30.4.09

Luiz Braga


Luiz Braga - Porto Grande Noturna 2008


Site: Luiz Braga


Luiz Braga nasceu em Belém (Pará) e iniciou-se na fotografia aos 11 anos. Até 1981, desenvolveu trabalhos em preto e branco. Após essa fase, encanta-se com a cor da visualidade popular amazônica. Aliando as possibilidades de confronto entre a luz natural e a luz dos bares, parques e barcos populares amazônicos é premiado em 1991 com o “Leopold Godowsky Color Photography Awards”, pela Boston University.Em 1996, obteve a Bolsa Vitae de Artes, viabilizando o trabalho “Amazônia Intimista”. Em 2003 foi o artista homenageado no XXI Salão Arte Pará com sala especial e recebeu o Prêmio Porto Seguro Brasil. Realizou mais de 70 exposições entre individuais e coletivas no Brasil e no exterior, e suas fotografias compõem coleções importantes como a do Museu de Arte de São Paulo, do Centro Português de Fotografia, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outras.Atualmente, trabalha como fotógrafo independente, em Belém.

Arachnophobia...

arana- gabriel mendez



VOCÊ ACABARÁ ACREDITANDO QUE ELA ESTÁ VIVA MESMO...



Clique e arraste a aranha com seu mouse, por uma perna de cada vez ou pelo corpo....
Também puxe uma das pernas e arraste pela tela .... e me diga se ela não está viva!!!
Em qualquer lugar no mapa clique a tecla de espaço enquanto passeia o mouse pelo mapa, isto fará com que insetos apareçam e a aranha venha comê-los....
Quem inventou isto é fora de série mesmo....



http://www.onemotion.com/flash/spider/




Um beijo de obrigada pelo envio, Zi:)









Diana Krall - Quiet Nights (legendado)

Uma carta de amor ao Rio de Janeiro e à bossa nova.




Garota De Ipanema

Tom Jobim
Composição: Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
E também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor






Obrigada pelo envio, Zi:)
Um beijo, amiga!

29.4.09

Olivia Gay





Biografia em inglês -
http://thetravelphotographer.blogspot.com/2008/07/olivia-gay-les-africaines.html

ALUMBRAMIENTO

Arco íris numa nuvem - Nuno Barreto




ALUMBRAMIENTO

Yo no temo Señor, esto
me iguala a ti, que me creaste.
Del fondo de mi entraña, torbellino de sombras,
tus siete días nacen.

La cósmica alborada que encendiste gigante,
será un milagro nuevo,
poniendo en resplandores su anuncio por mi carne.

En mi dolor, el caos, aquel que tú ordenaste,
y me oprimen tus rocas, me socavan tus mares,
me atraviesan tus peces de filosas escamas,
y se brota mi cuerpo con tus plantas salvajes.

De la hoguera al rocío,
del fondo del misterio tu fuego por mi río.
Mis raíces se aferran, mi corteza se parte.
Por cavernas y bosques se desgarra mi grito
y en la noche sin bridas se desboca mi sangre.
Mi cansancio desciende con su fina llovizna.
Un helecho que trepa hacia el sol, del abismo;
se incorpora mi fuerza... ya se enciende la chispa.

En el centro del todo va creciendo la nada,
remolinos que giran enredando mis aspas,
y mi lágrima arrastra sus arenas de acíbar.

Y desnuda y abierta, secular amenaza,
va mordiendo mi carne su castigo la Biblia.
Trayectoria de lanzas,
tu génesis recorre mi cuerpo fibra a fibra.
Y tu tierra y tus soles y tu fuego y tu aire,
y tu agua y tus días,
se concentran en torno de mi fragua encendida.

Así fue la mañana.
Arco iris, el llanto que cantó son de vida.
Se soltaron las voces de mis dos fuentes blancas,
y la paz de los lagos:
Bajo un cielo de párpados, mi dolor sonreía.


Matilde Alba Swann

(Con un hijo bajo el brazo- 1991)

CORAL Y REMOLINO

ju_remorini_01- Moshva


CORAL Y REMOLINO

Matilde Alba Swann


Linfa
Espuma
Coral
y Remolino

No hay un paso de mí, que no sea cuna
ni una idea de mí,
que no sea
niño.

Ya estoy toda dispersa en todas partes
y condensada y prieta
de semilla.

Esta prisión caliente de ser madre.
Esta expansión celeste
de dar vida.

Una brisa de amor corre mi sangre
y un recuerdo me besa
la mejilla.

No hay altura de bien que ya no alcance
ni alegría de Dios
que no sea mía.

Remolino
Coral
Espuma
Linfa...

Coral y remolino - 1960


AHORA...

The-Kiss-Matthew Alan



AHORA...

Matilde Alba Swann


Ahora estamos aquí los dos maduros.
Sol y espiga, redonda la certeza.
Estamos con los pies de piedra,
continuando la carne de la tierra,
y la tierra se termina en nosotros.
Ahora estamos
con el tiempo a todo color, y a todo viento
nuestra ensanchada voz,
y nuestros brazos rodearían el mundo
si quisieran;
estamos en el centro, tú y yo.
hay un tropel de horas,
y los frustrados sueños desbarrancan;
somos de piedra y es de piedra Dios.
Por nuestro pulmón respira el universo
y por nuestro latido golpea
la existencia entera.
Toma el sol, sofócalo en tus brazos,
el sol quema.
Toma tu acero
y corta en pedazos los gajos de la tierra,
la tierra ya está vieja, se deshace;
sólo estamos
tú y yo.
En nosotros la senda, y en nosotros el paso,
el oído y la voz.
Bésame ahora,
la madurez golpea en el minuto
una rayita apenas,
un parpadeo,
o
no seremos nada,
si evapora la gota de tiempo que nos queda.
Bésame ahora
que estamos verticales al cielo
enfilando el impulso al infinito,
el trigo
lanza rayos al sol,
y el sol madura,
comeremos pan de fuego.
Es la hora del zumo,
del zumo suelto, sin forma y sin encierro,
del libre zumo,
de la saliva dulce de la tierra.
Apoya tu cabeza sobre las nubes,
y lanza al aire tu grito
y destroza
la indescifrable pulpa de las cosas,
y arroja tu semilla por el mundo
y afírmate en el centro
de la rueda del tiempo que nos gira.
Una figura como un soplo,
y una voz pequeña,
palpita en la envoltura
de tu beso.

Salmo al Retorno - 1956

À procura de um olhar


Olívia Gay (2008)


GILBERTO DIMENSTEIN


À procura de um olhar
Dessa vez, foram os corpos das prostitutas da Luz, e não os de Rodin, que ajudaram a produzir um olhar -e muita fila
AS ESTÁTUAS DE Rodin provocavam uma gigantesca fila em torno da Pinacoteca, esparramando-se pelo parque da Luz. Uma das prostitutas que habitualmente batia o ponto na região olhava, curiosa, aquela movimentação. Parou um homem que passava pela calçada e perguntou: "Moço, me diga aí uma coisa. Como uma estátua de gente pelada consegue fazer tanto barulho?" Passados tantos anos daquele encontro, Diógenes Moura fez com que, na semana passada, os corpos das prostitutas da Luz produzissem fila nos sóbrios salões da Pinacoteca.
Diógenes nasceu em Recife, passou mais de 12 anos em Salvador e mudou-se para São Paulo, onde assumiu a curadoria das exposições fotográficas da Pinacoteca. Como decidiu morar nas imediações e ia caminhando até o museu, ele descobriu os movimentos das diferentes tribos -de prostitutas, drogados e mendigos aos imigrantes e aposentados, muitos dos quais dividem, em determinados horários, os mesmos espaços. "Enxergar São Paulo sempre foi um desafio para mim. Tenho a sensação de que aquele que não entende a cidade é engolido." Gente "engolida" pelas ruas é a paisagem mais frequente da cracolândia, o símbolo da deterioração urbana. Assistiu, em câmera lenta, a uma polêmica decisão -a derrubada da grade entre o museu e o parque, com suas prostitutas, mendigos, marginais, que faziam ali receptação de furtos. "Deu uma insegurança geral."
Os marginais não invadiram o museu -mas o museu invadiu o parque, transformado numa galeria de esculturas a céu aberto. Diógenes realizou exposições numa antiga casa de chá, dentro do parque da Luz. Como é escritor, ele tomava notas das cenas que via e das frases que ouvia nos seus passeios, entre as quais a da prostituta encantada com o poder de sedução de Rodin. Nos preparativos para o Ano da França no Brasil, Diógenes convidou o fotógrafo francês Antoine D'Agata, da agência Magnum, para registrar a intimidade de prostitutas que frequentam bordéis da Luz -e chegou a guiá-lo por alguns endereços, onde receberam portas na cara. "Tinha ficado muito impressionado com o trabalho dele sobre a intimidade sexual."
Desde o sábado passado, as imagens fazem parte da mostra "À procura de um olhar", mistura de fotógrafos brasileiros e franceses, entre os quais Pierre Verger. Nunca uma exposição fotográfica foi visitada por tanta gente num único dia.Foram 4.000 visitantes. "Batemos os recordes de todas as nossas mostras fotográficas", orgulha-se Diógenes. Dessa vez, foram os corpos das prostitutas da Luz, e não os de Rodin, que ajudaram a produzir um olhar -e muita fila.
PS - Coloquei algumas dessas fotos de D'Agata em meu site (
www.dimenstein.com.br).


27.4.09

Galeria: Vencedores do Prêmio Sony de Fotografia

A foto do polonês Wojciech Gzedzinski, tirada no ano passado na Georgia, venceu na categoria fotojornalismo.


A foto de Vincent Foong, de Cingapura, venceu o principal prêmio entre os amadores. Ela mostra uma ave da família das garças tentando pousar.





O americano Dustin Humphrey venceu na categoria publicidade com uma série de fotos de uma instalaçao submarina para uma empresa de acessórios para surfe.





O canadense Julian Abram Wainwright venceu na categoria esportes com fotos das provas de mergulho masculinas nas Olimpíadas de Pequim.






A série de fotografias sobre desertos no sudoeste americano rendeu o prêmio principal ao fotógrafo David Zimmerman






A britânica Tamany Baker venceu na categoria Conceitual e Construção com a série "Vivendo com Wolfie", em resposta aos "presentes" que ela recebe do gato.


Fonte: BBC Brasil



O fotógrafo americano David Zimmerman ganhou nesta quinta-feira, em uma cerimônia no Palácio dos Festivais em Cannes, o prêmio de Fotógrafo do Ano do Sony World Photography Awards, que celebra a fotografia mundial.
Zimmerman competiu na categoria Paisagens com uma série de fotografias mostrando o frágil ecossistema dos desertos americanos. Além do título, ele recebeu US$ 25 mil dólares e equipamento fotográfico da Sony.
"Minha documentação desses impressionantes desertos pelo Arizona, Novo México, Califórnia e Nevada continua, num esforço para influenciar a preservação através da conscientização pública, opinião e ação", disse Zimmerman.
"Nós moramos numa época de conscientização ambiental. Também é uma era da imagem. Os dois podem coexistir para nos dar uma imagem mais distinta do uso e abuso de nossos oceanos e da amada terra firme, que sofre um risco muito maior do que nós admitimos ou sabemos", disse Bruce Davidson, em nome do comitê de julgamento.
"Tanto a imagem como seu significado coincidem nas fotografias de David Zimmerman. Em seu foco apurado e sensual, nos tornamos mais conscientes de onde estamos enquanto humanos nos depósitos de areia formados pelo tempo."
"Estou muito feliz com a vitória dessas paisagens de deserto, já que elas representam habilidade fotográfica e uma consciência do meio ambiente, e vão além das simples fotografias mostrando a terra e o céu", disse outra integrante do juri, Zelda Cheatle.
O prêmio, criado em 2007, contempla 12 categorias profissionais e oito categorias amadoras.
Vincent Foong, de Cingapura, recebeu o prêmio de Fotógrafo do Ano entre os amadores, na categoria História Natural.
Na quinta-feira também foi entregue o prêmio do Prince's Rainforest Project, uma fundação em defesa das floresta tropicais criada pelo príncipe Charles, ao fotógrafo espanhol Daniel Beltrá.
O prêmio inclui o financiamento de um projeto para documentar as florestas tropicais do mundo.
O fotógrafo francês Marc Riboud, ex-presidente da agência fotográfica Magnum, recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua obra.


Veja mais fotos e saiba mais em:


A Fotografia perde Otto Stupakoff


Morre Otto Stupakoff, pioneiro da foto de moda


23 de abril - 09
Ubiratan Brasil, de O Estado de S. Paulo
Eduardo Nicolau/AE

Morre Otto Stupakoff pioneiro da foto de moda
Fotógrafo paulistano, que construiu uma carreira vasta e diversificada, foi encontrado morto. Tinha 73 anos


Otto Stupakoff fotografou moda quando a palavra nem era balbuciada no Brasil
SÃO PAULO - Suas lentes focaram grandes nomes como o ex-presidente americano Richard Nixon assim como anônimos vietnamitas massacrados nos anos 1960 - o fotógrafo paulistano Otto Stupakoff construiu uma carreira vasta e diversificada, a ponto de ter sido o primeiro profissional a fotografar uma modelo brasileira em um tempo em que a palavra moda nem era balbuciada no Brasil. Stupakoff foi encontrado morto ontem de manhã, de causa ainda desconhecida, no flat onde vivia, no Itaim. Estava com 73 anos.

Em 1957, já de volta a São Paulo, montou seu estúdio no qual foi pioneiro nas fotos de moda - ele clicou a pioneira garota de Ipanema Duda Cavalcanti. Dez anos depois, iniciou périplo pelo mundo, fotografando na Europa e Ásia até se estabelecer nos Estados Unidos, onde se tornou cidadão americano em 1984. Realizou ensaios para revistas de moda como Harper’s Bazaar, Elle e Vogue Paris.



Seu faro para as novidades era apurado - em 1958, quando o Brasil vivia importantes mudanças sociais e políticas, Stupakoff registrou um país que deixava de ser arcaico para abraçar o progresso. Captou, assim, o ainda iniciante Tom Jobim. Discípulo estético de pintores como Balthus, ele revelou sua técnica no livro Otto Stupakoff, lançado pela Cosac Naify em 2006.

Matérias sobre o Otto:




fotosite.terra.com.br/novo_futuro/barme.php?http://fotosi...fotosite.terra.com.br/novo_futuro/barme.php?http://fotosi...entretenimento.uol.com.br/arte/ultnot/2005/06/24/ult988u2...
www.cosacnaify.com.br/loja/biografia.aspIDAutor=369
www.estado.com.br/editorias/2006/03/14/cad62157.xml
www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/ind...
revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG985848-2157,00.html

25.4.09

"Todo dia era dia de índio"

indios-fmcamgovbr




Dia do Índio

Dom, 19 de Abr de 2009


Todo dia era dia de índio, como diz o Jorge Benjor.
Depois do "descobrimento", todo dia era dia de
caçar índio. Em 1940, início de um novo tempo: foi
realizado o 1o. Congresso Indigenista Interamericano.
Os índios mesmo a princípio não apareceram, achando
que era mais uma arapuca dos brancos. Mas no dia
19 de abril decidiram participar e a data virou
Dia do Índio. Gegê, aqui no Brasil, então chefe do
Estado Novo, assinou um decreto-lei oficializando a
comemoração, que hoje é verbete do saijiki de outono.

***

Como será que os nossos índios chegaram até aqui? Ou
não chegaram, "apareceram" em um ponto qualquer das
Américas? Essa é, até hoje, uma questão polêmica, mas
a maioria dos pesquisadores acha que os índios vieram
da Ásia, atravessando o Estreito de Bering quando as
águas viraram gelo na Idade Glacial, há coisa de uns
40.000 anos.

Quem, se não aposta nisso, não tem dúvidas de que pelo
menos os nossos índios e asiáticos se conheceram antes
de Colombo, é o linguista Luiz Caldas Tibiriçá, autor
de "Estudo comparativo do japonês com línguas
ameríndias: evidências de contatos pré-colombianos" e
"Tupi Língua Asiática".

No site da Rosa Sonoo
- http://www.sonoo.com.br/index.html – encontrei uma
amostra das evidências colhidas pelo Prof. Luiz Caldas:

TUPI PORTUGUÊS JAPONÊS

acapê a parede kabe
amã, mana a chuva âme
anhá sombria an-ya
arassy tempestade arashi
caxi doces kashi
curi castanha kuri
mi-mi semente mi
tataca estalar tataku
sumarê flores do campo sumire

*** *** ***

iaé -
passamos a noite toda
fora da maloca

Hyô Kô

Texto: "Pestana, o Bom" do Grupo de Haicai



Cuidado!

A.D.


Cuidado!


em silêncio,
germinam
palavras e sentimentos

Tuca

Não ligue não

Paddock in Waihi - Sven Vieler-Nova Zelandia



Não ligue não

Observe a Natureza
e a alma virá comer
na tua mão

Tuca


Doce companheiro



Doce companheiro

Morreu sozinha,
coração partido,
sorrindo para o armário...

Tuca

Casa do "camarada"


Casa do "camarada"


chão varrido, de terra batida,
móveis feitos de caixotes
cortina branca de crochê
vasos de flor na janela
porta sempre aberta
cheiro bom de café coado...


O limpo é lindo!

conversa fiada jogada fora -
casos e causos do outro mundo
o tempo tem tempo
de passar devagar...


Ter amigos é lindo!


Tuca



Sentimento à primeira vista


Sentimento à primeira vista


quando nasci, olhou bem para mim

e já não foi muito

com a minha "cara"...


Tuca

23.4.09

Que livro é você?



Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

Clique em:
http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml


O meu resultado foi este:

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

Livro, meu primeiro amor...





Día Mundial del Libro y del Derecho de Autor-23 de abril de 2009




Turtles

Newton's Cradle

Édouard Boubat





Veja o site: LES MAITRES DE LA PHOTO : EDOUARD BOUBAT


Biografia
Édouard Boubat (1923-1999)
O fotógrafo parisiense cresceu nas ruas de Montmartre, estudou fotomecânica na prestigiosa escola Estienne e pouco depois foi trabalhar em um estúdio de fotografia.

Apaixonado por sua cidade natal, passou a registrar a vida cotidiana na capital francesa do pós-guerra. Em 1947, teve o primeiro reconhecimento profissional, ao ganhar o prêmio Kodak do Salão de Fotografia de Paris. A partir daí, Boubat passou a ter seu trabalho comparado ao de talentosos profissionais humanistas da época, como Robert Dosneau e Willy Ronis dupla da agência Top/Rapho, com a qual viria colaborar por muitos anos.

Porém, antes da Top/Rapho, o fotógrafo parisiense foi contratado pela revista francesa Réalités, para a qual trabalhou por quase duas décadas fazendo reportagens pelos cinco continentes.

Embora seu portfólio tenha imagens bastante conhecidas de países como Itália, Espanha, México, Estados Unidos, Peru, Líbano, Quênia e até mesmo do Brasil, é mesmo pelos poéticos registros parisienses que Boubat é mais lembrado. Entre outros inúmeros prêmios conquistados ao longo da carreira, ele recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia da França.



"Coleção Folha Grandes Fotógrafos"

Fish

22.4.09

Cerejas, meu amor


Photo By comaluzacesa


Cerejas, meu amor

Renata Palottini

Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.


E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba


e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...

Se tu viesses ver-me...




Se tu viesses ver-me...

Florbela Espanca

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...


Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri


E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Tempos-juncos

Calling_all_Angels - ANN CHRISTENSEN


Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos.

Velimir Khliebnikov


1908 ou 1909

Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman


A alma russa

Book Art of the Russian Avant-Garde, 1910–1917. The Getty Center.


Basta-me um mínimo:
lasca de pão,
gota de leite
e, céu acima,
nuvens alvíssimas.

Velimir Khliebnikov

21.4.09

"Os Sonhos de Grete Stern"


Sem Título - Foto de Grete Stern

LIVROS

Crítica/"Os Sonhos de Grete Stern"

Obra exibe viagem onírica de Stern
Livro reúne montagens de alemã para ilustrar interpretações de sonhos em revista argentina; imagens estão no Lasar Segall

SÉRGIO RIZZO
CRÍTICO DA FOLHA

Décadas antes de a tecnologia digital permitir a manipulação de fotografias sem deixar rastros perceptíveis para não profissionais, na busca por aproximar o simulacro do real, a alemã Grete Stern (1904-1999), radicada na Argentina de 1936 até a sua morte, usou a fotomontagem para obter efeito contrário: o de criar imagens oníricas que, artifício exposto, investiam em uma "miscelânea imaginária".
O termo foi usado pela pesquisadora portuguesa Margarida Medeiros no catálogo de uma exposição de Stern em Lisboa, em 1997. Ao lembrar que a fotomontagem foi "uma das técnicas privilegiadas pela estética dadaísta e surrealista", ela observa que "a ideia de "colar" imagens" oferece "veículo ideal para sugerir o tumulto das emoções recalcadas".
Parte desse universo -46 obras realizadas por Stern, de 1948 a 1951, para a revista argentina "Idilio", hoje no acervo do Instituto Valenciano de Arte Moderna- revive na mostra "Os Sonhos de Grete Stern: Fotomontagens", em cartaz até 28 de junho no Museu Lasar Segall (r. Berta, 111, tel. 0/xx/11/5574-7322; entrada franca).
O catálogo inclui, em tamanho menor, outras 102 obras da mesma série, que ilustrava a seção "A Psicanálise Vai Ajudá-la", dedicada à interpretação de sonhos. "Era um momento em que os conceitos de ideias psicanalíticas se inseriam em todas as camadas sociais, e a referida página foi recebida com agrado pelo público leitor, majoritariamente feminino", diz Stern em "Anotações sobre a Fotomontagem", texto de 1967 incluído no catálogo.

"Pedido de interpretação"
Sob o pseudônimo de Richard Rest (que usava em companhia do editor Enrique Butelman), o sociólogo Gino Germani dirigia a seção. Stern recebia dele "cópia fiel, na maioria dos casos, das cartas que haviam sido dirigidas à editora Abril com pedido de interpretação", ouvia solicitações (se a fotomontagem deveria ser horizontal ou vertical, por exemplo) e começava o trabalho, que descreve em detalhes técnicos.
"A fotografia é o meio pelo qual me expresso e que requer, como afirma Julio Cortázar em seu conto "As Babas do Diabo", que se possua "disciplina, educação estética e firmeza nos dedos'", diz Stern. A série "Sonhos" a configura, com a ajuda difusa de cartas cujas autoras talvez se exercitassem na ficção, como investigadora de fantasias e inquietudes femininas, traduzidas em imagens de beleza perturbadora, mas que, à época, eram ignoradas ou mesmo tratadas com desprezo.
"Para Grete, a arte fotográfica era produto de uma "visualização prévia", uma espécie de "design" que não surgia como ideia abstrata, mas sustentada em uma materialidade a qual havia que, de certo modo, "editar", eludindo o artifício como valor agregado. Sem por isso fazer da necessidade virtude, fazia arte com o que havia", analisa a crítica argentina María Moreno em um dos quatro ensaios reunidos pelo catálogo. Enquanto Moreno reconstitui o cenário cultural em Buenos Aires durante a produção de Stern, o também argentino Luis Príamo analisa a sua obra.
A contribuição brasileira vem com a crítica Annateresa Fabris, que examina o "teatro do inconsciente" nas fotomontagens da "Idilio", e com o psicanalista João A. Frayze-Pereira, que explora as relações entre fotografia e psicanálise.


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OS SONHOS DE GRETE STERN

Organização: Jorge Schwartz
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Museu Lasar Segall
Quanto: R$ 60 (180 págs.)
Avaliação: ótimo

Brasília comemora 49 anos nesta 3ª feira

Congresso Nacional, cartão-postal de Brasília. (Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil)



A cidade de Brasília comemora 49 anos nesta terça-feira (21) com um dia cheio de atividades. Um dos principais cartões postais da cidade, a Esplanada dos Ministérios, recebe a maior parte dos eventos.

Veja imagens de vencedores dos Prêmios Pulitzer 2009

20/04/09 -
Da Reuters

O jornal The New York Times dominou os cobiçados Prêmios Pulitzer anunciados na segunda-feira (20), vencendo em cinco categorias, incluindo reportagem investigativa, reportagem de últimas notícias e reportagem internacional.
O Las Vegas Sun recebeu o prêmio de maior prestígio dos Pulitzer, o de Serviço Público, por reportagens sobre o alto índice de mortes entre operários da construção civil em Las Vegas, anunciou o conselho dos Prêmios Pulitzer de Jornalismo, Letras, Dramaturgia e Música.
O New York times também ganhou prêmios de fotografia, acompanhando Artigos e Crítica.


Imagem de 28 de outubro de 2008 tirada durante a campanha de Barack Obama em Chester, na Pensilvânia. O autor é o fotógrafo Damon Winter, do New York Times, vencedor nas categorias de Artigos e Crítica. (Foto: Damon Winter/ New York Times/ AP)

Foto tirada em 20 de janeiro de 2008 mostra o menino Shadrick Johnson, de 6 anos, ao lado da fila para ver Barack Obama em convenção em Columbia, nos EUA. A imagem é do fotógrafo Damon Winter, do New York Times, vencedor nas categorias de artigos e crítica. (Foto: Damon Winter/ New York Times/ AP)

Outros vencedores foram o Los Angeles Times, por reportagem explicativa, o St. Petersburg Times, por Redação de Artigos, e o Miami Herald, por fotografia acompanhando Últimas Notícias.


Foto não-datada mostra menino coberto de lama em frente a sua casa, inundada após furacão que atingiu Haiti. A imagem é do fotógrafo Patrick Farrell, do Miami Herald, vencedor na categoria Últimas Notícias. (Foto: Patrick Farrell/ Miami Herald/ AP)


Mulher tenta limpar casa inundada após tempestade tropical Hannah, que atingiu Gonaives, no Haiti, em 4 de setembro de 2008. A imagem é do fotógrafo Patrick Farrell, do Miami Herald. (Foto: Patrick Farrell/ Miami Herald/ AP)



Em fotografia de 4 de setembro de 2008, menino resgata carrinho de casa inundada depois da tempestade tropical Hannah, que atingiu Gonaives, no Haiti. A imagem é do fotógrafo Patrick Farrell, do Miami Herald. (Foto: Patrick Farrell/ Miami Herald/ AP)



A menina Venecia Lonis, de 4 anos, é pesada em clínica do Haiti durante tratamento, duas semanas após sua mãe, desesperançosa, ter planejado seu funeral. A imagem foi feita pelo fotógrafo Patrick Farrell, do Miami Herald. (Foto: Patrick Farrell/ Miami Herald / AP)

Foi o primeiro ano em que foi autorizada a concorrência nas categorias jornalísticas de organizações noticiosas que publicam suas participações exclusivamente na Internet. Mas não houve vencedores online, e, segundo Sig Gissler, administrador dos Pulitzer, apenas um veículo online, o Politico.com, esteve entre os finalistas.

Os prêmios Pulitzer são dados aos melhores nomes do jornalismo impresso, das artes, música e literatura dos Estados Unidos.




20.4.09

Pra nos ajudar a viver....


[projeto Marco Zero]



"Aquilo que eu supunha fosse o caminho do inferno, está juncado de anjos.Aquilo que suja treva parecia, guarda seu fio de luz. Nesse fio estreito, esticado feito corda bamba, nos equilibramos todos. Sombrinha erguida bem alto, pé ante pé, bailarinos destemidos do fim deste milênio pairando sobre o abismo.
Lá embaixo, uma rede de asas ampara nossa queda."

Caio Fernando Abreu-trecho do livro "Para nos ajudar a viver..."

19.4.09

Thomas Hoepker

Site: Thomas Hoepker



Biografia
Thomas Hoepker (1936)
Mundialmente conhecido por uma série de fotos de Muhammad Ali, entre elas uma em que o campeão dos pesos-pesados salta sobre os telhados de Chicago, o fotógrafo alemão posiciona suas lentes entre a curiosidade antropológica e o interesse jornalístico.

Nascido em Munique, Hoepker começou a brilhante carreira há mais de cinco décadas fazendo reportagens por todo o mundo para as revistas locais. Em 1964 entrou para o semanário Stern, que o destacou para acompanhar o famoso boxeador e também lhe deu projeção profissional publicando suas matérias feitas na antiga Alemanha Oriental e em Nova York.

O apurado senso cromático lhe rendeu inúmeros prêmios internacionais e o levou a assumir ainda outras funções. Hoepker foi diretor de arte da própria Stern, diretor de fotografia da edição americana da revista "Geoe" e presidiu a agência Magnum entre 2003 e 2006. Radicado em Nova York desde 1976, ele também atua como produtor de documentários ao lado de Christine Kruchen, sua segunda mulher.

"Coleção Folha Grandes Fotógrafos "


LOBO ANTUNES - entrevista

Tiago Vicente-9.ago.07/Itspress Brainpix Group



ENTREVISTA

LOBO ANTUNES

"Penso em fazer mais um livro e calar-me"

FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Aos 66 anos, o escritor português António Lobo Antunes comemora três décadas de estreia no mundo literário. Foram 20 romances, prêmios e a consolidação de uma reputação de difícil e genial. Após acabar sua 21º obra, a ser publicada no segundo semestre, Antunes começa a considerar a aposentadoria.
"Estava a pensar em fazer apenas mais um livro e depois calar-me", afirmou. O autor vem à Festa Literária Internacional de Parati, em julho. De Lisboa, falou com a Folha, por telefone. Leia trechos da entrevista:



FOLHA - Há quantos anos o sr. não visitava o país?
ANTÓNIO LOBO ANTUNES - A última vez que estive no Brasil foi em 1983. Eu tento não viajar muito, tenho de escrever. Convidam você porque escreve, mas, se começa a aceitar os convites, não tem tempo para escrever. O Brasil é uma questão pessoal para mim, meu sangue vem todo daí. Meu avô nasceu em Belém do Pará. Agora retorno para participar da Flip, onde não sei o que me espera, e depois provavelmente passarei em São Paulo, mas isso dependerá dos planos da editora, que ainda não sei ao certo quais são.

FOLHA - Vir aqui ajuda a aproximar os leitores brasileiros de sua obra?
LOBO ANTUNES - Não estou muito preocupado com a promoção da minha obra. Não sou caixeiro viajante, isso não me interessa. Quero ver os amigos que aí tenho, alguns familiares.

FOLHA - Muitos livros seus permanecem inéditos aqui. Por quê? Seu primeiro livro, "Memória de Elefante" (1979), ganhou uma edição nacional há apenas poucos anos...
LOBO ANTUNES - Eu não deixava publicar esse primeiro livro por aí. Nesse caso, a culpa não é do Brasil, a culpa é minha porque era um primeiro livro, eu nunca o tinha relido e parecia-me estar muito confiante dos defeitos dele. Depois fui ler o livro e até gostei, mas é escrito por outra pessoa, minha ideia do que é um livro agora é muito diferente do que era naquele tempo.

FOLHA - E depois de 20 livros há medo de começar a se repetir?
LOBO ANTUNES - Claro que tenho medo. Não sei se tenho ainda muito ou pouco a criar, mas estava a pensar em fazer apenas mais um livro e depois calar-me. Não há nada mais terrível do que ver a decadência de um bom escritor. Olha os últimos romances do Faulkner ou os últimos contos de Hemingway.

FOLHA - E o livro que terminou há pouco? Há previsão de publicação?
LOBO ANTUNES - Esse novo livro em outubro deve estar a sair aqui em Portugal. No Brasil não sei, não depende de mim. Escrevi esse livro por causa do título, algo que não costuma ocorrer. Eu estava ouvindo modas, que são canções de camponeses. Era uma moda do século 19, de camponeses analfabetos que nunca viram o mar. E seus dois primeiros versos são: "Que cavalos são aqueles/que fazem sombra no mar?" E esses dois versos ficaram em mim, impressionaram-me mesmo, foram o clique que fez o livro começar a sair. Achei esses versos espantosos e viraram o título.

FOLHA - De que trata esse livro?
LOBO ANTUNES - Não gosto de falar dos livros, não é possível falar deles. Se pudesse resumir um livro em cinco minutos, para que escrevê-lo? O que me interessa é que as páginas sejam espelhos em que a gente se veja, é meter a vida inteira entre as capas de um livro.

FOLHA - Acompanha o que tem sido feito atualmente na literatura?
LOBO ANTUNES - Não conheço muito do que está sendo feito, mas não vejo na nossa língua grandes escritores atualmente.

FOLHA - Nem em Portugal?
LOBO ANTUNES - Em Portugal tem eu (risos). Já chega, não? Agora falando sério, embora o que eu disse seja verdade (risos). No século 19, a gente tinha 30 gênios escrevendo ao mesmo tempo, em França, Alemanha, Rússia. Agora, se descobrir cinco grandes escritores no mundo inteiro já está muito bom. Não há, é dramático.

FOLHA - Muitos consideram os seus livros experimentais, difíceis...
LOBO ANTUNES - Fico espantado em ouvir isso. Os livros para mim são tão claros! Não compreendo as pessoas que digam isso, penso que tem a ver com hábitos de leitura. Fazemos um trabalho completamente impossível que é o de tentar transformar em palavras coisas que são anteriores às palavras, pulsões, emoções. Difíceis eu não acho. Eu me lembro de aos 20 anos ver os filmes do Bergman e me chatearem pra burro. Agora me comovem até as lágrimas: era eu que não estava preparado para o Bergman.

Jornal Folha de São Paulo - Caderno Ilustrada

(Olhar) Carteiro no ar




FICHA TÉCNICA

FOTÓGRAFO: Henrique Manreza
DATA: 2/4/2009
PAUTA: Pombos-correio dentro do viveiro de propriedade de Felix Buonafine, tradicional criador da ave

CARTEIRO NO AR, por Fernando Paixão


Como é que pode um pombo sair daqui e chegar sozinho nas lonjuras? Sem o mínimo erro. Parece um GPS animal. Ele atravessa a cidade para entregar a notícia ao destinatário. Em completo sigilo. Orienta-se pelas nuvens ou pelas ruas e pelos prédios? Onde aprendeu a direção do norte e do sul? São os segredos da profissão.

Revista da Folha - 19.04.09

18.4.09

"Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito..."

Shrek de saias


Shrek de saias

Escreve Bárbara Gancia


E daí, Susan começa a cantar... E o teatro quase vem abaixo: a surpresa é ampla, geral, irrestrita e divina


SE A ESTA ALTURA do campeonato você ainda não sabe quem é Miss Susan Boyle, melhor dar um reset na cuca. No sábado, dia 11 de abril, ela conquistou corações e mentes na Grã-Bretanha com sua apresentação da música "I Dreamed a Dream" (do musical "Les Misérables") no programa de calouros "Britain’s Got Talent", do canal ITV. De lá para cá, sua participação no programa já foi vista no YouTube mais de 11 milhões de vezes por gente do mundo inteiro. É impossível não ficar com um baita nó na garganta ao ver Susan entrar no palco, ser zombada pela plateia e, logo em seguida, arrebatar jurados e público ao emitir as primeiras notas da canção. Acontece que nossa heroína é feia do Vale do Eco (feia, feia, feia...), desengonçada, mal-ajambrada, seu cabelo parece um poodle fugido da chuva, suas sobrancelhas são um emaranhado de saca-rolhas, seu queixo é multiplex, enfim, ela é do tipo que se candidata a vencer o concurso de mais horrenda da sala a cada vez que adentra um recinto. Para piorar as coisas, o vídeo mostra que a mocreia se embanana logo na saída. Antes de começar a cantar, ela explica que tem 47 anos e é desempregada. Depois tropeça na hora de dizer que sua cidade natal, West Lothian, na Escócia, é um vilarejo. A plateia começa a ficar impaciente. Simon Cowell, jurado implacável deste e de outros shows de calouros de sucesso, então pergunta a ela qual o seu sonho. E Susan responde que é "ser como Elaine Page". Para quem não sabe, Elaine Page é a primeira-dama do teatro musical britânico, respeitada, linda e elegante. Ou seja, a antítese de Miss Boyle. As câmeras de TV focalizam algumas expressões de indignação em meio ao público. E daí, Susan começa a cantar... E o teatro quase vem abaixo: a surpresa é ampla, geral, irrestrita e divina. Assim que o vídeo de Susan foi parar no YouTube, a atriz Demi Moore postou uma mensagem no Twitter dizendo que estava com os olhos "marejados". O produtor de "Les Misérables", Cameron Mackintosh, se disse "engasgado" com a performance: "Foi uma das melhores versões da canção que eu já ouvi, tocante e enaltecedora, espero que ela cante diante da rainha". Note que a adaptação musical da obra de Victor Hugo existe desde 1980. O vencedor do concurso de calouros ganhará 150 mil libras esterlinas e irá se apresentar diante de Elizabeth 2ª. E Susan, que causou toda essa comoção na primeira eliminatória de que participou, ainda não ganhou coisa alguma. Na página oficial do show na internet, Boyle revela que canta onde consegue para quem estiver disposto a ouvir, mas que nunca tinha tido chance de mostrar seu talento. O jornal escocês "The Herald" disse que a história é "uma parábola do nosso tempo, coisa de Hans Christian Andersen, uma mulher arrancada da obscuridade, um talento enterrado que apareceu". A revista "Entertainment Weekly", por sua vez, afirmou que a performance foi "a vitória do talento absoluto em uma cultura obcecada com a aparência superficial". Em entrevista depois do programa, Boyle comentou a reação do público assim que ela pisou no palco: "A sociedade moderna julga as pessoas apressadamente pela aparência, talvez meu caso sirva de lição".

Veja no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo


Muito obrigada pelo envio, Sonia Maria:)

Plaquetuda Calibrosa

Fernanda Torres - Galeria de JORGE BISPO

Plaquetuda Calibrosa

Fernanda Torres





Marília Gabriela me perguntou uma vez numa entrevista se eu já havia atingido a idade em que não queria mais ser reconhecida pela minha inteligência, mas sim pela beleza.. Respondi que, sem dúvida, eu me encontrava justamente nesse momento da vida. Não fui a menina mais popular da sala de aula, melhorei com o passar dos anos e agora, aos 40 e alguns, começo a perceber a curva descendente acenando com força moderada. E não é que nessa hora tão delicada dois elogios estranhos e inusitados me devolveram um certo orgulho da carne? Explico.


Fui doar sangue. Não é moleza doar sangue. Não pelo ato em si, que não dói nada e resolve a vida de muita gente. A dureza é ser aprovado no questionário minucioso, feito numa sala privada antes da doação. Parceiro fixo? Hepatite A, B, C? Sífilis? Gonorreia? HPV? HIV? Herpes? Fuma? Bebe? Toma algum remédio? Drogas injetáveis? Não injetáveis? Doença de Chagas? Diabetes? Pressão alta? Baixa? Históricos familiares... Conforme se avança na prova, é quase inevitável fazer uma revisão do passado, dos riscos da juventude, dos excessos, mancadas e bobeiras, das heranças, dos vícios, dramas e arrependimentos da vida toda. Funciona quase como uma boa sessão de análise.


Passado o teste, fui encaminhada para a cadeira astronáutica do banco de sangue. Passaram o garrote no meu braço, e o olho da enfermeira faiscou ao ver a veia saltar.


- Hummmm... Calibrosa! - disse ela, já chamando a colega do lado para dar uma olhada. As duas trocaram sorrisos interessados. Percebi nas hematologistas uma enorme ganância de veias bojudas. Pareciam vampiras do bem. Deixei meio litro de sangue para elas e, com o tal orgulho da carne, ou seja, do meu sistema venoso, prometi voltar para doar as plaquetas.


Voltei. Doar plaquetas é outro capítulo. Além das veias fartas, é preciso ter um fluxo grande de circulação sanguínea para encher a máquina, uma geringonça impressionante que retira o sangue, separa as plaquetas e depois devolve o plasma e as hemácias para você. Foi lá que recebi outro cumprimento esdrúxulo:


- Hummmmm... Plaquetuda!


Não soa tão bem quanto calibrosa, parece mais xingamento, mas não me incomodei. Estou naquela fase que a Marília citou, qualquer elogio à matéria é bem-vindo. Podem espalhar por aí que sou uma dona plaquetuda calibrosa. Vai ser o meu mais novo cartão de visita.


Depois dos 40 é comum receber más notícias dos médicos e, invariavelmente, uma batelada de exames para fazer. Mamografia, curva glicêmica, para os homens o temível toque de próstata, isso sem falar na colonoscopia, nos incontáveis ultrassons e no raio X dos joelhos, para quem nunca perdeu o futebol. Aos 20, a gente torce o pé e continua andando. Aos 30, o doutor te receita um analgésico por telefone e recomenda repouso. Aos 40, ele já vai te engessar, medicar e botar na fisioterapia. Aos 50, te interna, abre e mete um pino.


Meu clínico geral me disse rindo que chegamos à era da reposição de peças. Se uma civilização futura (será que isso vai existir?) for cavucar as nossas tumbas, só vai encontrar implante de silicone, osso de platina, joelho artificial... Vai-se a carne, ficam as próteses.


Se tivermos a sorte de viver muito, enfrentaremos as inevitáveis doenças degenerativas. Hoje eu entendo a importância de poder contar com um banco de sangue confiável e bem fornido. A gente nunca sabe quando vai precisar. Gostei de doar sangue, é algo que todos os que têm condições deveriam fazer por si mesmos, pelos seus e pelos outros. Se você tem fator RH negativo, então, pense seriamente no caso. A necessidade é grande. Peça ao seu médico que lhe indique um banco adequado. Quem sabe você ainda não sai coberto de novos adjetivos?


Revista Veja Rio - 13/03/2009

Muito obrigada pelo envio, Bel:)

Jóia






Jóia

céu estrelado
lua quase crescente
brinco de brilhante


Tuca

Vem

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Vem

que meu peito é veludo quente
- afago de sono -
para o teu cansaço
Tuca

Em Duartina

Field of Fire - TERESA MCCUE



Em Duartina
(Tuca)

os dias não são horas,
são momentos delicados:
sentimentos semeados.

Retorno

Archdale - Nude1


Retorno
(Tuca)

Trago tantas lembranças!
Excesso de bagagem -
na alma...

Mal estar

Vento - foto de Cristina Matthiesen


Mal estar

O vento abre clareiras
brancas ausências
e o dia suspenso agoniza

Tuca





Vida de fotógrafo II


17.4.09

Paraná: Piracema começa mais cedo no Lago Itaipu





16/04/2009 - Por: UOL Notícias

Paraná: Piracema começa mais cedo no Lago Itaipu
O fenômeno da piracema começou mais cedo este ano no Lago de Itaipu, no Paraná. A temperatura da água subiu e antecipou o período de reprodução dos peixes.

Mais informações em UOL Notícias
http://noticias.uol.com.br/

16.4.09

Raymond Depardon


Raymond Depardon - Paul Virilio
Native Land, Stop Eject



Site: Raymond Depardon


Raymond Depardon (1942)
A granja na fazenda da família rendeu as primeiras fotos deste polivalente fotojornalista e diretor de cinema. Depardon tinha, na época, 12 anos. Quatro anos depois, o fotógrafo autodidata já estava em Paris, trabalhando como assistente de um estúdio.

A estreia profissional foi em 1960, quando a agência Delmas o enviou para cobrir a expedição SOS-Sahara na África. O jovem voltou com um material marcante, que foi parar nas páginas da revista "Paris-Match" e lhe abriu as portas como correspondente das guerras da Argélia e do Vietnã.

Em 1966 Depardon fundou a agência Gamma, três anos depois dirigiu seu primeiro curta-metragem e, em 1978, ingressou na Magnum. Embora não seja especializado em fotografia esportiva, cobriu os Jogos Olímpicos entre 1964 e 1980 e soube captar em suas fotografias a essência das provas nos momentos que melhor as definiam.

Em 1984, em um dos vários trabalhos que revelam seu comprometimento com as causas sociais, o fotógrafo francês foi convidado pelo governo francês para documentar a paisagem e a vida rural do país.

Assim como na fotografia, Depardon tem seu trabalho no cinema frequentemente reconhecido. Diretor de muitos documentários, ele conquistou o prêmio César --o Oscar francês-- em 1995, por "Délits Flagrants" (delitos flagrantes), em que registrou a conversa entre 14 recém-detidos pela polícia, promotores e defensores públicos em uma delegacia de Paris.

"Coleção Folha Grandes Fotógrafos"