28.2.09

Philippe Halsman

"Dali Atomicus"


"Portraits by Halsman"




Philippe Halsman (1906-1979)
Nascido em Riga, na Letônia, Halsman figura entre os mais inventivos fotógrafos do século 20. Iniciou carreira em Paris, nas revistas de moda, mas a notoriedade surgiu após a abertura do estúdio em Montparnasse, onde ele retratou personalidades como Chagall e Le Corbusie e se tornou amigo, entre outros, de Sigmund Freud, Thomas Mann e Albert Einstein, que lhe ajudou a obter visto para entrar nos Estados Unidos em 1940.

Já reconhecido como um retratista extraordinário, Halsman passou a fotografar para as mais importantes revistas norte-americanas, entre elas a "Life", para a qual fez 101 capas, incluindo um belíssimo ensaio com Marilyn Monroe em 1952, pouco antes dela se tornar o símbolo sexual de uma época.

Ainda hoje, o que mais chama a atenção em todo o trabalho de Halsman é a maneira insólita de descontrair seus modelos: ele pedia aos mesmos que saltassem diante das lentes.

A técnica lhe rendeu uma série de imagens geniais, como a em que Richard Nixon parece bater asas. Nas alturas, Halsman também fotografou personalidades como Salvador Dalí, de quem foi bastante amigo e absorveu um pouco do surrealismo, Jean Cocteau, Grace Kelly, Groucho Marx, o duque e a duquesa de Windsor e vários integrantes da milionária família Ford.

Jornal Folha de São Paulo



Barbatuques

Palmas, batidas no peito e no rosto, estalares de dedos, bateres de pés, vácuos ou assobios. Estes são alguns dos efeitos e percussões vocais explorados pelos Barbatuques, um grupo de catorze percussionistas (André Hosoi, André Venegas, Bruno Buarque, Dani Zulu, Fernando Barba, Flávia Maia, Giba Alves, Heloiza Ribeiro, João Simão, Lu Horta, Mairah Rocha, Mauricio Mass, Marcelo Pretto e Renato Epstein) de São Paulo, no Brasil, que, partindo do improviso colectivo, se dedicam ao estudo e ensino da música corporal. Sons que depois são combinados com instrumentos como o berimbau de boca, a flauta ou a guitarra, criando cantos, melodias e danças inspirados na cultura popular brasileira – forró, embolada, samba, baião, afoxé e maracatu –, mas que se cruzam com sons fonéticos e ritmos de todo o mundo. Um diálogo experimental que se estende a géneros contemporâneos como a dub, o rock, o funk, a beat box ou a electrónica. Estéticas que ampliam a gama de timbres orgânicos desta “orquestra de roda”.
(http://multipistas.blogspot.com/2007/12/o-corpo-sonoro-dos-barbatuques.html)












Saiba mais em:
http://www.barbatuques.com.br/corpo.htm

27.2.09

Grupo Corpo

Trecho do balé Bach, criado em 1996, coreografia de Rodrigo Pederneiras, musica de Marco Antonio Guimaraes (do Uakti) e Arnaldo Antunes sobre obra de Bach. (Brazilian dance group Corpo)




http://www.grupocorpo.com.br/pt/historico.php

26.2.09

Rubem Alves

Burak Oktenli - Turquia


"O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. "




"Todo jardim começa
com uma história de amor,
antes que qualquer árvore
seja plantada ou um
lago construído é preciso
que eles tenham nascido
dentro da alma.
Quem não planta
jardim por dentro,
não planta jardins por fora
e nem passeia por eles."

Rubem Alves
(Neli,muito obrigada pela colaboração!)

Ferreira Gullar

handsfeet - Paola Angelotti



"... Eu não sabia
tu não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti

bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta ..."

Trecho do Poema Sujo

Fisionomia

5 o clock in the Morning - Gabriela Cichowska


Fisionomia

Não é mentira
é outra
a dor que doi
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói

Ana Cristina Cesar




25.2.09

Afinidade

(Desconheço a autoria da foto)



É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações.

Khalil Gibran

Red Shift

"Rajib Ghose" - India


Red Shift

Ele já se foi há algum tempo.
Contudo, vestígios de sua passagem ainda permanecem e tocam o infinito azul.
Sem pressa, sai lentamente de cena.
Num momento julgo ter presenciado um vermelho deslocado.
Será que você ainda está aí?




Alex Kors


Steve McCurry


Steve McCurryPahalgam, Kashmir, India, 1998





Steve McCurry (1950)
Duas fotos de uma mesma refugiada afegã, tiradas com um intervalo de 17 anos entre ambas, traduziram todo o sofrimento de uma guerra e o colocaram entre os fotógrafos mais conhecidos do mundo atualmente.

Nascido na Filadélfia, Steve McCurry percorreu o mundo, sobretudo a Ásia, registrando conflitos e a realidade social. Esteve na Índia mais de sessenta vezes, percorreu o Iraque, morou por dois anos no Paquistão e foi quase duas dezenas de vezes ao Afeganistão. Em uma delas, com uma câmara oculta entre as roupas, fez as imagens que lhe valeram o Robert Capa de Fotografia em 1980, um dos inúmeros prêmios que conquistou ao longo de sua carreira.

O retrato de anônimos está entre suas especialidades. Sejam homens, mulheres ou crianças, as lentes de McCurry sempre captam uma história através do olhar intenso dos protagonistas. Além de revelar os mistérios dos locais que visita por meio de ensaios publicados nas mais importantes revistas do mundo, o fotojornalista registrou aquela que está entre as mais improváveis e impactantes cenas de horror que ele poderia imaginar até então: da janela de seu escritório em Nova York, McCurry enquadrou a destruição causada pelos atentados terroristas de 11 de Setembro.

Pablo Neruda

Foto: Alex Kors


Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobra suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido.
Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma mais viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo,
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas.
Enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.

"Coletânea"

23.2.09

Poema de amor de António e Cleópatra

"In the beginning" - Adrienne Risby


Poema de amor de António e Cleópatra

Pelas tuas mãos medi o mundo
E na balança pura dos teus ombros
Pesei o ouro do sol e a palidez da lua.


Sophia de Mello Breyner Andresen
"No Tempo Dividido"


93

"Simply Together" - Katerina Pyatakova


93

Amor.
Quando a Lua se levanta no céu, observe-a, concentre-se nela - esqueça-se de tudo o mais, incluindo você!
Somente então você conhecerá a música que não tem som.
Quando o sol da manhã se levanta reverencie-o até o chão e perca-se nessa reverência.
Somente então você conhecerá a música que não é feita pelo homem.
Quando as árvores desabrocham em flores, como uma flor, dance com elas na brisa.
Somente então você ouvirá a música que vive dentro do seu mais profundo interior.
Aquele que conhece esta música conhece a vida também - esta música é outra palavra para Deus.

Osho
"Uma Xícara de Chá"


Lembranças de Colina

Fear - Jesse Kellman


Lembranças de Colina

A luz do lampião de querosene alongava nossas sombras até o teto. Penumbra de ninho. Quase se podia tocar a grossa escuridão que nos rodeava. Os sons do silêncio, o murmúrio do vento nas árvores... arrepios.
A noite deitava suas asas sobre nós.

Tuca



21.2.09

Terror de te amar

i_feel_love - Austria - ken sakulku




Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.


Sophia de Mello Breyner Andresen



Antologia
Círculo de Poesia Moraes Editores
1975

20.2.09

David Seymour

Bernard Berenson at ninety, visiting Borghese GalleryRome, 1955
.
.
Pequena biografia
.
Conhecido também pelo apelido Chim, David Seymour nasceu em Varsóvia em 1911 e aos 18 anos se mudou para Leipzig, com o propósito de estudar artes gráficas e fotografia. Com o amigo Robert Capa, ele cobriu a Guerra Civil Espanhola, cujas fotos foram publicadas na revista "Life".
Depois, fugindo do nazismo, foi para os Estados Unidos e viajou com as tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial, na qual seus pais foram mortos pelos nazistas. Terminado o conflito, Seymour foi convidado pela Unesco para percorrer o Velho Continente registrando as necessidades das crianças no pós-guerra. Começava aí uma das mais marcantes fases de sua carreira.
Em países como Itália, Hungria, Polônia, Alemanha, Checoslováquia e Grécia, Seymour fez um material extraordinário, posteriormente publicado no livro Children of Europe. Cofundador da agência Magnum, ao lado de Capa, Cartier-Bresson e George Rodger, Seymour fotografou muitos outros temas, inclusive estrelas de Hollywood, o Vaticano e a criação do Estado de Israel, mas a partir desta experiência as crianças passaram a ser o seu foco fotográfico favorito.
Ele morreu em 10 de novembro de 1956, enquanto cobria a Guerra de Suez, num atentando que também matou outro colega de profissão, o francês Jean Roy.
(Jornal Folha de São Paulo)

Entre sombras - Maria Izabel

"Raven" - Ivo Ivanov


Entre sombras


À medida que as horas passavam Lúcia ia adquirindo a certeza de que não conseguiria dormir e, portanto, fazia contas de quanto tempo faltava para a claridade do dia.

“Isso é ridículo! Onde já se viu uma coisa destas.”

Fosse ridículo ou não a verdade é que sentia medo. E o problema é que não era um medo real, e sim sustentado por imagens, sombras formadas nas paredes, resultantes da combinação, movimento do vento na folhagem do quintal versus frestas da janela do quarto. Para sentir-se melhor ela ainda havia deixado uma luz no banheiro acesa e a porta entreaberta. Sendo assim a claridade que escapava só fazia aumentar e transformar em braços desnudos e descarnados qualquer galho de árvore que se atrevesse a balançar. E a despeito de não ser real, era real o seu medo.

“Não vou conseguir dormir e dizendo isso em voz alta levantou-se da cama decidida a resolver o problema.”

Só que quando abriu a porta do quarto deparou-se com o silêncio, a casa grande da praia, assobradada, cheia de janelas de vidro e sem cortinas dormia. Então ela se deixou ficar por ali, pelo corredor, de onde conseguia visualizar na parte inferior a sala, e também o mezanino e os quartos. Por trás de todas as portas havia gente. Sim a casa estava lotada, mas em seu quarto apenas ela. Alberto, o marido, ia chegar pela manhã e o espaço se afigurava imenso, assim como a cama de casal.

Ainda pensou em descer até a cozinha, tomar um pouco de água, mas para isso precisaria acender luzes, pois hoje, ao contrário dos outros dias em que se sentia segura não seria capaz de caminhar no escuro.

Sendo assim debruçou sobre a balaustrada e tentou firmar os olhos para que se acostumasse com os desenhos que as sombras projetavam pelos móveis. De tal modo concentrou-se nisto que logo começou a se sentir cansada, muito cansada.

“Não posso mais conviver com este medo. Assim que voltar pra casa vou procurar um terapeuta.”

Também em outras ocasiões havia pensado nisso e nunca fez nada. Afinal ele, o medo, só se tornava terrível à noite e sozinha o que raramente acontecia.

Primeiro como caçula da família, sempre dividiu o quarto com alguém, e quando saiu de casa foi pra se casar. É certo que nestes dez anos de casada ficou sozinha em outras ocasiões, porém a filha ainda pequena logo se aninhava junto a ela e a noite passava. Ou ainda uma de suas irmãs acabava se oferecendo para fazer companhia e a pretexto de bater papo acabavam por dividir a mesma cama. Raramente esteve sozinha, porém toda às vezes que isso aconteceu, adormecia pra ser acordada por sonhos aflitivos que deixavam nela uma dor quase opressiva.

E, uma vez acordada a sensação era de que o mau sonho se esgueirava pelos móveis, teto, paredes.

Acontece que hoje a casa estava cheia, as irmãs acompanhadas, a filha com amiguinhas. E ela ali, num mundo assustadoramente real ao qual não sabia por que tinha acesso.

“Deveria ter combinado para que as crianças dormissem no meu quarto, bastava espalhar colchões, e elas bem que gostariam da novidade. Ou então poderia ser na sala mesmo e eu teria uma desculpa para me juntar a elas. Mas que merda porque não pensei nisso?”

A verdade é que o sol, os risos, as conversas não deixam que os fantasmas se atrevam. Sendo assim, em nenhum momento achou que teria esta companhia. Pelo contrário, ao se deitar sentia-se tão cansada que logo pegou no sono. Porém não durou muito em pouco tempo estava acordada e a partir de então tentava desviar-se do medo.

Ainda olhou as portas dos quartos, mas não havia o que fazer, ou acordava alguém e se sujeitava a conversas futuras ou aprendia como achava que deveria, a controlar o pânico. Infelizmente sua dúvida durou pouco, pois, ainda parada no corredor, comportamento vigilante, lembrou-se do cunhado que havia morrido no ano passado.

Arrepiou-se e instintivamente voltou para o quarto onde acendeu todas as luzes. Com gestos e palavras pensadas tentava se obrigar a raciocinar. Como é mesmo a frase? “A gente tem de temer os vivos não os mortos”. Ainda sem certezas sentou-se na cama, acomodou-se e tentou ler.

Entre um parágrafo e outro teve a idéia:

“- Sim, é claro quem sabe uma reza ajudasse. Isso, dizem que o Creio em Deus Pai, é oração poderosa. “Creio em deus Pai todo poderoso... mas não foi capaz de continuar. Sentia-se constrangida, diminuída aos olhos de Deus por estar rezando não pela fé ou energia e sim por estar assombrada pelos seus demônios. Entristecida retomou a leitura.

Já passava das três da manhã. Pelo menos era o que o rádio relógio indicava e que ela conferia a cada parágrafo. Não seria capaz de repetir uma única palavra do que havia lido e se esforçava em vão pra reler. Mas os olhos começavam a pesar e a leitura forçada incomodava.

- Chega! É muito ridículo.

E se eu ficasse viúva, não teria de me acostumar?

Com força jogou o livro nos pés da cama.

Então pronto, chega! Com gestos fortes apagou as luzes, puxou o lençol até cobrir a cabeça, protegeu as costas com o travesseiro que sobrava e tentou dormir. Ainda assim continuava escutando o barulho do vento nas folhas, o caminhar apressado do saruê que tinha feito ninho no forro da casa. Isto fez com que sentisse mais raiva e foi então que entre uma revirada e outra adormeceu pra mergulhar em outro sonho pesado, onde uma criança, de olhar mortiço, e blusa azul, sorria, no canto do quarto de forma perversa. Bem que tentou desviar o olhar, e este descuido foi o suficiente para sentir-se presa pela criança que sentada sobre seu peito ria de sua dificuldade em respirar.

- É sonho, é sonho ela tentava inutilmente articular as palavras. Se eu conseguir gritar ou me mover sei que acordo. Em vão. O pesadelo na forma de criança ria muito e alto. Enquanto pensava, tentava desesperadamente se safar até que finalmente emitiu o grito que saiu baixo e rouco e não alto como ela gostaria.

De qualquer forma acordou e sentada na cama tentava acalmar seus batimentos. Já eram três e meia da manhã e em pouco mais de duas horas o sol entraria pelas frestas do quarto e ela poderia descansar. Sim tudo era questão de se agüentar. Novamente acendeu as luzes.

Agora pensava nos casos de pessoas enterradas vivas, porque como em seus pesadelos via e sentia tudo, mas não conseguia se comunicar. Se eu não voltar uma hora desta destes pesadelos? Como é mesmo o nome da doença que pode provocar esta imobilidade tão assustadora? Catalepsia é isso? Preciso procurar um médico, contar o que me atormenta.

- Deus, eu tenho de ser cremada!

E antes disso preciso urgente de um psiquiatra.

“Mas o que vou dizer a ele, que tenho medo de dormir sozinha? Ou que tenho pesadelos rondando a minha vida, Deus do céu em que momento da vida este monstro noturno se esgueirou sorrateiramente pra dentro de mim?

Ainda sentada na cama lembrou-se de sua infância, na pequena cidade do interior, onde a noite os adultos se reuniam para contar casos de assombração. Sempre teve medo, mas sempre gostou destas histórias. De fato não perdia nenhuma palavra do que era contado. O cemitério da cidade também fazia parte do imaginário popular, e as imagens se sucediam. Mas isto foi há tanto tempo.

Novamente lembrou-se do cunhado. Não, nós éramos muito amigos, ele não viria me assustar. Mesmo assim acendeu novamente as luzes do quarto. Então pensou nas portas de saída trancadas. Quanta bobagem, este inimigo se materializa onde quiser, antes que eu chegue a porta ele já me aguarda encostado a ela. O certo é que este pensamento fez com que os cabelos dos braços se arrepiassem e foi também sua última lembrança da noite. Quando acordou passava das nove horas. Então, desligando uma a uma as luzes do quarto dirigiu-se ao banheiro. À sua passagem as teias de aranha iam se desintegrando. O barulho das crianças já se fazia ouvir pelo quintal anulando qualquer imagem de braços desnudos e descarnados nas paredes. Então sem pressa penteou-se. Mas apenas quando trocou a camisola azul é que realmente acalmou-se, ficando aliviada, leve.

O fato é que o chão e as paredes brancas do quarto e do banheiro banhadas pelo sol iam absorvendo e recolhendo os fantasmas, até que finalmente as portas do dia se abriram e Lucia sorridente e esquecida desceu para tomar café.

Alberto, o marido provavelmente já tinha chegado, esta noite não estaria só.

Maria Izabel (Bel)




Dona Gertrudes

Marcio_Melo


Dona Gertrudes

Os seios de dona Gertrudes vão tremelicando como dois pudins de creme carregados numa bandeja...
As pernas de dona Gertrudes, torneadas como pernas de mesa de bilhar, também terminam nuns pezinhos ridiculamente minúsculos...
Imagino dona Gertrudes de biquíni e tapo os olhos.


Livro: "Esconderijos do tempo" - um espetáculo de teatro com a poesia de Mario Quintana

Autor: Mario Quintana

Editora: Bric-à-Brac da Vida

Ano: 2004

19.2.09

Brian Eno - Just Another Day (time lapse)



Brian Eno's lamenting tale anchors the seasonal time lapse of wooded area located on the north shore of the Thames River in Komoka Provincial Park, west of London, Ontario, Canada.

Artista desafia gravidade com ilusão de ótica

levels-of-freedom - Li Wei


Um artista chinês, Li Wei, está expondo em diversos países do mundo fotos onde aparenta desafiar a gravidade, caindo de prédios e janelas.



Veja mais em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/02/090217_artista_gravidade_dg.shtml#


Pablo Neruda - Me gustas cuando callas

XLV

"Tree of Life and the Milky Way" - Dianna Kouns


XLV

El amarillo de los bosques
Es el mismo del año ayer?
Y se repite el vuelo negro
De la tenaz ave marina?
Y donde termina el espacio
Se llama muerte o infinito?
Qué pesan más en la cintura,
Los dolores o los recuerdos?

"El libro de las preguntas" - Pablo Neruda



Incompreensível sensação

"Purple Hallway" - David H. Miller



Triste palheta

Para que criar ricas matizes
- cores de contos de fadas -
e depois aprisioná-las
entre paredes de um quarto vazio?

Tuca





Fim de tarde

Foto: Alex Kors




Fim de Tarde

Certo dia desses senti um cheiro familiar. Há anos que não o sentia. Fechei os olhos e me lembrei de quando não me preocupava tanto com a vida. Era criança, brincava nos finais de tarde... bola, pião e bolinhas de gude eram minha rotina. Ao fundo, a atmosfera era preenchida pelo aroma de madeira queimada. Que por-do-sol foi aquele? Por um momento, voltei a ser criança.
Alex Kors


18.2.09

Tenho dó das Estrelas

Via Lactea na Serra da Estrela - foto de Filipe da Veiga Ventura

Tenho dó das Estrelas
Fernando Pessoa


Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.
Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?
Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…
Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?


Yevgeni Khaldei (1917-1997)


Yevgeni Khaldei - this May 2, 1945 file photo, Soviet soldiers hoist the red flag over the Reichstag in Berlin.


Ucraniano de nascimento e fotógrafo autodidata, Khaldei construiu sua primeira câmera aos 12 anos, usando lentes dos óculos da avó. Com esse equipamento conseguiu dinheiro para comprar uma câmera de verdade e, três anos depois, ele já publicava suas primeiras imagens.
A partir de 1941, mesmo ano em que boa parte da sua família foi morta pelos nazistas, ele foi contratado pela agência de notícias soviética Tass para acompanhar o avanço do Exército Vermelho.
Muitas vezes esquecido, é de Khaldei a emblemática imagem de 2 de maio de 1945, que registra um soldado içando a bandeira sobre o Reichstag, numa Berlim em ruínas. É de conhecimento público que não se trata de um registro autêntico: usando uma bandeira vermelha feita por seu tio com uma tolha, Khaldei convenceu o soldado a escalar com ele o Reichstag e protagonizar a cena em homenagem às tropas soviéticas.
Depois, tratou de fazer alguns retoques, entre eles inclusão da dramática fumaça no horizonte. Apesar das pilhagens, a imagem correu o mundo e ainda hoje é tida como um dos símbolos do fim da Segunda Guerra Mundial.
Em 1948, Khaldei foi demitido da agência devido ao crescente antissemitismo que imperava na antiga URSS. O reconhecimento internacional de sua obra só se deu depois de 1991, com o desmembramento da União Soviética.








Os dias de verão

"Red Tranquility" - Andrij Yanovich


Os dias de verão


Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é o nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem
Como se em tudo aflorasse eternidade
Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen
"Dual" - 1972

17.2.09

O MAR

"Blue Landscape 2" - Paul Warren


O MAR

Jorge Luis Borges


Antes que o sonho (ou o terror) que gera
Mitologias e cosmogonias,
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, o sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem, aquele violento
E antigo ser a roer os pilares
Da terra e é um e tantos outros mares
E abismo e resplendor e acaso e vento?
Quem o observa o vê por vez primeira,
Sempre. E as coisas com o maravilhoso
Que elementares deixam, o formoso
Ocaso, a lua, o fogo da fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Hei de saber
O dia que à agonia suceder.

"O Outro, o Mesmo"

Trakai


O lago e o castelo de Trakai, Lituânia, em julho 08

Foto de Alex Kors

Trakai


Um cenário de sonho e magia: Lago de Trakai congelado e, ao fundo, parte do castelo.
-8°

Foto de J. Zygmantas -Lituânia

15.2.09

Bem aventurados

"Brown Chair" - David H. Miller


Bem aventurados
Mario Quintana


Bem aventurados os pintores escorrendo luz
Que se expressam em verde
Azul
Ocre
Cinza
Zarcão
Bem aventurados os músicos...
E os bailarinos
E os mímicos
E os matemáticos...
Cada qual na sua expressão!
Só o poeta é que tem que lidar com a ingrata linguagem alheia...
A impura linguagem dos homens!

"Esconderijos do Tempo"

14.2.09

Where the hell is Matt?




Tempête sur la pointe de Bretagne

Tempête sur la pointe de Bretagne - des très belles images signées Jean René Keruzoé


(...)

Stigma - Enrico Camporese


Enterraram-me junto a essa árvore. Sobre mim tombam as perfumosas flores do frangipani. Tanto e tantas que eu já cheiro a pétala. Vale a pena me adoçar assim? Porque agora só o vento me cheira. No resto, ninguém me cuida. Disso eu já me resignei. Mesmo esses que rondam, pontuais, os cemitérios, que sabem eles dos mortos? Medos, sombras e escuros. Até eu, falecido veterano, conto sabedoria pelos dedos. Os mortos não sonham, isso vos digo. Os defuntos só sonham em noites de chuva. No resto, eles são sonhados. Eu que nunca tive quem me deitasse lembrança, eu sou sonhado por quem? Pela árvore. Só o frangipani me dedica nocturnos pensamentos.

Mia Couto - "A Varanda de Frangipani"

CANTOS NUEVOS

"Encourage The Heart" - Twania Hayes-Thompson


CANTOS NUEVOS
Agosto de 1920.
(Vega de Zujaira.)

Dice la tarde: "¡Tengo sed de sombra!"
Dice la luna: "Yo, sed de luceros."
La fuente cristalina pide labios
y suspiros el viento.
Yo tengo sed de aromas y de risas,
sed de cantares nuevos
sin lunas y sin lirios,
y sin amores muertos.
Un cantar de mañana que estremezca
a los remansos quietos
del porvenir. Y llene de esperanza
sus ondas y sus cienos.
Un cantar luminoso y reposado
pleno de pensamiento,
virginal de tristezas y de angustias
y virginal de ensueños.
Cantar sin carne lírica que llene
de risas el silencio.
(Una bandada de palomas ciegas
lanzadas al misterio.)
Cantar que vaya al alma de las cosas
y al alma de los vientos
y que descanse al fin de la alegría
del corazón eterno

Federico García Lorca
"Libro de Poemas"

Um pálido inverno

"Winter Mood" - Carol Xuereb



Um pálido inverno


Um pálido inverno escorria nos quartos
Brancos de silêncio como a névoa
Um frio azul brilhava no vidro das janelas
As coisas povoavam os meus dias
Secretas graves nomeadas

Sophia de Mello Breyner Andresen

"Dual" - 1972


13.2.09

Cats

The First Snow
Elena Samborskaja

12.2.09

Feeling Good




Feeling Good
Nina Simone

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel

(refrain:)x2
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel

(refrain)

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean

And this old world is a new world
And a bold world
For me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel

(refrain)

***

Feeling Good (tradução)
Nina Simone

Me Sentindo Bem

Pássaros voando alto, você sabe como me sinto
Sol no céu,você sabe como me sinto
Briza passando,você sabe como me sinto

É um novo amanhecer
É um novo dia
É uma nova vida
Pra mim
E estou me sentindo bem

Peixe no mar, você sabe como me sinto
Rio correndo livre, você sabe como me sinto
Florescer na árvore,você sabe como me sinto

(refrão)

Libélula ao Sol,você sabe o que digo, não sabe?
Borboletas ao Sol,você sabe o que digo,não sabe?
Adormecer em paz ao fim do dia
Isso que eu quero dizer!

E este velho mundo é um novo mundo
E um corajoso mundo
Pra mim

Estrelas quando brilham,você sabe o que digo
Aroma do pinheiro,você sabe o que digo
Oh A liberdade é minha
E eu sei como me sinto!




Psycho Typography



Feita por Tamara Connolly para um projecto de Tipografia da SVA, a animação é um vídeo musical de 'Feeling Good' de Nina Simone; com muita imaginação, expressividade e ritmo. A canção de Nina Simone é um hino poderoso e a autora conseguiu pôr a animação a respirar da mesma maneira. A canção nascia outra vez ali.

São Reino - colaboradora de Obvious. Conheça mais sobre esta autora na sua página de perfil.



Typolution

10.2.09

(...)

Quimera na Catedral de Notre-Dame de Paris



Palpo a Quimera.
O tremor
E os jasmins da palavra "jamais".



Murilo Mendes, do poema Aproximação do Terror
Poesia Completa & Prosa



Um incrível site de fotografia!

"24 Hours" - Ramsey Kunkel

W. Eugene Smith

Nurse Stands at Grave of Elderly Woman Who Died at Dr. Albert Schweitzer's Hospital Village


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Biografia
W. Eugene Smith (1918-1978)
Natural de Wichita, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, Smith estudou jornalismo e trabalhou em um jornal local antes de seguir para Nova York. Lá, fotografou para a revista "Life" e durante a Segunda Guerra Mundial foi escalado pelas publicações do grupo Ziff-Davis para cobrir a interminável campanha do Pacífico.

A bordo de um porta-aviões americano Smith captou algumas das imagens mais marcantes de sua carreira. Fazem parte de sua série bélica 'Despedida de um Marinheiro', nas Ilhas Marshall, que mostra o corpo de um fuzileiro naval morte em combate sendo lançado ao mar, e o registro impactante da Batalha de Iwo Jima. A estratégica ilha no Pacífico, já em território japonês, foi palco de violentos confrontos que levaram à morte cerca de 50 mil soldados de ambos os lados.

Pacifista, o fotógrafo esteve presente em numerosas batalhas contra o Japão, até que foi ferido em uma delas. Anos mais tarde, já recuperado, Smith voltou à fotografia e por um curto período foi associado da agência Magnum. Contudo, logo depois optou pela carreira independente para ter o controle total das imagens que lhe renderam fama internacional, publicando-as em ensaios e livros.



XLIII

Leaf_by_artandghosts


XLIII
Quién era aquella que te amó
En el sueño, cuando dormías?
Dónde van las cosas del sueño?
Se van al sueño de los otros?
Y el padre que vive en los sueños
Vuelve a morir cuando despiertas?
Florecen las plantas del sueño
Y maduran sus graves frutos?

Pablo Neruda
"El libro de las preguntas"


8.2.09

Robert Capa


Pablo Picasso and Francoise Gilot



Biografia

Robert Capa (1913-1954)
Captada durante uma conferência na Dinamarca, a imagem gesticulante de Leon Trotsky deu início à brilhante carreira do rapazote que tinha, na época, com 19 anos. Recém-chegado a Paris, o jovem judeu húngaro nascido Erno Friedmann tirou de personalidades do cinema o ator Robert Taylor e o diretor Frank Capra a inspiração para criar o seu nome fictício.
Apresentava-se então como Robert Capa, um fotógrafo norte-americano tão rico que não podia vender seu trabalho por um valor qualquer. A verdadeira identidade logo foi descoberta, mas isso não impediu que Capa se transformasse, em muito pouco tempo, um dos principais fotógrafos de guerra do mundo.
Nas duas situações, assim como em toda a obra de Capa, o que fez diferença foi uma Leica 35mm e a sua ousadia para chegar muito perto do acontecido até então, as fotos eram feitas com câmaras enormes e distantes, que limitavam a mobilidade.
Ele costumava dizer que se uma foto não estava boa era porque o fotógrafo não havia chegado suficientemente perto do fato. A mesma coragem que o consagrou tirou-lhe a vida prematuramente em 1954, anos 40 anos, quando ele pisou em uma mina na Guerra da Indochina.
Embora seja uma referência da fotografia bélica, suas lentes captaram vários outros temas. Capa, que manteve um romance com a atriz Ingrid Bergman, também é conhecido pelo seu trabalho nos sets de filmagens cinematográficas.
"Coleção Folha Grandes Fotógrafos"


Febre


Febre

Gatos, em caixas de sapatos, sobrevoam minha cabeça. Seus pelos picam meu rosto e enchem minha boca, não consigo respirar. Formigas lambem lençois. Faço um giro e dobro meu corpo para trás. Sou feita de madeira flexível. Mergulho no encaixe, dentro de mim mesma. Mãe cuidando de filha. Encontro escuridão e refúgio. Adormeço.

Tuca


Vermeer de Delft

"The Music Lesson"


Vermeer de Delft
Murilo Mendes


É a manhã no copo:
Tempo de decifrar o mapa
Com seus amarelos e azuis,
De abrir as cortinas - o sol frio nasce
Nos ladrilhos silenciosos -,
De ler uma carta perturbadora
Que veio pela galera da China:
Até que a lição do cravo
Através dos seus cristais
Restitui a inocência.


Poesia Completa e Prosa - "Poesia liberdade"



7.2.09

Elliott Erwitt


.
Pelas lentes de Henry Cartier-Bresson, Robert Doisneau, Willy Ronis, Alfred Eisenstaedt e Eliott Erwitt, as cidades de Londres, Paris e Nova York foram fotografadas no período entreguerras e após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Estes centros foram vistos com o otimismo e o romantismo do pós -guerra.
Folha de São Paulo - "Coleção Folha Grandes Fotógrafos' - 1º volume: METRÓPOLES
Biografia

Elliott Erwitt (1928)
Filho de imigrantes russos, Elio Romano Ervitz (seu verdadeiro nome) nasceu em Paris, foi criado na Itália, mas se considera um cidadão dos Estados Unidos, para onde se mudou família em 1941, fugindo do nazismo.
Entrou para a mitológica agência Magnum em 1953, a convite de um de seus fundadores, o amigo Robert Capa. Dono de um portfólio invejável, Erwitt viajou por todo o mundo, inclusive para o Brasil, foi fotógrafo da Casa Branca e colaborou com as revistas "Look", "Life" e "Holiday".
Suas lentes buscam a ironia em momentos indiscretos, que beiram o absurdo, revelando detalhes do comportamento humano de uma maneira irreverente.
Erwitt, aliás, é um dos poucos fotógrafos de sua geração que se dedica ao sorriso na fotografia.
A fotografia em série é outra presença constante em sua obra. São mundialmente conhecidas suas séries monográficas sobre cães, edifícios dos Estados Unidos e Marilyn Monroe, entre outras.
O olhar contínuo que observa, acompanha e registra tem influência na formação cinematográfica do fotógrafo --ao longo de sua carreira, Erwitt também dirigiu documentários, filmes e vídeos publicitários, além de produzir programas para TV.


Angel Boligán Corbo

"50 anos de la revolucion"

...


LABERINTO DE LA JUSTICIA -Angel Boligan Corbo
(obrigada, Zã!)



É necessário conhecer seu próprio abismo

E polir sempre o candelabro que o esclarece.


Do poema "Poema dialético"

Murilo Mendes

Um trecho

Preparing to Fly - Alex Kors


"O jardim de camélias e gerânios

Abriga invisíveis coros de sabiás.

Três cavalos comem o morro," (...)



do poema "A Jaula verde"

Murilo Mendes / Poesia Completa &Prosa



5.2.09

Tuca Vieira


Autor: Tuca Vieira - livro "As Cidades do Brasil "
(Monumento aos bandeirantes - Ibirapuera - São Paulo )



Um ótimo site de fotografia: http://www.imafotogaleria.com.br/site/




Tuca Vieira, 31 anos, é fotógrafo desde 1991. Formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo em 1998. Estudou fotografia com Cláudio Feijó, Eduardo Castanho, André Douek, Nair Benedicto e Eder Chiodetto. Trabalhou no Museu da Imagem e do Som, na Agência N-Imagens e como free-lancer. Tem trabalhos publicados nos principais jornais e revistas brasileiros. Fez duas exposições individuais: A Luz da Terra da Sol (1994) e Um Caminho nas Índias (2002); participou das coletivas Foto São Paulo (2001) e Fotojornalismo São Paulo, Retrospectiva 2004. . É vencedor do Prêmio Folha de jornalismo - categoria fotografia (2003) e do Prêmio Grupo Nordeste de Fotografia - categoria profissional (2005). Faz parte da equipe de fotografia do Jornal Folha de S. Paulo desde 2002, onde desenvolve, entre outros, temas como a cidade, a paisagem urbana, arquitetura e urbanismo. É autor, em parceria com o jornalista Marcelo Coelho, do livro As Cidades do Brasil -São Paulo, pela Publifolha(2005).

fonte: fotosite

Destino


Destino
Roseana Murray

Como uma folha ao vento confiar no rumo dos acontecimentos. Soltar o corpo e a alma e deixar que dancem com o coração do mundo. Abrir as portas e as janelas para que as estradas entrem pela casa adentro, com todas as luas e luzes e sombras e infinitas surpresas. Como um veleiro na hora da partida não sabe ainda as palavras do mar, assim todos os dias no umbral da vida.


4.2.09

Alfred Eisenstaedt

The famous Clock in the old Pennsylvania Station, New York City, 1943
Alfred Eisenstaedt (1898-1995)
Alfred Eisenstaedt nasceu em Dirschau (na antiga Prússia Oriental, atual Tczew, Polônia), mudou-se com a família de comerciantes judeus para Berlim e em 1918 foi recrutado pelo Exército alemão.
Durante a Primeira Guerra Mundial foi o único sobrevivente de um grupo atingido por uma explosão de granada. Voltou para casa bastante ferido e demorou cerca de um ano até conseguir andar novamente. Foi neste período, tendo nas mãos uma Kodak nº 3 dada pelo tio, que ele passou a se interessar pela fotografia.
A partir de 1925, com a morte do pai, a hiperinflação alemã e a economia da família esgotada, a fotografia passou a ser uma saída rentável.
Baseando-se no estilo de Erich Salomon e Martin Munkácsi, ele logo triunfou como fotojornalista. Em 1935, motivado pelo crescente antissemitismo nazista, Eisenstaedt emigrou para os Estados Unidos.
Foi lá que, durante a Segunda Guerra Mundial, ele registrou um dos mais famosos beijos da história da fotografia --este entre um marinheiro e uma enfermeira captado em plena Times Square, no dia da vitória sobre o Japão.
Bastante prestigiado entre os americanos, Eisenstaedt fotografou muitas personalidades, entre elas Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Ernest Hemingway e Sophia Loren, recebeu de George Bush a National Medal of the Arts e, dois anos antes de morrer, tornou-se o fotógrafo oficial do presidente Bill Clinton.

Jornal Folha de São Paulo

Cássio Loredano

Clarice Lispector, por Loredano

Meio-dia




Meio-dia
Ronald de Carvalho


Choque de claridades
Palmas paradas
Brilhos saltando nas pedras enxutas.
Batendo de chofre na luz
as andorinhas levam o sol na ponta das asas!


Publicado no livro "Jogos Pueris"



3.2.09

Willy Ronis

Quai de Tuileries - 1953_Willy Ronis


Willy Ronis (1910)
Filho de um fotógrafo judeu de origem russa, Willy Ronis nasceu em Paris, estudou desenho, violino, harmonia e iniciou o curso de Direito.
Ganhou a primeira câmera aos 16 anos, mas só passou a trabalhar como fotógrafo seis anos depois --e por pura necessidade. Com o pai doente, sua única alternativa foi de
Depois da morte do pai, Ronis viu no fotojornalismo a oportunidade de levantar dinheiro para pagar as dívidas do negócio familiar. Em pouco tempo, o trabalho virou paix
Obrigado a permanecer na zona desocupada durante a invasão nazista, Ronis volta a Paris após a Libertação. A capital francesa vivia, na época, um período de euforia e s
Com passagens pelas revistas "Life" e "Vogue", Ronis captou a Paris mais popular e o mundo trabalhador e, assim como Robert Doisneau, consagrou-se como um dos grandes n
É dele, entre tantas outras célebres imagens, um poético registro do pós-guerra em que um garoto sorridente, com uma baguete debaixo do braço, corre pelas ruas de Paris
Referência indiscutível da agência Rapho, Ronis parou de fotografar profissionalmente em 2001. Vive em Paris e se dedica a organizar livros e exposições sobre sua obra.
Jornal Folha de São Paulo

2.2.09

Origami - Gatos

1.2.09