28.7.09

Não tem como chorar nos olhos.

A.D.
TRECHO


"Olha para o mar. A água tanta. Já escureceu. Não tem como chorar nos olhos. Mas tem aquela água inteira, deliciosa e bíblica, incrivelmente salgada à sua frente. [...] Deixa-se conduzir pelo movimento encapelado, pela agitação das águas escuras e pesadas. Não sorri, mas sente a tremedeira ceder aos pouquinhos, um tipo de alívio, prazer tímido crescendo, intensificando-se. Como o prazer de esquecer tudo para, quem sabe, poder lembrar tudo outra vez."

Extraído do livro "Olhos Secos",
Bernardo Ajzenberg


Lygia Fagundes Telles




TRECHO DE
Anão de jardim

"Fui feito de uma pedra bastante resistente mas há um limite, meu nariz está carcomido e carcomidas as pontas destes dedos que seguram o meu pequeno cachimbo. E me pergunto agora, se eu fosse um anão de carne e osso não estaria (nesta altura) com estas mesmas gretas? Nem são gretas mas furos enegrecidos como os furos dos carunchos, a erosão. Tanto tempo exposto aos ventos, às chuvas. E o sol. Tudo somado, nesta minha vida onde não há vida (normal) o que me restou foi apenas isto, juntar as lembranças do que vi sem olhos de ver e do que ouvi sem ouvidos de ouvir."

Lygia Fagundes Telles

Este conto está no livro A noite escura e mais eu (1995)





Biografia e menu da autora

http://www.releituras.com/lftelles_bio.asp


Leia mais sobre Lygia em
http://literal.terra.com.br/ligia_fagundes_telles/index.htm





Exercícios natinais

27.7.09

Obvious - Bansky em África

Misteriosos e imaginativos graffitis surgidos no Mali sugerem o traço inconfundível de Bansky. Será possível, Bansky em África?








Posted: 21 Jul 2009

Quem é Bansky? Uns sugerem que é um artista misterioso; outros defendem ser um colectivo que se dedica à street-art. O que é certo é que a criatividade e o traço de Bansky são inconfundíveis, assim como os locais improváveis que escolhe e a sua maneira de desafiar tudo e todos. Desta vez algures no Mali, alguém identificou diversos graffitis que parecem corresponder ao estilo a que já nos habituou.

A poética e a ironia destes desenhos é grande. Percebe-se que não são meros graffitis feitos ao acaso mas sim desenhos com um significado. Veja-se o da zebra com as riscas pretas a secar ao sol numa região em que a falta de água é gritante... ou ainda o da criança tomando banho dentro de uma bacia para onde jorra água de um buraco na parede. Não apenas street-art mas também world-art.


Copiado de http://blog.uncovering.org/

25.7.09

Chuva de papel

guzelcicek_7-treklens




Chuva de papel

Três safiras... três rojões...
Trinta e três estouros de canhões!!!
Três Serafinas... três pagãos...
Três sequências de apagões
Três margaridinhas, três Marias...!
Três barras de parafina.
Três trovões...
Três rainhas...
Três irmãos...
Três por onze, ex_clamações.

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 22.III.08





Elmo




Para Ruth Fainlight

Eu conheço o fundo, ela diz. Eu conheço com minha mais profunda raiz:
É o que tu temes
Eu não temo: estive lá.

É o mar o que tu ouves em mim,
Sua insatisfação?
Ou a voz do nada, tua loucura?

O amor é uma sombra.
Como mentes e choras por ele.
Ouve: são seus cascos: fugiu como um cavalo.

A noite inteira galoparei assim, impetuosa,
Até que tua cabeça seja uma pedra, teu travesseiro um descampado,
Ecoando, ecoando.

Ou devo trazer-te o som do veneno?
É a chuva este silêncio.
E esse é seu fruto: branco, como arsênico.

Sofri a atrocidade do pôr-do-sol
Calcinada até a raiz
Minhas vermelhas entranhas queimadas como garras de arame

Agora me desfaço em pedaços que voam como projéteis
Vento tão violento
Não tolera nenhum amparo: terei de gritar
...............................................................................................................
...............................................................................................................
...............................................................................................................

Esse grito mora em mim
Toda noite ele escapa,
Procurando, com as garras, alguma coisa para amar.

Vivo ameaçado por este ser escuro
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seus macios, malignos movimentos

Nuvens passam e se dispersam.
Serão essas as faces do amor, essas pálidas irremediáveis?
É para isso que meu coração se agita?

Sou incapaz de mais conhecimento.
Quem é esse, esse rosto
Assassino em seu estrangular de ramos?
Seu beijo ácido de serpente
Petrifica o desejo. São lentos, erros isolados
Que matam, que matam, que matam.

 - Sylvia Plath, em "Critica e tradução: Ana Cristina Cesar". 1ª ed., São Paulo: Ática, 1999. 
* Tradução Ana Cristina Cesar e Ana Cândida Perez

Winslow Homer, Deer in the Adirondacks, 1889

24.7.09

Para onde eu vou...




Para onde eu vou
Ferve a luz
Debaixo dos tectos
Há ontem e amanhã
Amores com pele de líquen
Sonhos azuis pelas esquinas
Ali não é preciso nada
Guardamos o lugar
Com palavras
Olhamos uns para os outros
E vamos, cada vez mais pobres
Tapar o sol com a peneira

- Ana Paula Tavares, em "Como veias finas na terra". Lisboa: Editorial Caminho, 2010.

Bato Dugarzhapov

Entre Amigos

Peter McIntosh-Nova Zelandia



Entre Amigos
Martha Medeiros

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.


15.7.09

SOB O OLHAR DO CORVO


 (Microconto)
Da janela antiga, o corvo e sua sombra observam... Enquanto Poe, o escritor genial, repassa ao papel saudade, sonhos e pesadelos...
Van Zimerman

13.7.09

Sol ilumina a rua 42 em Nova York durante o "Manhattanhenge"

13/07/09 - 00h08 - Atualizado em 13/07/09 - 07h59


Fenômeno que ocorre duas vezes por ano
Sol alinha-se com o leste-oeste da rua de Manhattam.

Do G1, em São Paulo







Em Nova York, o sol ilumina a rua 42 durante o 'Manhattanhenge', fenômeno que ocorre duas vezes por ano, quando o sol alinha-se com o leste-oeste do desenho formado pelos edifícios da rua da ilha de Manhattan. (Foto: Mike Segar/Reuters)

12.7.09

(olhar)



FICHA TÉCNICA
FOTÓGRAFO: Paulo Pampolim
DATA: 30/6/2009
PAUTA: Reflexo do amanhecer em edifício na esquina das avenidas Juscelino Kubitschek e Santo Amaro

RELÓGIO DA ORQUESTRA, por Fernando Paixão
Desperta um novo dia na cidade. E os ares das alturas movem-se rápido. Levam nuvens e trazem ventos, deixam a luz do sol descer aos poucos. Um resto de noite ainda resiste a desaparecer. E as ruas mudam de face, enquanto as pessoas acordam. Assim que vence a manhã.

revista.olhar@grupofolha.com.br


9.7.09

O frango do leitor


NINA HORTA

O frango do leitor

São Paulo, quinta-feira, 09 de julho de 2009

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A mãe trinchava só com faca e garfo, desarticulando as partes do frango e provando, no gesto, que fora bem assado
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JÁ HÁ algum tempo que os leitores não fazem a coluna. Esse não quer ser identificado. Mil desculpas, senhor pena de ouro, mas este frango vai para a Folha. Ensopado, ainda por cima. "Ali fumegando na mesa, as coxas apontando para o céu. Sem adjetivos um frango é nada, insosso. Não dá para comer. Precisa ser caipira ou, no mínimo, carijó. Branco, nem pensar. De preferência criado em casa, com pai e mãe conhecidos. A galinha gorda, cloaca larga. O galo alto e peitudo, de briga. Comendo restos de arroz e feijão bem temperados e quirera de milho. Um dia alguém ouvia o ensaio de canto e zaz! Panela! Ou forno. O tempero devia ser apenas sal, pimenta-do-reino e vinagre. Em algumas casas usavam também a cebola e o alho. Um desperdício.
Na hora de assar, um alecrim enfiado entre a pele e a carne como dinheiro em bolso de malandro. O cheiro do alecrim não podia sair e entrava na carne. Se não havia criação na casa, se comprava o frango de vara, na porta. Aí precisava um tempo no galinheiro para limpar por dentro. Comia só milho. E a pele ia ficando amarela, e o bicho engordava. A desvantagem é que às vezes ia cantando e tomando ares de galo, passava um pouco do ponto de abate até ficar limpo e gordo.
A faca na garganta exigia sangue frio. "Você mata frango?" A resposta "mato não senhora" significava que não teria o emprego. De que adiantava lavar, passar e engomar, encerar bem a casa com o escovão se não tinha sangue frio? Valia nada. "Mato. E sei fazer molho pardo."
Dava gosto ouvir. "Fulana tem um bom tempero", queria dizer de feijão e de frango. E sangue frio. O sangue do frango se conserva com vinagre, para não talhar. O melhor tempero era das filhas de criação. Elas sabiam do gosto da casa. Viviam para agradar e agradecidas. Na mesa, todos em volta do frango.
À mãe cabia dividi-lo porque mãe é quem sabe tudo sobre o gosto de cada um. O pai em primeiro. Se gostava de peito, os filhos comiam as coxas. Se gostava de coxas, os filhos comiam o peito, de forma que as gerações iam se alternando no gosto de coxas e peitos.
No geral, um pai que gostava de coxa era sempre filho de um pai que gostava de peito, pois havia os filhos protegidos, que podiam provar do repasto do pai -e se o avô vinha almoçar, matavam-se dois frangos para que não houvesse disputa entre netos e avô, o que hoje chamam conflito de gerações. A mãe sempre comia a sobreasa, que não é coxa nem peito nem asa e não entrava na disputa. Mãe é mãe, sempre pairando acima dos conflitos. A asa só se comia na gula, na repetição. Ou sobrava para a empregada que, no geral, gostava mesmo é de sobrecu, chamado de curanchim ou uropígio para não introduzir o cu no festim.
Nunca vi comer-se um sobrecu à mesa. Sempre na cozinha. A mãe sabia trinchar só com faca e garfo, desarticulando as partes do frango e provando, no gesto, que fora bem assado. Era o ponto. Acho que deve-se aos franceses a tesoura de trinchar frangos: a cabeça do fêmur grudada na carcaça, a sobreasa levando um pedaço de peito e de asa... Um horror!
Em vez da comunhão, uma cena de mutilação presidida pela mãe. Como uma família assim poderia se amar e se respeitar? E vieram os supermercados, com as partes de frango em bandejas resfriadas. O frango decomposto, mal cheiroso que nem alecrim cura, sem gosto, molenga, gordura doente que não serve para canja. Cada filho come na hora que bem entende. A empregada já não precisa saber nada. É por isso que eu digo: família é, por exemplo, comer harmoniosamente um frango."

ninahorta@uol.com.br

Jornal Folha de São Paulo

Escrita fina





Escrita fina


Pegadas de pássaro
na areia da praia -
meio poema em grego.

Tuca Kors

Biografia

Dorian Radulu - Peru



Biografia

Nasci - expansão
Cresci - contração
Envelheci - não ação

..."sou velha como as montanhas" (Kim Edwards)

Tuca Kors

Sorte

argiolus_ Michal Grabowski - Polonia


Sorte

No café da manhã
uma borboleta
pousa sobre o pão

Tuca Kors

Diga X!

chevalphoto-horse parade -Bélgica


Cavalos

WojtekKwiatkowski_EntranceOfDragon_2004_Poland_PhotoNet_001_


(...)A delicadeza, a gentileza, isto é o que nós frequentemente perdemos, capturados como ficamos, com os cascos barulhentos, os flancos musculosos de um árabe galopando, pescoço distendido, orelhas eriçadas ao vento.
Mas lembrem-se da delicadeza dos lábios de um cavalo, suas pestanas, seu pescoço, os ossos de suas pernas, a doçura do seu cheiro no estábulo, as focinhadas.
(...)Esquecemo-nos do quanto eles pertencem ao elemento etéreo como se todos os cavalos tivessem asas, voando através do vento, rabos ondeados, largas narinas frementes, o ar penetrando no seu interior - zunindo, relinchando, resfolegando, se distanciando.


James Hillman - Animais de sonho

8.7.09

Xeque-mate!

A.D.

Adriana Calcanhotto - Naquela Estação

A.D.



Naquela Estação

Adriana Calcanhoto


Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais
Para tentar
Lhe convencer
A não partir...

E agora, tudo bem
Você partiu
Para ver outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação....

E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação...

Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais
Para tentar
Lhe convencer
A não partir...

E agora, tudo bem
Você partiu
Para ver outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação....

E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação...







Djavan - Azul





Azul

Eu não sei
Se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá
Dos olhos teus
Essa cor
Que azuleja o dia...

Se acaso anoitecer
E o céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha, vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
Essa côr não sai de mim
Bate e finca pé
A sangue de rei...

Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho (cedinho)
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...

Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho cedinho
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...

Um olhar sobre Botero

Desconheço a autoria da foto


A Minha felicidade não é a sua


A.D.

A Minha felicidade não é a sua

Martha Medeiros
Revista O GLOBO, 16/01/2005

O mais recente livro de Carlos Moraes, o ótimo "Agora Deus vai te pegar lá fora", há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major: "Por que você não é feliz como todo mundo?" A que ela responde mais ou menos assim: "Como o senhor ousa dizer que não sou feliz? O que o senhor sabe do que eu digo para o meu marido depois do amor? E do que eu sinto quando ouço Vivaldi? E do que eu rio com meu filho? E por que mundos viajo quando leio Murilo Mendes? A sua felicidade, que eu respeito, não é a minha, major."
E assim é. Temos a pretensão de decretar quem é feliz ou infeliz de acordo com nossa ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser visualizado. Somos apresentados a alguém com olheiras profundas e imediatamente passamos a lamentar suas prováveis noites insones causadas por problemas tortuosos. Ou alguém faz uma queixa infantil da esposa e rapidamente decretamos que é um fracassado no amor, que seu casamento deve ser um inferno, pobre sujeito. É nestas horas que junto a ponta dos cinco dedos da mão e sacudo-a no ar, feito uma italiana indignada: mas que sabemos nós da vida dos outros, catzo?
Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está nos vendo. 0 barulho da chave da porta, de madrugada, trazendo um adolescente de volta pra casa. O cálice de vinho oferecido por uma amiga com quem acabamos de fazer as pazes. Sentar-se no cinema, sozinho, para assistir ao filme tão esperado. Depois de anos com o coração em marcha lenta, rever um ex-amor e descobrir que ainda é capaz de sentir palpitações. Os acordos secretos que temos com filhos, netos, amigos. A emoção provocada por uma frase de um livro. A felicidade de uma cura. E a infelicidade aceita como parte do jogo — ninguém é tão feliz quanto aquele que lida bem com suas precariedades.
O que sei eu sobre aquele que parece radiante e aquela outra que parece à beira do suicídio? Eles podem parecer o que for e eu seguirei sem saber de nada, sem saber de onde eles extraem prazer e dor, como administram seus azedumes e seus êxtases, e muito menos por quanto anda a cotação de felicidade em suas vidas. Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter — juizes indefectíveis que somos da vida alheia — mas é um atrevimento nos outorgar o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz.
A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão.


Um beijo de obrigada pelo envio, Zi:) Veio bem a calhar...

3.7.09

Sorriso



Anda minguado na aridez do mundo. 
Mas, sem ele a vida amarga.

Clarice Borian



haicai-presente

moderson-becker-mond-ueber-landschaft-ca-1900


Noite de inverno -
Lendo o blog da Tuka
Até altas horas.

Antonio Mitori

(Escrito em 21/06/2009 às 22:30 h)





Que cada um ( uma) vivencie o feminino conforme sua percepção, inteligência e emoção. Sem regras, sem senhores, sem senhoras, sem manadas. Liberdade tb passa pelo indivíduo.
Há muitos anos, sintetizei essa ideia num poema.
Fim da Linha
depois de desmanchar
bordados
Penélope concluiu
sua obra-prima
a delicada tessitura
da alma feminina
que a ninguém ofereceu
o mosaico, afinal,
era só seu
Celia Musilli


O PEQUENO PRÍNCIPE

Pack Pk - Tailandia



E foi então que apareceu a raposa:
__Bom dia, disse a raposa.
__Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
__Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
__Que quer dizer "cativar"?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também.
É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços...".
__Criar laços?
__Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
__Começo a compreender, disse o principezinho... Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
__É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom. E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor... cativa-me! disse ela.
__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas
a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Antoine de Saint-Exupèry




Escrevo contra o vento

A.D.



Escrevo contra o vento,
frente ao mar.
Volúveis,
as mãos sondam
a salina
intimidade
das águas.

Albano Martins

Aceitação

A.D.




"Não se pode deter o tempo.
Não se pode raptar a luz.
Tudo o que se pode fazer é virar o rosto para cima e deixar a chuva cair."

Kim Edwards in
O Guardião de Memórias

Presentes

By Gordon McBryde

"Cada dia chega trazendo seus próprios presentes. Desamarre as fitas."
Ruth Ann Schabaker

2.7.09

1º aniversário do Arma Zen:)


Deixo aqui um abraço grande aos seguidores e leitores do Arma Zen da Tuca.
Meus alegres agradecimentos!
Tuca