto: R$ 23 (128 págs.)

http://uninuni.com/tirinhas/category/baby-blues/

São Paulo, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

27.1.09

A MULHER RAMADA


Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo, toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando os mantos nas aléias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha dos salões, mas se deixava ficar pelas folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses, só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões teimosos que escapavam á harmonia exigida. E aos poucos, entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O Jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho. Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
--Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar, agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia todos os dias visita-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em cada tronco, em cada haste, em cada pendúculo, a seiva empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores, nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira. Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la, percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no seu ombro. E esperou.
E, sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar, lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões, casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção, retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o estreito abraço dos amantes.
*
‘Doze reis e a moça no labirinto do vento’ é um livro construído de treze contos que trazem à tona a atmosfera dos contos de fadas. Os personagens habitam lugares distantes, vivem em outros tempos, buscando a liberdade, a justiça, o amor, o sonho e a própria identidade.

MARINA COLASANTI, in DOZE REIS E A MOÇA NO LABRINTO DO VENTO (1982, Global, s/d)

Via Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen

"La linea" de Osvaldo Cavandoli

Em 1969 a conhecida marca de panelas de pressão Lagostina resolveu publicitar-se na televisão italiana através de um pequeno desenho animado. Nessa curta metragem (cerca de 2 minutos e 30 segundos) um curioso boneco com um enorme nariz e temperamento latino falava sobre as qualidades do produto. Era o senhor Agostino Lagostina. Tinha a particularidade de ser desenhado com uma única linha que saía da base da imagem e a ela voltava. Após 8 episódios publicitários o boneco ganhou vida própria e passou a ser conhecido como La Linea nas televisões de todo o mundo.

O autor do boneco foi o cartunista Osvaldo Cavandoli. Cava (como era conhecido) por vezes aparecia também na animação, interagindo com o personagem ou apenas desenhando. Ao todo chegou a desenhar mais de uma centena de episódios sem continuidade. O sucesso da série explica-se não só pela originalidade e humor do desenho mas também pelo seu formato televisivo. Com efeito, a sua reduzida duração fez com que fosse utilizada como separador de programas ou anúncios na televisão e mesmo no cinema.


Publicado em tv por seven em 31 mai 2007



Oren Lavie - her morning Elegance em stop motion

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As animações feitas em stop motion, se produzidas com alguma imaginação fornecem efeitos verdadeiramente excepcionais. A técnica consiste basicamente em montar uma cena onde o vídeo é feito fotograma a fotograma, entre os quais, os objectos são movimentados ligeiramente. O resultado final é um filme que dá uma nova perspectiva a todo o tipo de objectos, onde estes assumem novas formas e ganham vida, desafiando todas as leis da fisica, bem como a nossa própria percepção do mundo.

O videoclip de Oren Lavie é uma mistura cuidada de arte e bom gosto, em stop motion. Extremamente bem realizado, de uma forma criativa, para além da imagem, ficou também no ouvido a música "Her Morning Elegance" do album "The Opposite Side of the Sea".

Publicado em
tv por bjr em 26 jan 2009 - Obvious

26.1.09

Joan Miró




Joan Miró

Soltas a sigla, o pássaro e o losango,
Também sabes deixar em liberdade
O roxo, qualquer azul e o vermelho.
Todas as cores podem aproximar-se
Quando um menino as conduz no sol
E cria a fosforescência:
A ordem que se desintegra
Forma outra ordem ajuntada
Ao real _ este obscuro mito.

(Do livro "Tempo Espanhol"; Murilo Mendes)

O Semeador de Estrelas - Kaunas, Lituânia



O Semeador de Estrelas - Kaunas, Lituânia

O Semeador de Estrelas é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia.
Durante o dia pode até passar despercebida, um bronze a mais,
herança da época soviética.
Mas quando a noite chega, a estátua justifica seu título.
Com a escuridão seu nome passa a fazer sentido.

(Enviado por Rose, para o grupo "informacao-tour-videos-entretenimento")



25.1.09

São Paulo, 455 anos

Pátio do Colégio - Amadeo Zani - MG


São Paulo, meu amor

é dia de parabéns a você
my love meu bem querer
mando pro ar
455 beijos demorados
455 abraços apertados
455 puxões de orelha bem dados
e quero felicitá-la duas vezes
uma pelo seu 455º aniversário
e outra por ser, como eu, aquariana

Tuca


24.1.09

Intuição


Intuição
Roseane Murray

Deixar que fale a voz de dentro e ouvi-la como a montanha escuta com cuidado a voz do vento; como a concha, a voz do mar; como a noite, a voz do silêncio e do mistério, e então andar por essa estrada marcada pelas pedras do coração, por rios longínquos cheios de sinos e, por um instante, tocar o horizonte.


Algo

Gani Bibat





Algo

A Maria da Saudade


O que raras vezes a forma
Revela.
O que, sem evidência, vive.
O que a violeta sonha.
O que o cristal contém
Na sua primeira infância.

(do livro "Poesia- Liberdade" - Murilo Mendes




Leonid Afremov

23.1.09

Lista De Preferências

autofagia-zip-net - busto Overmundo



Lista De Preferências
Bertolt Brecht

Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexequíveis.
Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.
Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.
Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.
Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.
Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.
Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.
Cores, o rubro.
Meses, outubro.
Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.
Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.




22.1.09

"Se"

autumn_valentine_ Belarus - Kristina Iolob



"Se"

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.



Sophia de Mello Breyner Andresen

21.1.09

Poesia



Poesia
Roseana Murray

Poesia é uma ilha
e ao mesmo tempo
um continente.
É simplesmente
um olhar
sobre a vida.
Uma estrada de pedras
leves e densas,
onde tudo dança
em sinuoso equilíbrio.

Poesia é um dos caminhos
da magia


QUERO UMA CIDADE E ESCREVO ALEPO


Quero um continente e escrevo África. Quero um país e escrevo Síria. Quero uma cidade e escrevo Alepo. E depois já não preciso de querer ou de escrever mais nada. Já estão comigo todos os sentimentos, emergindo das ruínas. Que reduzem a destroços todo o meu universo, onde há cientistas à procura do caminho mais curto para o sol. Basta-me uma fotografia na página de um jornal. Com paredes construídas a cair. Com janelas abertas para nada. Sem uma folha de árvore caída no outono. Mas com uma pequena fila de gente, mais desfavorecida, como dizem os senhores do mundo. Carregando alguns sacos de plástico e arrastando as suas crianças. Sob o olhar protector das balas de uma metralhadora, pronta para o disparo. Para descanso dos escombros. Para a independência da Síria. Para a paz no planeta. E para a conversão, inútil e vazia, à omnipotência de Deus.
É um caminho longo demais…
©LUÍS F. VIEIRA 

Overmundo


Overmundo
de Murilo Mendes

Os pinheiros assobiam, a tempestade chega:
Os cavalos bebem na mão da tempestade.
Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.
"Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?"
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.
"Overmundo expirou ao descobrir quem era",
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
"O tempo é o mesmo desde o princípio da criação",
Respondem os homens futuros pela minha voz.

Poesia Liberdade (1947)


Cavalleria rusticana

Intermezzo de la ópera Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni. Festival de Ravenna, 1996. Orquesta del Teatro Comunale di Bologna. Dirige Riccardo Muti.



20.1.09

O novo presidente dos Estados Unidos


O Átomo

Gurbuz Dogan Eksiouglu



O Átomo
Murilo Mendes

Agasalha-me à sombra do teu corpo. Aninha-me entre teus seios, Aquece-me no calor do teu ventre. Coisa ínfima, quero ficar perto de ti: Pássaro que fugiu da tempestade. Eu sou uma moeda que Deus deixou rolar no chão.




http://tupiniquice.vilabol.uol.com.br/


A PONTE


Eu era rígido e frio, eu era uma ponte; estendido sobre um precipício eu estava. Aquém estavam as pontas dos pés, além, as mãos, encravadas; no lodo quebradiço mordi, firmando-me. As pontas da minha casaca ondeavam aos meus lados. No fundo rumorejava o gelado arroio das trutas. Nenhum turista se extraviava até estas alturas intransitáveis, a ponte não figurava ainda nos mapas. Assim jazia eu e esperava; devia esperar. Nenhuma ponte que tenha sido construída alguma vez, pode deixar de ser ponte sem destruir-me. Foi certa vez, para o entardecer – se foi o primeiro, se foi o milésimo, não o sei – meus pensamentos andavam sempre confusos, giravam, sempre em círculo. Para o entardecer, no verão, obscuramente murmurava o arroio, quando ouvi o passo de um homem. A mim, a mim. Estira-te, ponte, coloca-te em posição, viga órfã de balaústres, sustém aquele que te foi confiado. Nivela imperceptivelmente a incerteza de seu passo, mas se cambaleia, dá-te a conhecer e, como um deus da montanha, atira-o à terra firme. Veio, golpeou-me com a ponta férrea de seu bastão, depois ergueu com ela as pontas de minha casaca e arrumou-as sobre mim. Com a ponta andou entre meu cabelo emaranhado e a deixou longo tempo ali dentro, olhando provavelmente com olhos selvagens ao seu redor. Mas então – quando eu sonhava atrás dele sobre montanhas e vales – saltou, caindo com ambos os pés na metade de meu corpo. Estremeci-me em meio da dor selvagem, ignorante de tudo o mais. Quem era? Uma criança? Um sonho? Um assaltante de estrada? Um suicida? Um tentador? Um destruidor? E voltei-me para vê-lo. A ponta de volta! Não me voltara ainda, e já me precipitava, precipitava-me e já estava dilacerado e varado nos pontiagudos calhaus que sempre me tinham olhado tão aprazivelmente da água veloz.
Franz Kafka







A Cigana


A Cigana
Roseana Murray

Em cima da tua linha da vida vejo sempre um voo de pássaro, um romper de amarras, uma porteira aberta para que os sonhos passem.
Assim me disse um dia a cigana, enrolada em seus panos, nos olhos o brilho de uma noite secreta.
Ela veio de longe, de uma aldeia perdida, de muitos séculos. Eu pude ouvir um barulho de rio, e risos sonoros como pratos quebrados.
Em seus pulsos pulseiras, em seu colo colares, em seu andar o rumor das estradas por onde trafegam, desde sempre, desde o início do mundo, cavalos e andarilhos.

19.1.09

(Andrew Wyeth, b. 1917, Farm Road, tempera on masonite, 1979)

Andrew Wyeth
Se há artistas cuja obra se revela capaz de gerar clivagens entre conceitos e argumentos, nomeadamente entre "arte popular" e "arte erudita", Andrew Wyeth é, seguramente, um desses artistas — grande referência de um certo realismo americano durante o século XX, Wyeth faleceu no dia 16, na sua casa em Chadds Ford, Pensilvânia, contava 91 anos.
No obituário publicado na revista Time, Richard Lacayo chama-lhe mesmo "o grande problema da arte moderna americana". Apetece dizer: o anti-Jackson Pollock. Isto porque Wyeth nunca abandonou uma dimensão realista que, além de o tornar exterior a todas as convulsões (abstractas ou figurativas) que marcaram a arte americana do último século, lhe conferiu uma inabalável dimensão popular, por muitos encarada como suspeita.Digamos, para simplificar, que as telas e desenhos que nos legou impõem que não o reduzamos a um mero "ilustrador", quanto mais não seja porque o seu realismo nos remete para uma dimensão genuinamente poética, próxima de um êxtase secreto, de depuradas emoções. Há em Wyeth uma crença na realidade visível cuja urgência humana parece mais pertinente do que nunca. Certamente não por acaso, alguns dos seus quadros, com inevitável destaque para o assombrado e assombroso Christina's World, tornaram-se verdadeiros ícones da cultura popular dos EUA.
Site oficial de Andrew Wyeth
Obituário no jornal The New York Times
Obituário na revista Time
Retrospectiva no Smithsonian Institute
>>> "Christina's World" no MoMa
Biografia copiada do blog http://sound--vision.blogspot.com/

Desordem

Foto de SantaRosa OLD... no Flickr



Desordem
Ferreira Gullar

"...o jasmim, por exemplo,
é um sistema
como a aranha
(diferente do poema)
o perfume
é um tipo de desordem
a que o olfato
põe em ordem
e sorve..."

do livro "Em Alguma Parte Alguma"

Liberdade


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen




18.1.09

Balé alérgico

hammershoi9


Balé alérgico

Numa réstia de luz
minúsculos dançarinos:
poeira, pelos e ácaros.

Tuca

Memórias

TANER KILINC - Georgia


Infância I

rio, corgo, pinguela
mato,barranco, areia
corpo sujo de terra
balanço feito na árvore-
alegria, liberdade sem ter hora




Infância II

após a chuva,
na varanda,
poças d'água sobre ladrilhos:
mágicas tintas, rabiscos
para meus dedos desenhistas

Tuca


Segredo

Morning - Tamila Shelest
Segredo

À Irma

A ruga na testa,
que ela não quer mostrar,
tem o nome de Mistério...

Tuca

Paralelismo

http://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/Images/1200_pixels/Smellie_10.jpg


Paralelismo

Contrariando a matemática, algumas vezes dois planos paralelos entre si se encontram em algum ponto.
Ao menos nessa situação sim.
Por que não?
Já não é sabido que o espaço é curvo, formando juntamente com o tempo
um tecido espaço tempo, o qual é encurvado?
São nesses pontos que nós nos encontramos e nos somamos.
Juntamos nossas forças e caminhamos não somente lado a lado, paralelamente, mas coincidentes.
Juntos.


Alex Kors - 23 Jun 2007




17.1.09

Sinfonia de Blogs


Sinfonia de blogs


Música erudita gratuita ganha espaço na web com a difusão de páginas ambiciosas, temáticas e com discurso antipirataria


(IRINEU FRANCO PERPETUO - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA)


Depois do YouTube, das rádios via web e das redes de compartilhamento peer-to-peer, agora a blogosfera também está sendo usada como meio de difusão gratuita de música erudita. Blogueiros de todo o planeta estão compartilhando suas coleções de discos, colocando-as para download.Não é preciso ser um expert para conseguir baixar os CDs -basta clicar no link para download, que remete a um servidor no qual os discos estão armazenados. A única dificuldade é que eles normalmente chegam em formato .rar, compactado. Para descompactá-los, é só baixar o 7-zip, um programa gratuito, desenvolvido como software livre, mas que roda em Windows, e que pode ser obtido em
http://www.7-zip.org/.

Um dos mais ambiciosos blogs nesta área se chama, sugestivamente, Libros Libres Música Libre (libroslibresmusicalibre.blogspot.com).Gerenciado por um coletivo que reverencia a memória do educador mexicano Rubén Vizcaíno Valencia, o blog disponibiliza para download gratuito as obras completas de Bach e Beethoven, integrais sinfônicas de Mahler, Bruckner, Tchaikovski e Nielsen, a música de câmara de Brahms e todo o legado fonográfico da soprano Maria Callas, entre outras preciosidades.Há blogs que se centram em áreas de interesse temático.


O italiano Brainle de Champaigne (passacaille.blogspot.com), por exemplo, traz vasto acervo de música medieval, renascentista e barroca, enquanto o argentino Il Canto Sospeso (ilcantosospeso.blogspot.com) está centrado na música dos séculos 20 e 21.


Mais blogs de música erudita




Um blog de música erudita bem-humorado, com diversos colaboradores, textos sobre compositores , intérpretes e oferta bastante diversificada. Coloca, ao lado da opção para downloads gratuitos, um link para a compra do CD na loja virtual Amazon. Vale uma visita.
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Outro blog que vale uma visita é o Brazilian Concert Music, exclusivamente focado na música erudita de autores nacionais, levando ao ar muitos discos que não foram lançados comercialmente e até ítens que jamais mereceram edição em CD.
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(Fonte: Caderno "Ilustrada" da Folha de São Paulo - 06.01.09)





Vende-se coração usado


Vende-se coração usado

Não o quero nem de graça!
Meu coração partido,
bate bem mais arejado.

Tuca

Aprendizado

"Leigh on a Green Sofa" - Lucien Freud

Aprendizado

ao tocar teu velho corpo
trêmulo, carente e nu,
entendi sobre Humildade.

Tuca

Estereótipos




o à vontade

barrigão à mostra
chinelo de dedo
coceira no saco


o conquistador

palito no canto da boca
anel de chapinha no dedo
arroto de queijo e cerveja

o vaidoso

kit escova-espelhinho
costeletas e bigodinho
unha comprida no mindinho

Tuca

Fim de caso

"Flower Bed August" - Duy Huynh


Fim de caso

o amor está por um fio
escorre entre os vãos
dias ausentes: solidão

Tuca

Teu amor

"bluelandscape" - Marc Chagall
Teu amor

Corrige meus impulsos
explica meus medos
mitiga minhas fomes
aceita meus eus
colo
ombro
mão estendida
luz que afasta os escuros
porto seguro
ninho
confiança e fé

Tuca

Gurbuz Dogan Eksioglu

"calismalar15"

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Obrigada pela dica, Zã:)
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14.1.09

Busca

pebble - natural arte - Charles Ghantous- India



Busca

No suave, no pequeno,
encontrarei, decerto,
a semente de tudo.


Tuca

Artista

Margarida Cepeda
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Artista

Das claridades da manhã,
sonho tonalidades -
ilumino a tela da vida.


Tuca