29.6.09

Torre Eiffel











Torre Eiffel

In General Information & Latest News
A Torre Eiffel (em francês Tour Eiffel, /tuʀ ɛfɛl/) é uma torre de ferro construída no Campo de Marte ao lado do Rio Sena em Paris. A torre tornou-se um ícone mundial da França é uma das mais conhecidas estruturas do mundo.
Inaugurada em 31 de Março de 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. O Governo da França planejou uma Exposição mundial e anunciou uma competição de design arquitetônico para um monumento que seria construído no Champ-de Mars, no centro de Paris. Mais de cem designs foram submetidos ao concurso. O comitê do Centenário escolheu o plano de Gustave Eiffel de uma torre com uma estrutura metálica que se tornaria, então, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com seus 317 metros de altura, possuía 7300 toneladas quando foi construída, sendo que atualmente deva passar das 10000, já que são abrigados restaurantes, museus, lojas, entre muitas outras estruturas que não possuía na época de sua construção. Eiffel, um notável construtor de pontes era um mestre nas construções de metais e tinha sido o desenhista da armação da Estátua da Liberdade, que tinha sido erguida recentemente no porto de Nova Iorque. Quando o contrato de vinte anos do terreno da Exposição mundial (de 1889) expirou, em 1909, a Torre Eiffel quase que foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de Rádio a salvou. Os últimos vinte metros desta magnífica torre correspondem a antena de rádio que foi adicionada posteriormente. Recebe o nome de seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923).

A torre é visitada anualmente por 6,9 milhões de pessoas.

Os nomes de setenta e dois cientistas, engenheiros e outros franceses notáveis estão gravados em reconhecimento a suas contribuições por Gustave Eiffel. Estas gravações foram cobertas de tinta no começo do século XX, e restauradas em 1986-1987 pela Société Nouvelle d’exploitation de la Tour Eiffel, uma companhia contratada para negócios relacionados à Torre.
(luishipolito.wordpress.com)

10 CC - I'm not in love

28.6.09

Mona Lisa nos tempos atuais



Sobre Leonardo da Vinci, há uma matéria muito interessante em

The Wall Street Bull (O Touro de Wall Street)



O Charging Bull ou Wall Street Bull, uma escultura em bronze de um touro feito pelo artista italiano naturalizado americano Arturo Di Modica, repousa em suas mais de 3 toneladas no Bowling Green Park próximo a Wall Street em New York. O Bowling Green Bull, como também é conhecido, tornou-se um símbolo da vigorosidade e robustez da economia americana ante as instabilidades do mercado internacional. O touro reprodutor, viril e musculoso, inspira confiança em um mercado livre, agressivo, otimista e próspero.

in http://pensarigor.blogspot.com/


No capitalismo o Touro representa a força e o poder do dinheiro. Existe na frente do prédio da bolsa de valores de Nova York uma estátua em bronze de um touro, conhecido como o Touro de Wall Street, que é o símbolo de mercado em alta (bull market), enquanto o urso representa mercado em baixa (bear market).

Recentemente um grupo de cristãos, preocupados com a atual crise econômica, decidiu interceder junto a Jeová para pedir a recuperação da economia. Como? Decidiram rezar e clamar junto à estátua do touro…
É lenda no local que tocar o Touro de Wall Street traz sorte financeira e prosperidade.

Baleia, seu simbolismo


Simboliza a escuridão abissal e misteriosa, o inconsciente, o local para onde o herói precisa retornar para que seja possível o seu renascimento.No mito do herói, a baleia é um símbolo da Grande -Mãe devoradora em cujo ventre o deus-herói se transforma, e sendo que nesse confronto com a Grande-Mãe, temos o simbolismo de que é o ego do homem que precisava ser transformado. A luta do herói contra a baleia ou qualquer outro monstro marinho se constitui num símbolo da luta pela libertação da consciência do eu das ligações com o inconsciente e a sua salvação se constitui dessa maneira num símbolo da vitória do consciente sobre o inconsciente. A saída do ventre da baleia significa um renascer ou uma ressurreição, tanto que o símbolo da baleia é comum a vários ritos de iniciação. A entrada em seu ventre é análoga a descida ao sub-mundo e a passagem pelo inferno.


Da janela do meu olhar vejo o mar

luce_sul_mare- LIDIA ZITARA - Itália

Caminhando no alvorecer sereno naquela enseada, entre a areia e o tempo, procuro teus passos. Fragmentos. A face do dia veste-se de saudades, enquanto a melodia do vento fala de ti. Uma lágrima rola solitária, e mergulha nas lembranças. Da janela do meu olhar vejo o mar, as gaivotas e sinto a maresia. Mas não vejo a outra parte de mim, que quer encontrar-te. Sobram pedaços e algumas conchinhas. Naufrago na ausência de ti.



Ydeo Oga

15/11/2005 20:08



http://www.joaquimevonio.com/espaco/ydeo_oga/ydeoogaum.htm

Aprendiz de Fotógrafo

A.D.

Tirinhas - Calvin e Haroldo














Universal Press Syndicate

Calvin e Haroldo

25/06/2009
Uol Crianças
já ouviu falar em um menino chamado Calvin? Ele é o protagonista de tirinhas de jornais famosas criadas pelo norte-americano Bill Watterson. Lançadas em 1985, as historinhas "Calvin e Haroldo" ("Calvin and Hobbes", em inglês) mostram a amizade entre um garotinho de seis anos e seu "pet", um tigre esperto visto pelos outros como um brinquedo.


Calvin e Haroldo, personagens das tirinhas, são grandes amigos


Calvin" teve tiras inéditas até 1995, quando parou de ser criado oficialmente (foi anunciado por seu autor). Desde sua criação foi visto por muito gente: suas tirinhas apareceram em mais de dois mil jornais e já ganhou edições em livros, inclusive no Brasil.

Os personagens principais formam uma dupla cheia de curiosidade e foram inspirados em figuras históricas. O nome em inglês do tigre, por exemplo, é Hobbes. A inspiração vem de Thomas Hobbes, o filósofo inglês que, em seus trabalhos, refletia sobre a natureza humana (saiba mais sobre o filósofo aqui). Já Calvin foi inspirado em João Calvino, um teólogo francês (leia mais sobre Calvino).

Além dos dois amigos, outro personagens interagem, entre eles os pais de Calvin (que não têm nome), Susie, Moe e Rosalyn.

26.6.09

Vida de Fotógrafo

[ 1240752232rsjaga5]

A esperança

A.D.





Esperança

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo

Fernando Botero, pintor e escultor

Hand of Reclining Woman 1994 - photo Mena M.


Fernando Botero / 1932
Medellin - Colômbia


Nas obras satíricas de Fernando Botero, políticos, militares e religiosos, músicos e a realeza, são retratados com figuras rotundas e sem movimento, assumindo a característica de vida humana estática. De natureza humorística à primeira vista, as pinturas de Botero são geralmente um comentário social com toques políticos.

Nascido em Medellin, Colômbia, Botero mudou-se para Bogotá em 1951 e realizou sua primeira mostra internacional no Leo Matiz Gal. Partindo para Madrid em 1952, estudou na Academia de San Fernando. De 1953 a 1955, aprendeu a técnica de afrescos e história da arte em Florença, que tem influenciado suas pinturas, desde então. De volta à Colômbia, expôs na Biblioteca Nacional, em Bogotá, e começou a lecionar na Escola de Belas Artes da Universidade Nacional; naquele mesmo ano, passou algum tempo no México, estudando os murais políticos de Rivera e Orozco, cuja influência é evidente em sua perspectiva política.

A visita de Botero aos Estados Unidos em fins da década de 1950 motivaria, dez anos mais tarde, sua volta à Nova Iorque e o trabalho nesta cidade. Embora o expressionismo abstrato lhe interessasse, buscou inspiração no renascentismo Italiano. Durante este período, começou a experimentar a criação do volume em suas pinturas, expandindo as figuras e comprimindo o espaço em torno delas, uma qualidade que continua explorando ao pintar retratos de grupos imaginários ou paródias sobre o trabalho de mestres famosos.

Com um grande número de exposições na Europa e nas Américas do Norte e do Sul, Botero recebeu inúmeros prêmios, inclusive o Primeiro Intercol, no Museu de Arte Moderna de Bogotá, e figura no acervo dos principais museus em todo o mundo. Desde o início da década de 1970, Botero divide seu tempo entre Paris, Madrid e Medellin.

http://www.ocaiw.com/catalog/index.php?lang=pt&catalog=pitt&author=261

Poema à Ilha

View from sky1- vr Nd - India


POEMA À ILHA





deixem-me aqui. branco. com os olhos cuidando o azul

do mar, ouvindo os gritos das aves agonizantes, acariciando

os rostos coloridos (docemente coloridos) das minhas mulheres

tristes. deixem-me aqui, neste abandono cinzento, neste lugar

de casas vermelhas, de presépios nos dedos, erguido nas minhas

mãos esguias (batendo as teclas suaves - enquanto a tinta se perde

na máquina). deixem-me aqui, sereno. ouçam comigo esta voz

de agonia, este grito de ave que vem de dentro de mim.

deixem-me aqui, velho, trôpego de gestos, ou levem-me

pelos prados, numa correria louca, como se esta fosse a última vez,

a última vez de abrir a boca amputada. a última vez de rasgar

a garganta rouca e de gritar: deixem-me aqui, branco, só, nesta ilha

verde, madeira de águas mansas e flores eternas. deixem-me aqui,

compondo esta solidão, este silêncio, mil vezes silêncio, à espera

de um poema ou de um barco, um rosto que viaje para longe

da minha presença vã, para longe da minha distância,

comigo dentro de mim.



José António Gonçalves



Aforismo


Sou grande; contenho multidões.
Walt Whitman
Desconheço a autoria da foto



RENTE AOS OLHOS

rente aos olhos a lágrima a
manhã o orvalho a mão
sobre o arado e o sol nascendo
(...)
rente ao homem os dedos cansados
o sono infinito os canteiros vazios
dois palmos de novo dia e um poema
branco sem palavras

José António Gonçalves


(excerto, in "Movimento", nº.1,
Funchal, 1973)

25.6.09

Dreams of Flying



O fotógrafo Jan Van Holleben usa o chão como cenário para suas fotos e faz a criançada voar...






Obrigada pelo envio, Zã:)

Escultura

Eva_Jurgis-Vilnius - Lituania

Escultura


Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...

Adalgisa Nery
De A Mulher Ausente (1940)

Tableau


Tableau


Nunca se deve deixar um defunto sozinho. Ou, se o fizermos, é recomendável tossir discretamente antes de entrar de novo na sala. Uma noite em que eu estava a sós com uma dessas desconcertantes criaturas, acabei aborrecendo-me (pudera!) e fui beber qualquer coisa no bar mais próximo. Pois nem queira saber... Quando voltei, quando entrei inopinadamente na sala, estava ele sentado no caixão, comendo sofregamente uma das quatro velas que o ladeavam! E só Deus sabe o constrangimento em que nos vimos os dois, os nossos míseros gestos de desculpa e os sorrisos amarelos que trocamos...

Mario Quintana

[Do livro Sapato florido, p. 135 - Editora Globo, 2005]

Trovinha de amor junino

A.D.


'Pinhão quentinho!
Quentinho o pinhão!'
(E tu bem juntinho
Do meu coração...).

Mario Quintana

Canção de inverno
[Do livro Canções, p. 44 - Editora Globo, 2005]

24.6.09

Viva São João



Balão vai subindo

O Balão vai subindo
Vem vindo a garoa
O Céu é tão lindo
E a Noite é tão boa
São João, São João
Acende a fogueira do meu coração.

(do Folclore brasileiro)




Festa Junina

O mês de Junho é caracterizado por danças, comidas típicas, bandeirinhas, além das peculiaridades de cada região. É a festa junina, que se inicia no dia 12 de Junho, véspera do Dia de Santo Antônio e encerra no dia 29, dia de São Pedro. O ponto mais elevado da festa ocorre entre os dias 23 e 24, o Dia de São João. Durante os festejos acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos caipiras.

A tradição de comemorar o dia de São João veio de Portugal, onde as festas são conhecidas pelo nome de Santos Populares e correspondem a diversos feriados municipais: Santo Antônio, em Lisboa; São Pedro, no Seixal; São João, no Porto, em Braga e em Almada.

O nome “junina” é devido à sua procedência de países europeus cristianizados. Os portugueses foram os responsáveis por trazê-la ao Brasil, e logo foi inserida aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Em Campina Grande, na Paraíba, a festa junina atrai milhares de pessoas. A canjica e a pamonha são comidas tradicionais da festa na região, devido à época ser propícia para a colheita do milho. O lugar onde ocorrem os festejos juninos é chamado de arraial, um espaço ao ar livre cercado ou não, e onde há barracas ou um galpão adaptado para a festa.

As festas de São João são ainda comemoradas em alguns países europeus católicos, protestantes e ortodoxos. Em algumas festas européias de São João são realizadas a fogueira de São João e a celebração de casamentos reais ou encenados, semelhantes ao casamento fictício que é um costume no baile da quadrilha nordestina.

Por Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola


Confira mais sobre a Festa Junina!
Comidas Típicas, Itens, Curiosidades, Símbolos e Simpatias.





Festa de São João
Cazuza
Composição: Cazuza

A noite é meu pé de vento
Prática da solidão
A rua é fria e serena
Seus faróis ao relento
Estrelas de mercúrio e prata
Um índio sem tribo vagava
Em pleno coração da mata
Brilha nas poças de água
O fogo que a chuva apagou
A noite é tão linda
A vida é tão bela
São João, acende a fogueira
Do meu coração





Chegou a hora da fogueira

(Lamartine Babo)

Chegou a hora da fogueira
É noite de São João
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão
Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão

Hoje em dia o meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais
O balão da ilusão
Levou pedra e foi ao chão

http://www.jangadabrasil.com.br/junho/al10060a.htm


Tenho paciência e penso: todo o mal traz consigo algum bem.
-Ludwig van Beethoven
___________arte de Berenice Rodrigues




(Via "Meninas para sempre")

Mãe Natureza


O consciente é apenas a ponta do iceberg




(...) Freud não foi realmente o inventor (ou descobridor) do conceito de inconsciente de modo algum. Pelo contrário, a atmosfera intelectual geral da época, que imediatamente precedeu o surgimento de Freud, permitia uma abordagem da atividade mental de vários tipos que ocorria sem a consciência do sujeito, pelo menos num sentido direto. Por exemplo, era geralmente conhecida e usada a metáfora da mente como um iceberg, consistindo da consciência como a parte acima da superfície e um componente inconsciente na parte submersa, constituída por correntes escondidas mas, não obstante, atuantes na vida mental consciente.


"O inconsciente freudiano" - leia em http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/guzel.htm


Maçã do amor ao nosso planeta Terra

A.D.

23.6.09

Morto, o Mágico



Veja em

criação de Steve Martin
(humor negro)



Um beijinho pelo envio, Zã:)

22.6.09

Deja La Vida Rolar

cold_abstract - Ryszard Michalik - Polônia



Deja La Vida Rolar

(Victor Jara)
En tu cuerpo flor de fuego tienes paloma,
un temblor de primaveras, palomitay,
un volcán corre en tus venas

Y mi sangre como brasa tienes paloma,
en tu cuerpo quiero hundirme palomitay,
hasta el fondo de tu sangre

El sol morirá, morirá.
La noche vendrá, vendrá.
Envuélvete en mi cariño,
deja la vida volar,
tu boca junto a mi boca,
paloma, palomitay.
Ay palomay, ay palomay

En tu cuerpo flor de fuego tienes paloma,
una llamarad mía, palomitay,
que ha calmado mil heridas

Ahora volemos libres, tierna paloma,
no pierdas las esperanzas palomitay,
la flor crece con el agua

El sol vendrá, vendrá.
La noche se irá, se irá.
Envuélvete en mi cariño,
deja la vida volar,
tu boca junto a mi boca,
paloma, palomitay.
Ay palomay, ay palomay







Uma flor não é uma flor.

Akihisa Kitanosono -Japão - TrekLens


Uma flor não é uma flor. Ela é composta de elementos não-flor, como o sol, as nuvens, o tempo, o espaço, a terra, os minerais, os jardineiros etc. Uma verdadeira flor contém em si o universo inteiro. Se devolvermos qualquer destes elementos à sua origem, não existirá mais flor. É por isso que podemos dizer com segurança: "Uma rosa não é uma rosa. Por isso ela é uma autêntica rosa." Temos que eliminar o conceito da rosa se quisermos tocar a verdadeira rosa.

Thich Nhat Hanh - "A essência dos ensinamentos de Buda"




Pour mémoire

Crumbled_inside_____by_FullMoonFairy


Pour mémoire

Não me toques
nesta lembrança.
Não perguntes a respeito
que viro mãe-leoa
ou pedra-lage lívida
ereta
na grama
muito bem-feita.
Estas são as fases da minha fúria.
Sob a janela molhada
passam guarda-chuvas
na horizontal,
como em Cherbourg,
mas não era este
o nome.
Saudade em pedaços,
estação de vidro.
Água
As cartas
não mentem jamais:
virá ver-te outra vez
um homem de outro continente.
Não me toques,
foi minha cortante resposta
sem palavras
que se digam
dentro do ouvido
num murmúrio.
E mais não quer saber
a outra, que sou eu,
do espelho em frente.
Ela instrui:
deixa a saudade em repouso
(em estação de águas)
tomando conta
desse objeto claro
e sem nome.

Ana Cristina Cesar
ugalde david - México


"Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, e a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:__ 'Meu amor!...' "



João Guimarães rosa - Grande Sertão: Veredas






Alento

Riza Adrian - Indonesia

ALENTO

Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

Caio Fernando Abreu

in CAIO 3D O Essencial da década de 1970

21.6.09

The Earth from the Air by Yann Arthus Bertrand

Quasinverno

Eligiusz Langner


O vento
(in)venta
dentro de mim

brisa breve
ou ciclone...

Ricardo Mainieri



19.6.09

...tinha algumas letras favoritas

A.D.



Era pouco provável encontrar em qualquer lugar pessoa que vivesse tão a fundo o seu emprego. Dizer que servia com zelo é dizer pouco - não, servia com amor. Naquilo, naquela reprodução de cópias, via ele o seu mundo, variado e deleitoso.
Uma volúpia se lhe exprimia na cara quando copiava; tinha algumas letras favoritas e, quando lhe apareciam, perdia a cabeça: ria-se baixinho, piscava o olho, mexia os lábios a ajudar, e como que era possível ler-lhe na fisionomia cada letra que a sua pena traçava. Se lhe tivessem dado as recompensas correspondentes ao seu zelo, ele, para a sua própria admiração, teria chegado mesmo ao grau de conselheiro de Estado; apenas ganhou, porém, como se exprimiam os brincalhões dos seus colegas, uma fivela na botoeira e hemerróidas abaixo dos rins.

Nicolai Gógol
(1809-1852))

(in "O Capote" Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

ALBANO MARTINS

Incirauskas Romualdas



E o homem, então,
olhou em seu redor
e disse
às árvores: eu sou
a folha maior.
E as aves
do crepúsculo fizeram
ninho na sua boca.


Albano Martins

(in "O Mesmo Nome", 1996)

NUMA AZÁFAMA CONSTANTE

kahoy_treklens - Filipinas

Tai Fu Ku
(C. 1198)



NUMA AZÁFAMA CONSTANTE


Os negócios não os deixam descansar
De noite fazem contas de dia galopam
A sua vida é uma azáfama constante
Desconhecem que sobre as suas casas o céu é azul

Tai Fu Ku

(China)

(in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro;
tradução de Jorge de Sousa Braga)


A.D.

O ritmo
do universo
cabe,
inteiro,
na pupila
dum verso.

Albano Martins

(in "Vocação do Silêncio 1950-1985", 1990)

17.6.09

"Cantares de perda e predileção" e outros cantares

octopus-book-art


Cantares de perda e predileção



II



Que dor desses calendários

Sumidiços, fatos, datas

O tempo envolto em visgo

Minha cara buscando

Teu rosto reversivo.



Que dor no branco e negro

Desses negativo

Lisura congelada do papel

Fatos roídos

E teus dedos buscando

A carnação da vida.



Que dor de abraços

Que dor de transparência

E gestos nulos

Derretidos retratos

Fotos fitas



Que rolo sinistroso

Nas gavetas.



Que gosto esse do Tempo

De estancar o jorro de umas vidas.



Hilda Hilst





*





Da Morte. Odes Mínimas



Durante o dia constrói

Seu muro de girassóis

(Sei que pretende disfarce

E fantasia)

Durante a noite,

Fria de águas

Molhada de rosas negras

Me espia.

Que queres, morte,

Vestida de flor e fonte?



- Olhar a vida.



Hilda Hilst





*





trovas de muito amor para um amado senhor



Nave

Ave

Moinho

E tudo mais serei

Para que seja leve

Meu passo

Em vosso

Caminho.



Hilda Hilst







Formatado por Rô para o Flores Amarelas


Rô, um beijinho de muito obrigada pelos poemas "roubados":)

A Vida Ensina


Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe. Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim. Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando. Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo. Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.Tanto mais lúdica quanto mais complexa. Tanto mais complexa quanto mais consciente.Tanto mais consciente quanto mais difícil. Tanto mais difícil quanto mais grandiosa. Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge. Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas. Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois. Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma. Que aquele que mata, não mate. Que aquela timidez do pobre passe. Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie. Que o velho velhe. Que a moça moce.Que a luz luza. Que a paz paze. Que o som soe.Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe. Que a árvore arvore. Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core.Que o abraço abrace.Que o perdão perdoe. Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo. A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

(Arthur da Távora)

in http://lica.spaceblog.com.br/r10713/Arthur-da-Tavola/

Inexplicável coração!


"O amor tem razões que a própria razão desconhece."
Blaise Pascal
.
.
.
"Desde a tenra infância, já temos a noção de que não somos um filho amado, apenas um filho útil."
Olivan Liger

Anders Petersen





Anders Petersen (Estocolmo, 1944)

Autor do livro de culto "Café Lehmitz" de 1978. Premiado Fotógrafo do Ano nos Rencontres d'Arles de 2003.

Como montar um coração


"Para manter uma verdadeira perspectiva do que valemos, todos deveríamos ter um cão que nos adore e um gato que nos ignore." (Derek Bruce)
Um beijinho de obrigada pelo envio, Zi:)

Crônica










DANUZA LEÃO

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de fácil).
Adora tomar um banho demorado, mas se contém para não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado para presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz para consertar o estrago . . .



Um beijinho de obrigada pelo envio, Bel!


Sea of Love by Cat Power

As lágrimas vão selar minha cela

A.D.


Quando a paixão voa na noite
A lua cheia sorri atormentada
Enquanto as camas gemem

Queime bruxa
Queime nos meus braços
Com a boca grudada em mim

A pele suada a se esfregar no ritmo
Sei que o coração é prêmio
E o corpo um doce fino

Sou filho dos céus e dos infernos
Amaldiçoado pelos deuses
Agraciado com uma peste

Vejo o que não existe
Ouço o que não esta aqui
Faço parte das coisas inexistentes

Sou um homem sincero
Mas você me chama de cachorro e não sei o que mais
Porém adoro tudo o que você diz

Queria quebrar uma promessa
Escrever seu nome nas paredes do quarto
Mas as mãos não me pertecem

Respiração tão ofegante
Você tomou uma dose e se serviu
Mas a garrafa ainda esta cheia

Queime bruxa
Queime nos meus braços
Com a boca grudada na minha

Carlos Assis

Doors
http://www.youtube.com/watch?v=flOvM4Z355A&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=3dLAv0NklTg&feature=related






13.6.09

A.D.


"A tristeza é um muro entre dois jardins".

Khalil Gibran

Qualidade redentora

dalton_brothers - Slovenia


"Ela acrescentou que não se deve, nunca, odiar alguém, nem mesmo os teus piores inimigos. - Todo mundo tem algo de bom em si. Você tem que descobrir a qualidade redentora e amar a pessoa por isso.
- Ah, é? E o Hitler? Qual era a qualidade redentora de Hitler? - perguntei.
- O Hitler adorava cachorros - disse a mamãe, sem a menor hesitação".

Jeannette Walls - "O Castelo de Vidro"







11.6.09

Ricardo Labastier


Ricardo Labastier




Olinda, PE, 1972


Biografia
Estuda na Escola Superior de Comunicação e Marketing em Recife até 1992, quando decide ser
fotógrafo e trabalha como foto−repórter para o Jornal do Comércio e Diário de Pernambuco até o
ano 2000. Em seguida muda para Brasília e entra no Correio Brasiliense onde permanece até
2004. A partir deste momento torna−se fotógrafo independente e realiza trabalhos para revistas,
ensaios e retratos. Paralelamente desenvolve um trabalho pessoal que o leva a pesquisar as
manifestações da fé em vários lugares do Brasil.