31.5.09

(quintal paulistano)

Sabiá empoleirado em um vaso de uma casa do Planalto Paulista
Vivian Cury/Folha Imagem


ZONA SUL
Revista da Folha - 31.05.06




o canto dos sabiás, dos bem-te-vis etc.

por Sílvio Lancellotti

Não há registro da data exata. Também se perdeu o nome do inspirador da maravilha. Apenas se sabe que, do final da década de 1970 até o princípio da década de 1980, um morador da avenida Odila, no Planalto Paulista, entre os bairros de Mirandópolis e Indianópolis, resolveu rechear o seu logradouro com árvores frutíferas. Avenida Odila? Nem a Prefeitura de São Paulo tem notícia da pessoa que honrou a rua com tal batismo.

Nos diversos quarteirões da região -à parte uma outra via vasta, como a av. José Maria Whitaker (1878-1970), homenagem a um político e banqueiro, ministro da Fazenda de Getúlio Vargas (1882-1954)-, todas as ruas carregam nomes indígenas. Diz a lenda, porém, que o morador hoje esquecido conseguiu 300 mudas de árvores frutíferas e as plantou na Odila. Valeram a intenção e o esforço.

As árvores, desde as triviais -de laranja, jabuticaba e goiaba- até as menos comuns - de jambo, romã, manga, pitanga e abacate- cresceram e, logo, começaram a atrair uma infinidade de aves diversas. Encantados com o canto dos sabiás, dos bem-te-vis, dos pintassilgos e com o rumor divertidíssimo das maritacas e dos periquitos, que os acordavam todas as manhãs, muitos outros habitantes dos quarteirões nos arredores da Odila instalaram bebedouros nos seus jardins.

Depressa se multiplicaram os ninhos nas galhadas e nos telhados. Giulio Celestino, 71, neto de italianos, se orgulha do trono de argila que um joão-de-barro erigiu praticamente à sua porta. "Tem dia que eu conto uns cem sabiás", assevera Antonio Pedro da Silva, que toma conta, das 6h às 18h, de um trecho com oito casas, a quase um quilômetro da Odila, quase na ribanceira, do outro lado do Planalto Paulista, na direção do aeroporto de Congonhas. "Aquela residência ali", aponta ele para um sobrado emoldurado por duas palmeiras, "tá repleta de maritacas".

As aves, sábias na preservação da natureza, desfrutam as drupas e, com os seus bicos, espalham as sementes. Foi assim, certamente, que brotou, na minha própria via, uma gigantesca nespereira. Às vezes, as bagas desabam nas capotas dos veículos que passam. Às vezes, despenca, do alto, uma sujeira de diferente extração -é cocô. Prejuízo boboca perto do canto que me desperta, assim que a luz do sol refulge. Aliás, os lindos sabiás que ilustram esse texto são meus companheiros. Na minha varandinha e no quarto do meu filho.

revista@grupofolha.com.br

(olhar)



BOCA FECHADA, por Fernando Paixão
Abrir a boca para quê? Eis a questão. Tantas são as palavras à toa, repetidas pelo hábito. Quando surge algo diferente, faltam os nomes e as frases. A língua escapa e o pensamento fica embaralhado, sem saber como dizer. Melhor então adotar o silêncio, criar um momento de reflexão. Por entre os lábios, entra a matéria e sai a lenda de cada um.

revista.olhar@grupofolha.com.br
FICHA TÉCNICA
FOTÓGRAFO: Leonardo Wen
DATA: 11/5/2009
PAUTA: Funcionário trabalha na montagem da exposição "O Francês do Brasil - Em Todos os Sentidos", no Museu da Língua Portuguesa

YOGA DO PADRE MARCELO

Silhouette-Oak-William Guion


YOGA DO PADRE MARCELO
série - pegando buda pra cristo

Olá Buda! Eu estava procurando deus. Procurando eu. Coluna do meio. Coluna ereta. Dedos em forma de triangulo de Pitágoras. Ar entrando e saindo do pulmão oceânico. A boca pronunciava um mantra. O que é mantra? Tipo assim: gasolina pros chacras. O que são chacras? Tipo assim: rodas de um carro que não paga pedágio. Ele estava procurando Ele também. Deus também. Calça social. Terno e gravata. Jornal com oferta de emprego dentro da bíblia. O que é bíblia? Tipo assim: uma caixa cheia de cartas fechadas. Depois de correr eu costumava parar debaixo daquela arvore. Praticar yoga. O que é yoga? Tipo assim: oficina das rodas (chacras). Me sentava na penumbra da manha e, feito disco riscado, emitia sempre o mesmo som. Não sei por que ele escolhia justamente aquela pedra pra sentar. Ele sabia que eu estava em silencio. Podia me ver enquanto cantava a plenos pulmões feito um trio elétrico. Tentava me concentrar. Quanto mais me esforçava mais o mantra de uma vogal só se misturando as canções de padre Marcelo. Quem é o padre Marcelo? Tipo assim: um cara que substituiu a metodologia da inquisição pela metodologia da diversão. Continuando. Achei que a presença do intruso seria circunstancial frente ao meu propósito infinito. Engano meu. Parecia até combinado. Mágica. Bastava fechar os olhos e ele chegava. Certo dia, cansado da luta mental, abandonei o mantra. Me concentrei em sua voz desafinada. Ouvi diversos salmos. Nada conhecido. Até que uma canção fez meu catecismo vir a tona. O que é catecismo? Tipo assim: uma coleção de contos de fardos. “Se é longa a jornada e te cansas na caminhada, segura na mão de deus e vai...” Ele cantou. Depois nunca mais voltou. Talvez tenha encontrado um emprego, ou então, deus. O que é deus? Tipo assim: é o que é. Segurei. E fui.


marcelo ferrari
http://ferrarinanet.blogspot.com

Manuel Alvarez Bravo

Manuel Alvares Bravo


Site: OCAIW - Manuel Alvarez Bravo: fotos - biografia - exposições

“Manuel Alvarez Bravo (1902- 2002) é considerado o maior fotógrafo mexicano e um dos maiores do mundo. Com um percurso absolutamente singular, Bravo contactou, durante os anos 30, com os surrealistas, com os fotógrafos do modernismo e mesmo com os do fotojornalismo, que também se estava a começar a definir. A especificidade do seu trabalho, mesmo se se puder ver à luz de todos esses movimentos, prende-se com as circunstâncias culturais, as mesmas que fizeram aparecer artistas como Diego Rivera ou Frida Kahlo.Presente na inauguração da exposição, intitulada “Vozes da Imagem”, o embaixador do México referiu-se a Alvarez Bravo como “o fotógrafo do México real”. Isto porque o autor aborda o universo simbólico da América Latina “com o olhar surrealista de quem via o mundo através da aparência onírica”, como explica Teresa Siza.
A presença das culturas ancestrais indígenas e da realidade do seu tempo fazem de Bravo, diz o embaixador, “o fotógrafo que mostrou a personalidade, os costumes e a história do povo mexicano”. Ou seja, acaba por ser “o fotógrafo da identidade mexicana do século XX”.


( http://jornada.wordpress.com/2005/07/17/fotografia-manuel-alvarez-bravo/ )






De volta à natureza, em fotos e ação

Para seu novo projeto "Gênesis", o fotojornalista Sebastião Salgado está montando uma história visual sobre os efeitos do desenvolvimento moderno sobre o ambiente


31/05/2009
De volta à natureza, em fotos e ação

Jori Finkel
Em Los Angeles
UOL

Sebastião Salgado parece um pouco alérgico a Los Angeles. E isso não é só porque o celebrado fotojornalista brasileiro está fungando desde que chegou na cidade. "Nasci num ecossistema tropical. Não estou acostumado a essas plantas", diz ele.

Mas também porque ele apimenta sua descrição da cidade com palavras como estranha e maluca, observando que ficou mesmerizado com o fluxo interminável de automóveis que viu da janela de seu avião ao chegar aqui.

A região metropolitana de Los Angeles é, em todo caso, uma disparidade frustrante em relação às remotas, pouco povoadas e desertas locações por onde ele tem viajado para realizar seu trabalho épico e ecológico em andamento chamado "Gênesis". Famoso por dar uma face humana à pressão política e econômica de países em desenvolvimento, Salgado está fotografando os vestígios mais prístinos de natureza que pode encontrar: áreas do planeta intocadas pelo desenvolvimento moderno.


Para seu novo projeto "Gênesis", o fotojornalista Sebastião Salgado está montando uma história visual sobre os efeitos do desenvolvimento moderno sobre o ambiente


Ele visitou a tribo seminômade Zo'é, no coração da floresta tropical brasileira e enfrentou trechos desolados do Saara. O próximo destino: dois meses na cadeia montanhosa Brooks, no Alaska, no rastro dos caribus e das ovelhas Dall.

Mas esse tipo de ambientalismo é caro o suficiente para ele ter de voltar para as cidades grandes em busca de apoio. Foi o que o trouxe aqui para três dias de negociações, reuniões e festas. Numa noite ele fez uma apresentação de slides mostrando seu novo trabalho de "Gênesis" para uma platéia lotada no Hammer Museum. Na noite seguinte, ele foi o convidado de honra num jantar para levantar fundos na galeria Peter Fetterman, em Santa Mônica, onde parte de seu novo trabalho está sendo exibido na mostra "África", até 30 de setembro.

Depois disso, ele foi para São Francisco para um jantar beneficente dado por Robin Williams, antes de voltar para Paris, que ele considera sua casa, tanto quanto Vitória, no Brasil.

Isso pode parecer uma agenda de penitência, mas o fotógrafo de 65 anos diz que não se importa e não perde a concentração no trabalho mesmo quando cercado por colecionadores e celebridades que apóiam a arte.

Sentado na galeria Peter Fetterman, com uma foto de zebras na Namíbia pendurada sobre sua cabeça, Salgado comparou seu tempo longe da natureza com o momento de potencial ruptura em que ele tem que trocar o filme em sua câmera, quando ele gosta de fechar os olhos e cantar para não perder a concentração.

"Eu vim aqui para algumas coisas especiais, mas minha cabeça está lá, meu corpo está lá", disse ele com uma expressão absorta e um leve sotaque brasileiro. "Posso dormir num quarto de hotel em Los Angeles, mas na minha cabeça estou sempre editando fotos".

Para "Gênesis", um projeto de oito anos concluído quase pela metade, ele está montando uma história visual sobre os efeitos do desenvolvimento moderno sobre o ambiente. Mas em vez de documentar diretamente os efeitos da poluição ou do aquecimento global, por exemplo, ele está fotografando lugares naturais que ele acredita que de certa forma "escaparam ou se recuperaram" dessas mudanças: paisagens de terra e mar, animais e tribos indígenas que representam um estado anterior, puro - prístino é a palavra favorita - da natureza.

Dessa forma, "Gênesis" é um projeto grandioso e romântico de retorno à natureza, combinando elementos pastoris e sublimes. Salgado também o descreve como um retorno à infância, quando ele cresceu numa fazenda no Vale do Rio Doce, no sudeste do Brasil - que na época tinha 60% de mata atlântica - que sofreu com erosão e desmatamento terríveis. Anos mais tarde, em 1998, ele e sua mulher, Lélia, fundaram o Instituto Terra, com 1.500 acres, para realizar um projeto de reflorestamento ambicioso na região. Sua mulher, que também cuida do design de seus livros e exposições, é a presidente do instituto; ele é o vice-presidente e seu porta-voz mais famoso. Ou, como Ian Parker escreveu na revista "The New Yorker", Salgado é mais do que um fotojornalista, "da mesma forma que Bono é algo mais do que um pop star".

Resumindo, enquanto o Instituto Terra é o braço enraizado de ativismo ambiental local, "Gênesis" é sua contrapartida voltada para as fotos, com uma visão mais global. Desde que empreendeu a série em 2004, visitou cerca de 20 lugares nos cinco continentes.

Ele começou com uma série de fotos das Ilhas Galápagos, que homenageavam os estudos de Darwin por lá. (Salgado disse que o título, "Gênesis", não tem intenção de ser religioso.) "Darwin passou entre 37 e 40 dias lá", disse. "Eu consegui ficar três meses, o que foi sensacional". Ele ficou impressionado de ver com os próprios olhos a seleção natural em espécies como o cormorão, um pássaro que perdeu a capacidade de voar depois de ter sido obrigado a buscar comida debaixo d'água.

No outono passado, Salgado passou dois meses na Etiópia, onde fez uma caminhada de cerca de 800 quilômetros (com 18 mulas de carga e seus donos) desde Lalibela até o Parque Nacional Simien, onde fotografou montanhas, tribos indígenas e espécies raras como um babuíno peludo conhecido como "gelada". "Eu estava viajando naquela região da mesma forma que as pessoas faziam a 3 ou 5.000 anos atrás", disse.

Bem, quase da mesma forma. Ele levava um telefone via satélite, o que o tornou o guia do grupo no que dizia respeito a receber notícias das eleições norte-americanas em novembro. "Quando descobrimos que Obama venceu, todos que estavam guiando as mulas começaram a pular", disse.
Ele chamou a eleição de Obama de "uma vitória para o planeta".

Ele tem um otimismo cauteloso em relação a seu próprio trabalho ambiental.

"Estou 100% certo de que, sozinhas, minhas fotos não fariam nada. Mas como parte de um movimento maior, espero que elas façam a diferença", disse ele. "Não é verdade que o planeta está perdido. Precisamos trabalhar duro para preservá-lo".

Os primeiros projetos de Salgado também foram instigados por uma sensação de urgência. Antes de se tornar um fotógrafo ele fez seu trabalho de doutorado em economia agrícola na Universidade de Paris e trabalhou como economista para a Organização Internacional do Café em Londres. É possível ver essa formação na abrangência e complexidade de suas fotos.

"Trabalhadores", um projeto de sete anos concluído em 1992, trazia imagens de trabalhadores de 26 países, incluindo suas aclamadas fotos dos garimpeiros em Serra Pelada, no Brasil. "Êxodos", um projeto de seis anos fotografado em mais de 40 países e concluído em 1999, focava imigrantes, refugiados e outras populações deslocadas que são financeiramente, e com frequência fisicamente, vulneráveis. (Ambas as séries se tornaram livros.)

Um curador do Getty Museum, Brett Abbot, que está incluindo "Êxodos" em sua mostra de 2010 sobre fotojornalismo narrativo, diz que essa "abordagem épica" é uma das marcas registradas de Salgado: "De todos os fotógrafos que estou olhando, ele foi provavelmente o que escolheu as maiores estruturas conceituais. Ele está sempre olhando para os problemas globais".

Nesse sentido, "Gênesis" não é uma novidade tão grande quanto pode parecer de início.

Mesmo apesar de ele ter recentemente migrado para uma câmera digital para impressões de grande escala, as fotos de Salgado tem uma sensibilidade consistente. Ele ainda faz negativos. E ainda gosta de fotografar seus temas usando contra-luz, enfatizando - ou romantizando, dizem seus críticos - suas formas. Ele ainda trabalha em preto e branco. E seu trabalho ainda culmina em ensaios fotográficos que, através de uma rede de pequenas histórias, revelam algo a respeito de uma espécie inteira. Seu tema fundamental são os sistemas sociais, e agora os ecossistemas.

Seu galerista de longa data, Peter Fetterman, também vê uma linha contínua forte em sua carreira. Apesar de ter inicialmente se surpreendido com o interesse pelas paisagens exuberantes ("Quando eu vi os negativos, achei que talvez estivesse no estúdio errado, ou no arquivo de Ansel Adams"), ele disse que a empatia de Salgado pelas temas é um traço fundamental. "Outros fotojornalistas saem e voltam em um dia", disse Fetterman. "Sebastião vai e vive com seus temas por semanas antes de tirar a primeira foto".

Salgado também enfatiza a continuidade entre seus vários projetos. "Não há diferença entre fotografar um pelicano ou um albatroz e fotografar um ser humano", disse ele. "Você precisa prestar atenção neles, passar tempo com eles, respeitar seu território". Até as paisagens, diz ele, têm sua própria personalidade e retribuem uma certa dose de paciência.

Seu objetivo em "Gênesis" é produzir um total de 32 ensaios visuais, que ele espera exibir em grandes parques públicos assim como em vários museus a partir de 2012. "É o meu sonho mostrar o trabalho no Central Park, não em algum prédio, mas do lado de fora, junto com as árvores", disse ele.

Até agora, o apoio financeiro para o projeto veio de vendas em galerias e acordos de reprodução com revistas como a "Paris Match" na França e a "Visão" em Portugal. Duas fundações de Bay Area - Susie Tompkins Buell's e o Christensen Fund - também emprestaram dinheiro.

Eventualmente, para levantar dinheiro para a publicação, ele planeja lançar uma edição limitada de 20 fotografias em platina. Esta seria a primeira vez para Salgado, que é conhecido por imprimir suas fotos democraticamente, tantas quantas forem requisitadas.

Este é apenas um dos elementos que faz com que "Gênesis" pareça um projeto para a posteridade: a contribuição cuidadosamente planejada e bem intencionada de um fotojornalista veterano para seus filhos, netos e para o mundo como um todo. Mas ele diz que não pensa no projeto como seu último. Apesar de admitir que talvez não tente fazer novamente uma caminhada de 800 quilômetros nas Montanhas Simien, ele diz que não tem planos de se aposentar tão cedo.

"Não conheço nenhum fotógrafo que tenha parado de trabalhar só porque fez 70 anos", disse ele, acrescentando que os fotógrafos tendem a viver por muito tempo. Ele mencionou Henri Cartier-Bresson, que morreu com 95 anos, e Manuel Alvarez Bravo, que viveu até os 100.

"Eu fui à Cidade do México para a celebração do 100º aniversário de Alvarez Bravo", disse. "Ele estava doente, com seus pés dentro de uma banheira de água quente, mas ainda estava com sua câmera. E então ele fotografava os pés".

27.5.09

Origem do bolo de aniversário

http://br.olhares.com/



Delicioso costume teve origem nas oferendas feitas aos deuses da Antiguidade
por Rodrigo Cavalcante
Abril Uol

Celebrar uma data importante com direito a guloseimas tem sua provável origem nas festas de culto aos deuses da Antiguidade. Agradeça à deusa Ártemis, celebrada pelos gregos como a matrona da fertilidade, pelo aparecimento do bolo de aniversário. Ele é provavelmente a evolução de um preparado de mel e pão, no formato de uma lua, que fiéis levavam ao famoso templo em homenagem a ela em Éfeso, antiga colônia grega na atual Turquia.

Há especialistas que defendem outra teoria. Segundo ela, a tradição surgiu na Alemanha medieval, onde se costumava preparar uma massa de pão doce no formato do menino Jesus no Natal. Depois essa guloseima seria adaptada para a comemoração do aniversário de crianças.

Já o uso de velas também teria sido herdado do culto aos deuses antigos, que tinham a missão de levar, por meio da fumaça, os desejos e as preces dos fiéis até o céu, para que eles fossem atendidos.

Mas e as festas de aniversário? Até hoje, não se sabe a data exata de quando os nascimentos começaram a ser celebrados. Ainda nos dias atuais, a comemoração é um costume ocidental nem sempre seguido por outros povos. No Vietnã, por exemplo, os aniversários não são comemorados individualmente no dia do nascimento – e sim coletivamente, no ano-novo vietnamita, que segue o calendário lunar e acontece, em geral, entre os nossos 21 de janeiro e 9 de fevereiro.

Embora não saibam exatamente quando a tradição surgiu no Ocidente, os historiadores sabem que a festa já era conhecida na Antiguidade. “Os romanos não apenas comemoravam o dia do nascimento como tinham um nome para a festa: dies sollemnis natalis”, diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas. “Há, por exemplo, um registro do século 2 em que uma cidadã chamada Cláudia Severa convida sua amiga Sulpícia Lepidina para a comemoração”, diz.

Outra tese que reforça a idéia de que foram os romanos os difusores dessa tradição é a existência de túmulos que registram com precisão o número de anos, meses e dias no sarcófago – o que indica que eles sabiam o dia exato do nascimento do sujeito. “Eles também comemoravam outros aniversários, como o da fundação de Roma, em 21 de abril”, diz Funari.




Ludwig van Beethoven

lifegem-diamond_opt -Cinzas de Beethoven transformaram-se em diamante. A.D.


Nascimento:16/12/1770 - Bonn, Alemanha

Falecimento: 26/03/1827 - Viena, Áustria

"Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante". Esta foi a definição que o compositor Brahms deu à Nona Sinfonia de Beethoven.Beethoven era alemão, mas seu nome de família mostra a ascendência holandesa. A palavra "bettenhoven" significa canteiro de rabanetes e é o nome de uma aldeia na Holanda. A partícula "van" também é bastante comum aos nomes holandeses. O avô do compositor era da Bélgica e a família Beethoven estava há poucas décadas na Alemanha na época do nascimento de Ludwig.O avô Beethoven trabalhava como diretor de música da corte de Colônia e era um artista respeitado. Seu filho, Johann, pai de Ludwig, o seguiu na carreira, mas sem o mesmo êxito. Johann percebeu que o pequeno Ludwig tinha talento e tratou de obrigar o filho a estudar muitas horas por dia.Ludwig deixou a escola com apenas 11 anos e aos 13, já ajudava no sustento da casa, trabalhando como organista, cravista, músico de orquestra e professor. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios.Em 1784, Beethoven tornou-se amigo do jovem conde Waldstein, que notou o talento do compositor e o enviou para Viena, na Áustria, para que se tornasse aluno de Mozart. Em duas semanas, Beethoven voltou para Bonn, supostamente porque Mozart não lhe deu a atenção esperada.Começou então a fazer cursos de literatura, como uma forma de compensar sua falta de estudo. Teve contato com as fervilhantes idéias da Revolução Francesa e a literatura pré-romântica alemã de Goethe e Schiller. Esses ideais se tornariam fundamentais na arte de Beethoven.Em 1792, Beethoven partiu definitivamente para Viena, novamente por intermédio do conde Waldstein. Dessa vez, Ludwig havia sido aceito como aluno de Haydn - a quem chamaria de "papai Haydn". Beethoven também teve aulas com outros professores.Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com a publicação de seu Opus 1, uma coleção de três trios, e a convivência com a sociedade aristocrática vienense, que lhe fora facilitada pela recomendação do conde. Era um pianista de sucesso e soube cultivar admiradores.Surgiram então os primeiros sintomas da surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e teve o diagnóstico uma congestão dos centros auditivos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição. Escondeu o problema de todos.Em 1802, por recomendação médica, foi descansar na aldeia de Heilingenstadt, perto de Viena. Em crise, escreveu o que seria o seu documento mais famoso: o "Testamento de Heilingenstadt". Trata-se de uma carta, originalmente destinada aos dois irmãos, que nunca foi enviada, onde ele reflete, desesperado, sobre sua arte e a tragédia da surdez.O suicídio era um pensamento recorrente. O que o fez mudar de idéia foi encarar a música como missão: "Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim." Só em 1806, Beethoven revelou o problema, em uma frase anotada nos esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!".Beethoven nunca se casou e sua vida amorosa foi uma sucessão de insucessos e de sentimentos não-correspondidos. Apenas viu realizado um amor correspondido. A revelação está na "Carta à Bem-Amada Imortal", escrita em 1812. A identidade dessa mulher nunca ficou clara e suscitou muitas especulações. Um de seus biógrafos concluiu que ela seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt. Em 1815, o irmão de Ludwig, Karl, morreu deixando um filho de oito anos para ele e a mãe da criança cuidarem. Beethoven lutou na justiça para ser seu único tutor e ganhou a causa.Beethoven passou os anos seguintes em depressão, mas, ao sair dela em 1819, deu inicio a um período de criação de obras-primas: as últimas sonatas para piano, as "Variações Diabelli", a "Missa Solene", a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos quartetos de cordas.Foi em plena atividade, cheio de planos para o futuro (uma décima sinfonia, um réquiem, outra ópera), que ficou gravemente doente - pneumonia, além de cirrose e infecção intestinal. Morreu no dia 26 de março de 1827.Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. Estudiosos costumam dividir a obra beethoveniana em três fases. A primeira incluiria as obras escritas entre 1792 e 1800. A segunda fase corresponderia ao período de 1800 a 1814, marcado pela surdez e pelas decepções amorosas. São características dessa fase obras como a sinfonia "Eroica", a "Sonata ao Luar" e os dois últimos concertos para piano. A última fase, de 1814 a 1827, ano de sua morte, seria o período das obras monumentais: a Nona Sinfonia, a "Missa Solene", os últimos quartetos de cordas.A obra de Beethoven inclui uma ópera ("Fidelio"), música para teatro e balé, missas; sonatas; cinco concertos para piano, um para violino e um tríplice, para violino, violoncelo e piano; música de câmara (os quartetos de cordas) e nove sinfonias. A Sinfonia no. 3, "Eroica", foi planejada para ser uma grande homenagem a Napoleão Bonaparte. A Nona, talvez a obra mais popular de Beethoven, marcou época. Sua grande atração é o final coral, com texto de Schiller, a "Ode à Alegria".

Uol Educação






Assistente de fotógrafo

Gato Art's

Um vídeo para quem curte gatos.

Haicai-pintura




Este Cine-haicai-pintura é uma feliz parceria com o artista visual Kelson Frost, arte para os olhos e o coração!

Miwa e Bashô

Hayati Keser -Turquia - TrekLens





Um filme com a atriz Miwa Yanagizawa lendo obras preciosas do grande mestre do haicai japonês, Matsuo Bashô com poemas traduzidos por Olga Savary.



Oh, dúvida cruel!!!


Vida de fotógrafo:((


Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.

masai-Africa - TrekLens


"É verdade: amamos a vida não porque estejamos acostumados à vida, mas ao amor.

Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura. E eu, que estou de bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.

Ver revolutear estas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.

Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene. Por ele caem todas as coisas.
Não é com raiva, mas com riso que se mata. Adiante matemos o espírito do pesadelo!

Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; portanto não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus"

Friedrich Nietzsche
"Assim falou Zaratustra"



Arcangelo Ianelli (1922 - 2009)

"Outono Silencioso" Arcangelo Ianelli - escultura em mármore - Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - Espaço Ecológico e de Escultura

Arcangelo Ianelli (São Paulo SP 1922 - 1909). Pintor, escultor. Inicia-se no desenho como autodidata. Em 1940, estuda perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, recebe orientação em pintura de Colette Pujol. Dois anos depois freqüenta o ateliê de Waldemar da Costa com Charoux, Fiaminghi e Maria Leontina. Durante a década de 50 integra o Grupo Guanabara com Manabu Mabe, Takaoka, Jorge Mori, Tomoo Handa, Tikashi Fukushima e Wega Nery, entre outros. Inicialmente figurativo, volta-se à pintura abstrata a partir de 1960. Participa de importantes exposições no Brasil e no exterior.Fonte: Itaú Cultural


Manuel Vilariño no MASP





26.5.09

HOME Making-Of : Easter Island

Ansel Adams


Teton River by Ansel Adams



Ansel Adams nasceu em 20 de fevereiro de 1902 em São Francisco. Artista de multitalentos, começou como professor de piano e pianista profissional, escritor, até que tirou sua primeira fotografia. Acostumado ao dedicado trabalho de técnicas musicais e o estudo dos grandes compositores, transferiu para a sua fotografia, um profundo senso estético voltado para a criatividade. Quando trocou a música pela fotografia, Adams já tinha optado pelo perfecionismo e criatividade levando seu trabalho fotográfico onde nunca antes outro tinha chegado.

VIETNÃ

Street children - Ho Chi Minh City (AsiaNews)



VIETNÃ

Mulher, como te chamas? - Não sei.
Quando nasceste, tua origem? - Não sei.
Por que cavaste um buraco na terra? - Não sei.
Há quanto tempo estás aqui escondida? - Não sei.
Por que mordeste o meu anular? - Não sei.
Sabes, não te faremos mal nenhum. - Não sei.
De que lado estás? - Não sei.
É tempo de guerra, tens de escolher. - Não sei.
Existe ainda a tua aldeia? - Não sei.
E estas criancas, são tuas? - Sim.

WISLAWA SZYMBORSKA
Tradução do inglês: Nelson Ascher

Retornos



Retornos

Voltou. Não disse nada.
Parecia muito perturbado.
Deitou sem tirar a roupa.
Escondeu se debaixo do cobertor,
as pernas dobradas.
Tem quarenta anos, mas não neste momento.
Está vivo - mas como no ventre materno
atrás de sete peles, na escuridão que o defende.
Amanha dá palestra sobre homeostasis
na cosmonáutica metagalática.
Por enquanto se encolhe, adormece.

WISLAWA SZYMBORSKA

Tradução: Ana Cristina Cesar

25.5.09

Brascan – Cem anos no Brasil

Gaensly, Guilherme.Rio Tieté - Clube de Regatas. Rio Tietê. São Paulo. SÃO PAULO Brasil. 1905 circa


Gaensly, Guilherme. Av. Paulista. Avenida Paulista. São Paulo. SÃO PAULO Brasil. 1902
Conjunto de 15.780 imagens montado a partir de 1899, quando a Companhia Light and Power (da qual a Brascan seria sucessora) instalou-se no Brasil, primeiro em São Paulo, onde contratou Guilherme Gaensly como fotógrafo, e depois no Rio de Janeiro, com Augusto Malta. Ambos documentaram os trabalhos ligados à eletrificação da então capital da República, como a introdução dos bondes no transporte público urbano, entre 1900 e 1930, trabalho continuado por outros profissionais até 1980.
Clique aqui para acessar a coleção.








La máquina musical




Um beijinho de obrigada pelo envio, Zi:)

Abbas


Abbas: Peregrinación a la Meca.



Site: Abbas





Biografia



Abbas (1944)

Os conflitos bélicos foram os primeiros trabalhos de Abbas, nascido no Irã, radicado na França, e autor de um dos mais penetrantes ensaios sobre o islamismo. Entre 1978 e 1980, Abbas dedicou-se a documentar a Revolução Islâmica, posteriormente publicadas no livro "Iran Diary", em que apresenta uma visão bastante crítica da história contemporânea de seu país. Apesar das origens, Abbas soube romper barreiras e nos 17 anos seguintes viajou, mergulhando na Jerusalém mais hebraica e no México mais cristão. A jornada rendeu outros livros que têm a religião como tema, entre eles "Allah O Akbar: A Journey Through Militant Islam", que traz um olhar perspicaz sobre o ressurgimento islâmico, e "abbas kiarostami" (2000).


!Coleção Folha Grandes Fotógrafos"

Artista americano faz "autópsia de livros"






Um artista americano vem aplicando uma técnica que visa dar nova vida e forma a velhos livros, dicionários e enciclopédias amontoados em prateleiras empoeiradas.


O artista Brian Dettmer aplica técnica que visa dar nova vida e forma a velhos livros, como o acima


Brian Dettmer, de 35 anos, realiza o que chama de "autópsia dos livros", em que "disseca", por meio de recortes, páginas de dicionários, livros de engenharia e artes, revistas em quadrinhos e atlas.

O resultado são verdadeiras obras de arte em três dimensões, que revelam interpretações novas ou alternativas de seu interior.

"Livros velhos, discos, fitas, mapas e outros tipos de mídia caíram hoje em uma esfera onde estão vários outros tipos de arte. Seu papel diminuiu e hoje existem mais como símbolos de ideias do que como mensageiros de conteúdo", diz Dettmer.

O artista diz nunca inserir ou alterar o conteúdo das publicações.

Além dos recortes, a arte de Dettmer ainda consiste em unir e dobrar vários livros juntos antes de colá-los e recortá-los.




24.5.09

Sábio conselho!

A.D.

Esqueça todos os seus médicos e acenda "um' no seu bolo de aniversário.



Carinho de mãe...quer coisa melhor?

Foto de autoria desconhecida


Foto de família:)

Autor desconhecido

Lar, doce lar!

A.D.


Disco iluminado sobrevoa o Rio




Sábado, 23/05/2009


Globo



Obra do artista plástico americano Peter Coffins atraiu muitos curiosos para a orla da cidade. Disco tem sete metros de diâmetro e efeitos de luz.










23.5.09

Larry Towell





Biografia


Larry Towell (1953)
O namoro com a fotografia começou nos tempos de estudante. Towell comprou sua primeira câmera e aprendeu a técnica da revelação durante o curso de artes visuais da Universidade York, em Toronto (Canadá).
Pouco depois, aos 23 anos, o jovem seguiu para uma temporada de trabalho voluntário em Calcutá. A experiência toda foi registrada em textos e fotos, mas a carreira profissional mesmo só decolou a partir de 1984, quando ele passou a trabalhar como fotojornalista independente.
Com a cobertura das guerras civis da América Central, Towell conquistou muitos prêmios e projeção internacional. Suas imagens foram publicadas em importantes veículos, entre eles o The New York Times e a Life, e também em livros como 'El Salvador' (1997), sobre a revolta camponesa naquele país, e 'Then Palestine' (1999) e "No Man's Land" (2005), que documenta a vida nos campos de refugiados palestinos. Já 'The Mennonites' (2000) faz um registro impressionante sobre a seita de mesmo nome, existente no México.


Livro reúne desenhos de Vincenzo Scarpellini, designer e artista italiano



MARCOS AUGUSTO GONÇALVES da Folha de S.Paulo
23.05.09

Não é raro que São Paulo provoque em seus visitantes uma reação ao mesmo tempo de repulsa e fascínio. A cidade choca e impressiona em sua amplitude, em sua trama urbana confusa, em sua bizarrice arquitetônica e em seu obsceno contraste entre luxo e miséria.
Mas também não é incomum que, passado o susto, o estrangeiro comece a entrever pelas frestas da Pauliceia a beleza inusual deste ou daquele aspecto urbano, a paz insuspeitada de bairros verdes e residenciais, o dinamismo criativo da modernidade selvagem e o cosmopolitismo de um lugar feito de gente de todos os cantos.
Aeroporto de Congonhas desenhado por Vincenzo Scarpellini

Para um europeu, mais habituado a cidades médias, em geral ordenadas e pacatas, o choque pode ser mais perturbador. E a paixão também. Foi o que aconteceu com Vincenzo Scarpellini, italiano nascido em Ascoli Piceno, formado em design e jornalismo em Roma, que tem agora desenhos e textos sobre São Paulo reunidos num simpático volume com capa dura lançado pela Publifolha.

O material de "San Paolo" é a produção do autor para a seção "Urbanidade", que foi publicada entre 2000 e 2006 ao lado da coluna de Gilberto Dimenstein, no caderno Cotidiano. São situações paulistanas filtradas por uma visão peculiar --é como se redesenhasse e repintasse a cidade ao mesmo tempo em que a registrava.
Scarpellini chegou ao Brasil no final da década de 90, convidado a participar de uma reformulação visual e editorial da revista "Manchete".

Não passou em branco pela Cidade Maravilhosa, mas ela não chegou a balançar assim o seu coração. Elegante e cordato, o tipo de homem que pode ser descrito como um príncipe, enamorou-se mesmo foi da feiosa e movimentada capital Bandeirante quando nela se fixou, contratado pela editora Abril. Posteriormente na Folha, foi responsável por uma reformulação gráfica do jornal.

Scarpellini logo se encantou com o velho e decadente "centrão" da cidade e não tardou a alugar um apartamento na praça da República, bem em frente ao edifício Itália. Depois, casado, morou num prédio projetado por Niemeyer, o Eiffel. Adorava passear pelo centro e se tornou quase um especialista em São Paulo.

A vida, infelizmente, foi-lhe demasiadamente breve --morreu em julho de 2006, aos 41 anos. Mas a arte é longa e seu belo e colorido legado, em parte reunido neste "San Paolo", permanece vivo.

SAN PAOLO
Autor: Vincenzo Scarpellini
Editora: Publifolha
Quanto: R$ 39,90 (176 págs.)


Melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita a viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição. Então agora comecei a viver a minha própria vida. Por mais imperfeita e atabalhoada que ela possa parecer, ela combina de alto a abaixo comigo. 
Elizabeth Gilbert

22.5.09

Show de imagens: ____ What time is it?








Meio sol amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos - condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista - além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo -,Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado através do drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

"Um marco na ficção, no qual a prosa clara e despretensiosa delineia nuances de modo absolutamente preciso." - The Guardian

Dances of the Cossaks

Gopak (Hopak) - Igor Moiseyev ballet

21.5.09

Ycatu*

Nita Muhlis - Indonesia


Ycatu*
Olga Savary

E assim vou
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.

(*Do tupi: água boa)




Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século, Editora Objetiva, 2001 - Rio de Janeiro, Brasil

Os silêncios

Samantha Wolow


Os silêncios
Maria Teresa Horta

Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo


Só de Amor, Quetzal Editores, 1999 - Lisboa, Portugal



Enleio

A.D.


Enleio
Maria Teresa Horta

Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro

Se tombo nesta queda
em que passeio

Não sei se a vertigem
em que me afundo
é este precipício em que me enleio

Não sei se cair assim me quebra... Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio




do livro Destino, Quetzal Editores, 1998 - Lisboa, Portugal

Rute

Darek Marcinkowski - Polônia



Rute

Else Lasker-Schüler
Tradução de João Barrento

E tu vens procurar-me junto às sebes.
oiço o soluçar dos teus passos
E os meus olhos são pesadas gotas escuras.

Na minha alma nascem as flores doces
Do teu olhar e ele enche-se
Quando os meus olhos se exilam para o sono.

Na minha terra,
Junto ao poço, está um anjo:
Canta a canção do meu amor,
Canta a canção de Rute


do livro Baladas Hebraicas, Assírio & Alvim, 2002 - Lisboa, Portugal

20.5.09

Martine Franck

"Les Tulkus" Martine Franck









Biografia



Martine Franck (1938) Belga, nascido em Antuérpia, Martine Franck viveu parte da infância nos Estados Unidos e na Inglaterra. Tempos depois, já em Paris, estudou história da arte na l'École du Louvre. O interesse pela fotografia surgiu nesta época, durante uma viagem pela China. Na volta, em 1964, foi contratada pela Time-Life, como assistente dos fotógrafos Eliot Elisofon e Gjon Mill. A dupla, assim como o marido Henri Cartier-Bresson, passou a encorajar Martine a fazer suas próprias fotos. Documentar os ensaios e o nascimento Théâtre du Soleil --grupo que continuou a fotografar-- está entre os primeiros trabalhos profissionais da fotógrafa belga. Na "Vogue", Martine se destacou com os retratos femininos e também captou a imagem de escritores e pintores, em um formato que viria a se tornar um de seus preferidos.Membro permanente da cultuada agência Magnum desde 1983, ela realizou em 1993 uma marcante fotoreportagem na ilha de Tory, na Irlanda, sobre o cotidiano de uma tradicional comunidade gaélica. Dentre seus trabalhos mais conhecidos também figuram ainda os ensaios sobre os tibetanos na Índia e no Nepal, com destaque para o trabalho sobre os tulkus, jovens lamas escolhidos como reencarnação dos antigos mestres.



"Coleção Folha Grandes Fotógrafos"



19.5.09

Picles

dill-pickled-frog- via my-confined-space

Um dia de sorte - tudo depende do ponto de vista...

parachute-gators - Artist - corwin1

Ser anti social


Dolce far niente I

global-warming-sun-bathing - c_o adme

um doce encontro!

three-wise-monkeys - Found at widelec

Não ouço - Não vejo - Não falo

three-wise-monkeys - Found at widelec

Cansei! Estou me mudando...


Biblioteca do futuro


Claustrofobia urbana


Camuflagem quase perfeita:)


Quem ama cuida com criatividade!


Posições trocadas


Um protesto razoável:)


Moby

Oku no Hosomichi - Matsuo Basho - Senda de Oku

Haicai das Gotas

Busson

Haicais - Chris Herrmann ["A Thing going on"]

Haicai-pintura

Massuda Goga - Discipulo de Bashô 2_2

Massuda Goga - Discipulo de Bashô 1_2

HAICAIS DE ANÍBAL BEÇA

Haicais Verão - Vera Vilela

Paranapiacaba - Foto de AlexKors


A montagem de Haicais e o filme foram feitos por Vera Vilela

O haicai chega
voando via cabos
virtual poesia


Vera Vilela

http://www.veravilela.com

Da lista do Yahoo "Haikai-L "









18.5.09

saravá, benedetti! gracias por el fuego.



e lá se vai mais um que fará falta. esse uruguaio escrevia em um delicioso espanhol do mar del plata. contista, ensaísta, dramaturgo, poeta. dizia que se sentia mais à vontade como poeta. morreu ontem aos 88 anos, premiadíssimo e reconhecido. saravá, benedetti! gracias por el fuego.

***

viceversa

tenho medo de te ver
necessidade de te ver
esperança de te ver
pernas bambas de te ver
tenho vontade de te encontrar
preocupação de te encontrar
certeza de te encontrar
pobres dúvidas de te encontrar
tenho urgência de te ouvir
alegria de te ouvir
boa sorte de te ouvir
e temores de te ouvir
ou seja
resumindo
estou fodido
e radiante
talvez mais o primeiro
do que o segundo
e também
viceversa.

(tradução: leo gonçalves)

tengo miedo de verte/necesidad de verte/esperanza de verte/ desazones de verte/tengo ganas de hallarte/preocupación de hallarte/certidumbre de hallarte/pobres dudas de hallarte/tengo urgencia de oírte/alegría de oírte/buena suerte de oírte/y temores de oírte/o sea/resumiendo/estoy jodido/y radiante/quizá más lo primero/ que lo segundo/ y también/ viceversa.
(mario benedetti)

Por que cantamos

Agnieszka Kopka - Polônia




POR QUE CANTAMOS
Mario Benedetti



Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha

você perguntará por que cantamos

se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro

você perguntará por que cantamos

cantamos porque o rio está soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

(De Retratos y Canciones)