30.12.09

2010


Feliz Ano Novo!



Um grande abraço da Tuca a todos vocês:)









“Quem diria que as manchas vivem e ajudam a viver? Tinta, sangue, cheiro. Não sei que tinta usar qual delas gostaria de deixar desse modo o seu vestígio. Respeito-lhes a vontade e farei tudo o que perder para escapar do meu próprio mundo.” 

– Frida Kahlo, no livro “O diário de Frida Kahlo: um autorretrato íntimo”. [tradução de Mário Pontes; introdução de Frederico Moraes]. 3ª ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.





28.12.09

Uma conversa nocturna muito triste


Anna Swir - (1909 - 1984)
"Devias ter muitos amantes."
"Eu sei, querido."
"Eu tive muitas mulheres."
"Eu tive homens, querido."
"Estou acabado."
"Sim, querido."
"Não confies em mim."
"Não confio, querido."
"Tenho medo da morte."
"Eu também, querido."
"Não me vais deixar."
"Não, querido."
"Estou só."
"Também eu, querido."
"Abraça-me."
"Boa noite, querido."

Vladimir Volegov

27.12.09

... o amor tinha cheiro de comida

Ophelia - Odilon Redon



A comida e o tempo

Falar de comida é quase sempre falar de saudade, é sentir o nostálgico afago de uma lembrança, próxima ou distante, ida mas vívida. Comida também cabe no futuro, como esperança de um momento bom; comida tem sabor de tempo.
Há algo do tempo que se perdeu no tempo em que o tempo ainda tinha tempo! Nesse tempo luziam no céu tantas estrelas para se olhar que nada restava ao coração senão se render à alegria de se deixar sonhar.
Era tempo de comungar a pequenez insignificante de nossas pretensões e sentir a colossal presença da beleza a transpassar o olhar, inundando a alma com o doce sabor nostálgico da esperança menina.
Havia na infância vários tempos de medir o tempo! As frutas tinham seu tempo, estação, época; tempo de manga, de tangerina, de caju e de abacaxi. Foi o tempo de subir no abacateiro e imaginar o mundo a passar por ali.
Tempo de cheiro de lenha crepitando no fogão da casa de minha avó enquanto a alquimia de pratos simples como o arroz e feijão estreitavam o espaço entre o céu e a Terra.
(...) Era bem-vindo o tempo de festejar, era bom esse tempo e havia que aproveitar! O Natal, o Ano Novo, o Carnaval, e vinha a Páscoa e cada santo em seu lugar. Tempo de estar em família, tempo de almejar o futuro, tempo de ver o desfile, tempo de ficar triste e tempo de a alegria voltar.

Trecho da crônica de José Carlos Garcia, do livro "Sabores inconscientes, receitas sem culpa", organizado por Cybelle Weinberg








O gatinho de Raquel

Foto: http://www.mugatobirmancats.com.br/eng/eng_htm/index_eng.htm




Raquel diz:
"Observe, Miki, este filhote: não tem nem três semanas, ainda confunde as patas quando anda, tenta descer os degraus e rola por eles como uma bolinha de lã, e ainda me faz essa carinha de cortar o coração, cara de inocente sofredor, mas ele já sabe como se esconder de mim embaixo da almofada e me espiar de lá como um tigre de dentro da selva, seu corpinho se contrai um pouco e começa a balançar de um lado para outro, pronto para o bote, e até dá o bote, mas erra no cálculo da distância e se esparrama de barriga no chão. Dentro de um ano nenhuma gata em toda esta aldeia poderá resistir a seus encantos."

Amós Oz
trecho do livro "Cenas da vida na aldeia"

Sofia Zaman‎




regar o jardim em dia mais fresco faz a gente lembrar de lugares bons pra regressar. uma ilha, um tesouro, um mapa, um esconderijo, os pés lavados de mar e esta quietude que me faz suspirar

Rose Mendes


26.12.09

Boa noite:)

Foto - A.D.



Hercules Florence - o pintor das nuvens






Sobre o artista Hercules Florence

Seu pai foi professor de desenho em Nice. Seu avô materno estudou pintura em Roma. Um de seus tios maternos ganhou o primeiro prêmio de pintura na Academia da França. Outros membros da família de sua mãe também tinham predileção pela pintura.
Hércules, portanto, herdou a predisposição genética para a arte pictórica. E recebeu, também, influência do ambiente, pois a casa de sua mãe, onde havia muitos quadros e desenhos, era visitada por amigos que apreciavam a arte. Assim, cedo se manifestou sua inclinação natural para o desenho que aprendeu sem mestre.
No Brasil, em setembro de 1825, foi contratado para a função de segundo desenhista da Expedição Langsdorff e fez desenhos e aquarelas de índios, escravos, plantas, animais, rios, cachoeiras, cidades e lugarejos que visitou, durante a viagem.

Quando se interessou pela formação das nuvens, os céus de Campinas lhe inspiraram belas aquarelas. E elaborou, sob esse tema, um estudo que denominou “Atlas Pitoresco Celeste” ou “Tratado dos céus, para uso dos jovens paisagistas”. Desejava reproduzir exatamente as cores e os diversos aspectos do céu pois acreditava que era possível, através da pintura, transmitir todos os efeitos da luz como eles se manifestam na natureza.
Em 1832 desenvolveu alguns estudos que denominou "Tableaux Transparents de jour" que consistia em produzir pequenos furos em determinados espaços que representavam as luzes e os reflexos na tela. O efeito era conseguido quando se observava o quadro em um aposento escuro e com a luz de vela, ou do sol, incidindo apenas atrás da pintura.

Fontes:

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/as_paisagens_do_ceu_de_hercules_florence_imprimir.html

e

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=2388&cat=Discursos

ao recitar um poema concreto 
não disse uma palavra
- jogou uma pedra na água

Hércio Afonso

Tramandaí, Jorge Pinheiro 

Eu, que eu possa descansar em paz

Hungria - Paal Laszlo


EU, QUE EU POSSA DESCANSAR EM PAZ

Eu, que eu possa descansar em paz
eu, que ainda estou vivo e digo:
que eu possa ter paz no que tenho de vida.
eu quero paz agora mesmo, enquanto ainda estou vivo.
não quero esperar como aquele piedoso que almejava
uma perna do trono de ouro do Paraíso. Quero uma cadeira
de quatro pernas, aqui mesmo, uma cadeira simples de madeira.
Quero o resto de minha paz agora.
Vivi minha vida em guerras de toda espécie: batalhas dentro e fora,
combate cara a cara, a cara sempre a minha mesmo,
minha cara de amante, minha cara de inimigo
Guerras com velhas armas, paus e pedras, machado enferrujado, palavras,
rasgão de faca cega, amor e ódio,
e guerra com armas de último forno, metralha, míssil,
palavras, minas terrestres explodindo, amor e ódio.
Não quero cumprir a profecia de meus pais de que vida é guerra
Eu quero paz com todo meu corpo e em toda minha alma.
Descansem-me em paz...


Yehuda Amichai
(tradução de Millor Fernandes)



O lugar em que temos razão

Latvia - Francis Millers





O lugar em que temos razão

Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.

O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.

Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída.

Yehuda Amichai
(tradução de Nancy Rozenchan)



TODOS OS PLANOS


No princípio de todas as coisas estás tu. Prendes-me. Impedes-me. Mesmo quando não estás aqui. Prendes-me. Como me prende esta luz. Forte. Que me impede de todos os teus instantes. Como me prende esta luz. Forte. Que me impede de todos os teus olhares. Das tuas mãos. De ti. Em travão. Que me fala. Do não. Mas que me mostra. Toda. A ti.
Queria voltar atrás e guardar-te em mim. Levar-te comigo em todos os saltos. Ter-te em todas as quedas. Em todos os delírios de sol e mar. Areia nos dedos. Pele em arrepio. Dizer-te a palavra Amor. Dizer-te do para sempre. Do ficar. E do sentir. E ter-te comigo agora. Do lado de cá desta luz. Que não me guia. Que não me ilumina. Apenas me prende. Como tu. Em mim.
Olha-me. Estou em todos os planos. Em cada um deles, sou eu. Inteira.
E tu? Em que plano me tens?
Filipe Paixão
(Carlos Lopes)
Porto, Fevereiro de 2017

Krayem Maria Awad - Syrian Artist

16.12.09

Feliz Natal!


Este blog entra em recesso natalino.

Feliz Natal a todos e um próspero ano de 2010. São os votos da Tuca




14.12.09

A árvore de Natal da Represa Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo

A árvore de Natal da Represa Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo, foi inaugurada na noite deste sábado (12). Com 60 metros de altura e 23 metros de largura, a estrutura tem iluminação computadorizada e é coberta por materiais ecologicamente corretos. A árvore tem 15 metros a menos do que a erguida no Parque do Ibirapuera, também na Zona Sul de SP. (Foto: Prefeitura de SP/Divulgação -)

Do G1, em São Paulo - 13.12.09




)

13.12.09

3º Domingo do Advento

http://menarazzi.blogspot.com/

Com alegria!







12.12.09

Como preservar uma escultura num lago?








Como preservar uma escultura num lago?

Por RANDY KENNEDY

Em 1972, um ano antes de morrer, o artista Robert Smithson escreveu: "Sou a favor de uma arte que leve em conta o efeito direto das condições atmosféricas e naturais, conforme existem de um dia ao outro".
E, com a criação de sua obra mais grandiosa -"Spiral Jetty", um enorme arabesco redondo de basalto negro, em forma de espiral em sentido anti-horário, que se projeta dentro do Grande Lago Salgado, na zona rural do Utah (EUA)-, ele pôs essa convicção à prova.
A obra foi construída em 1970 e depois passou décadas debaixo da água, à medida que o nível do lago subia. Nos últimos anos, ela reapareceu, em função de estiagens, mas sua aparência mudou de forma marcante: foi embranquecida por cristais de sal e pelo acúmulo de sedimentos.
É possível que Smithson, que era fascinado pelo conceito de entropia, tivesse saudado essa transformação. Mas é menos claro o que ele teria pensado das mudanças provocadas por pessoas que visitam o local isolado e que, em alguns casos, levaram embora algumas das pedras, como suvenir artístico.
Ou que as mudaram de lugar para construir seus próprios píeres espiralados em miniatura nas redondezas. Ou ainda, em um caso, as usaram para escrever o nome do que sem dúvida estavam bebendo no momento -"CERVEJA"- na areia rosada próxima à obra de arte terrestre.
Questões como essas levaram recentemente a Fundação de Arte Dia, dona da obra, a estudar a ideia de documentar o sítio de maneira sistemática, fotografando-o ano a ano para dar a curadores e conservadores uma noção melhor de como ele está mudando, além de uma base melhor para tomar decisões sobre intervenção ou não, algo que é sempre complicado quando se trata de arte terrestre.
"Em meu campo de trabalho, somos treinados a fazer relatórios de condição", disse a conservadora da fundação Dia, Francesca Esmay. Mas, falando da obra de Smithson, composta de mais de 5.000 toneladas de rochas e solo, acrescentou: "A escala da obra é tão grande que não posso simplesmente sair sozinha com máquina fotográfica, lápis e prancheta para descrevê-la".
Por isso, alguns meses atrás, ela procurou a ajuda do Instituto Getty de Conservação, uma divisão da Fundação J. Paul Getty que organiza e auxilia na conservação e no monitoramento de sítios artísticos e históricos espalhados desde a América Central até a África e o Oriente Médio.
Depois de estudar quase todas as maneiras possíveis de documentar "Spiral Jetty" desde o alto, o instituto apresentou uma solução de notável simplicidade: um balão meteorológico de látex, descartável, que custa US$ 50 e pode ser comprado na internet.
Com a ajuda de um pouco de hélio, linha de pesca, uma câmera digital ligeiramente modificada, um suporte e alguns prendedores de plástico (para manter o suporte preso e o pescoço do balão apertado com firmeza), foi improvisada uma máquina flutuante de documentação de arte terrestre.
"Não devo usar a palavra 'barata', então direi que a solução custou pouco", disse Rand Eppich, gerente sênior de projetos do Instituto Getty. Autor da ideia, Eppich fez a viagem de carro de duas horas e meia de Salt Lake City até o local da obra, em maio passado, com uma assistente do instituto, Aurora Tang, e Esmay, para inaugurar o uso prático do sistema.
Quando desenrolaram a linha de pesca amarrada ao balão, este subiu 250 a 500 metros, e os três obtiveram imagens espetaculares e muito úteis da obra.
"Não é preciso ser um conservador especializado para fazer essa parte -é literalmente como lembrar-se de festas de aniversário infantis", disse Esmay. Ela também é responsável pela conservação de sítios como "Lightning Field" (campo de relâmpagos), de Walter De Maria, no Novo México (sul dos EUA), e por obras de artistas como Donald Judd, Dan Flavin e Louise Bourgeois no museu Dia:Beacon, em Beacon, Nova York.
Eppich disse que a meta do Getty é criar um sistema que a fundação Dia possa usar anualmente a um custo baixo e que seja simples o bastante para ser operado pela própria Esmay. "Queremos ajudar as pessoas a fazer algo que seja repetível e sustentável durante a nossa ausência", disse.
Além das ameaças industriais à obra de Smithson, há as ameaças naturais, como os sedimentos que começaram a acumular-se no local, à medida que o nível do lago foi caindo.
Sobre a sedimentação, Esmay comentou: "Em minha opinião, já chegou a tal ponto que destoa da obra. Mas é possível que desapareça em dez anos ou até em um ano apenas. Ou, então, que se agrave. Não há como prever".
Se for o caso de implementar quaisquer planos de conservação, terá início o trabalho realmente complicado: tentar imaginar o que Smithson teria pensado disso. "A natureza não procede em linha reta", ele escreveu. "Antes, é um desenvolvimento que se espalha. A natureza nunca está acabada."

[Fonte: Folha de São Paulo - Caderno The New York Times - 30.11.09]

Carta



À senhora R.
Suíça
15.12.1933



Prezada senhora R.,
Suas perguntas são irrespondíveis, pois a senhora quer saber como se deve viver. A gente vive como pode. Não existe um único caminho determinado para o indivíduo, que lhe fosse prescrito ou adequado. Se quiser, dirija-se à Igreja católica onde lhe dirão isto e aquilo. Mas este caminho corresponde ao que é seguido pela humanidade em geral. Se, no entanto, quiser trilhar seu caminho próprio, então será o caminho que a senhora há de fazer, que não é prescrito para ninguém, que não se conhece de antemão mas que surge simplesmente por si mesmo quando se dá um passo depois do outro. Se fizer sempre aquilo que se apresenta como o passo seguinte, então andará da forma mais certa e segura ao longo das linhas prescritas pelo seu inconsciente. Aí não adianta nada especular sobre o que se deve viver. Sabe-se então também que isto não se pode saber. O importante é fazer silenciosamente a coisa mais próxima e mais necessária. Enquanto se acha que ainda não sabe o que é isto, é sinal que ainda temos muito dinheiro para gastar em especulações inúteis. Mas quando se faz com convicção o mais próximo e o mais necessário, então se faz sempre o que tem sentido de acordo com o destino.

Com os melhores votos e saudações cordiais
(C.G.Jung)
in C. G. Jung - Cartas - 1906-1945
Volume I - pg.148




Touché!


"Vazios, vazios, vazios - nada", dizia uma mulher alemã usando o guarda-chuva para golpear os livros nas prateleiras das bibliotecas.

Barry Stevens - "
Não Apresse o rio (ele corre sozinho)"

Livro precisa ser um vício



100 livros essenciais da literatura brasileira

Dom Casmurro, Macunaíma, O Tempo e o Vento e outras obras fantásticas que você deve ler uma vez na vida


Foto: Oscar Cabral
Livros

Os melhores livros do Brasil


Quais são os 100 livros fundamentais, essenciais, imperdíveis da literatura brasileira? Que romance, poesia, crônica ou conto você não pode deixar de ler na vida? Dom Casmurro, Brás Cubas, Macunaíma, Sargento de Milícias, Grande Sertão Veredas e outras grandes obras do Brasil. A revista Bravo selecionou os 100 melhores livros dos melhores autores do país. Aqueles clássicos que caem no vestibular com 100% de certeza. Um ranking dos livros mais importantes do Brasil. Veja a lista no final do texto ou siga as dicas de 17 educadoras que selecionaram os livros essenciais para ler dos 2 aos 18 anos e chegar a vida adulta com boas referências, no hotsite Biblioteca Básica.

Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.

Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.

É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.

Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.

O resultado é um guia amplo, ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor dos livros de ontem e hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais da literatura brasileira, listados em ordem alfabética de autor. Leia e divirta-se!

Adélia Prado: Bagagem

Aluísio Azevedo: O Cortiço

Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos
Noite na Taverna

Antonio Callado: Quarup

Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda

Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino

Augusto de Campos: Viva Vaia

Augusto dos Anjos: Eu

Autran Dourado: Ópera dos Mortos

Basílio da Gama: O Uruguai

Bernando Élis: O Tronco

Bernando Guimarães: A Escrava Isaura

Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados

Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo
Claro Enigma

Castro Alves: Os Escravos
Espumas Flutuantes

Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
Mar Absoluto

Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H.
Laços de Família

Cruz e Souza: Broquéis

Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba

Dias Gomes: O Pagador de Promessas

Dyonélio Machado: Os Ratos

Erico Verissimo: O Tempo e o Vento

Euclides da Cunha: Os Sertões

Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?

Fernando Sabino: O Encontro Marcado

Ferreira Gullar: Poema Sujo

Gonçalves Dias: I-Juca Pirama

Graça Aranha: Canaã

Graciliano Ramos: Vidas Secas
São Bernardo

Gregório de Matos: Obra Poética

Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas
Sagarana

Haroldo de Campos: Galáxias

Hilda Hilst: A Obscena Senhora D

Ignágio de Loyola Brandão: Zero

João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço

João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina

João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas

João Gilberto Noll: Harmada

João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos

João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro

Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha

Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela
Terras do Sem Fim

Jorge de Lima: Invenção de Orfeu

José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen

José de Alencar: O Guarani
Lucíola

José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto

José Lins do Rego: Fogo Morto

Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma

Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada

Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé

Luiz Vilela: Tremor de Terra

Lygia Fagundes Telles: As Meninas
Seminário dos Ratos

Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Dom Casmurro

Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Bandeira: Libertinagem
Estrela da Manhã

Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre

Mário de Andrade: Macunaíma;
Paulicéia Desvairada

Mário Faustino: o Homem e Sua Hora

Mário Quintana: Nova Antologia Poética

Marques Rebelo: A Estrela Sobe

Menotti Del Picchia: Juca Mulato

Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo

Murilo Mendes: As Metamorfoses

Murilo Rubião: O Ex-Mágico

Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva
A Vida Como Ela É

Olavo Bilac: Poesias

Osman Lins: Avalovara

Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande
Memórias Sentimentais de João Miramar

Otto Lara Resende: O Braço Direito

Padre Antônio Vieira: Sermões

Paulo Leminski: Catatau

Pedro Nava: Baú de Ossos

Plínio Marcos: Navalha de Carne

Rachel de Queiroz: O Quinze

Raduan Nassar: Lavoura Arcaica
Um Copo de Cólera

Raul Pompéia: O Ateneu

Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas

Rubem Fonseca: A Coleira do Cão

Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson

Stanislaw Ponte Preta: Febeapá

Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
Cartas Chilenas

Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética

Visconde de Taunay: Inocência

11.12.09

Home - Yann Arthus-Bertrand

Song : Cat Power - Metal Heart

Preisner - Les Marionettes

LES MARIONETTES by Zbigniew Preisner. Music from the film "The Double Life of Veronique".


ne me quitte pas - Toots Thielemans & Fred Hersch

Toots Thielemans - harmonica Fred Hersch - piano at Lulu White's Mahogany Hall Bourbon Street, New Orleans 1985





"Alice no País das Maravilhas"



ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS
Idade: a partir de 8 anos
Editora: Cosac Naify
Autor: Lewis Carroll
Tradução: Nicolau Sevcenko
Ilustrações: Luiz Zerbini
Páginas: 168


Livro narra aventuras de uma menina em um mundo onde tudo é possível

GABRIELA ALBUQUERQUE
Colaboração para o UOL Crianças


Se você nunca imaginou um mundo em que os animais podem falar normalmente com os humanos, um coelho pode ter os olhos cor de rosa e uma criança pode mudar de tamanho em questão de instantes é porque não conhece as aventuras de "Alice no País das Maravilhas", que tem tudo isso e muito mais em suas páginas.

A história de Alice nasceu em 1862 --e, portanto, há muitos e muitos anos --quando um escritor inglês chamado Charles Lutwidge Dogson passeava de barco com suas três filhas, uma delas chamada Alice. Naquela época, ele já sabia como entreter as crianças, mas o que ele ainda não tinha ideia era de que a história que ele havia criado despretensiosamente naquele dia se transformaria em um livro e seria conhecida por crianças de todo o mundo.

Na história, enquanto a personagem Alice descansava em um jardim com a irmã, ela vê um coelho de olhos cor-de-rosa passar por elas muito apressado e resolve segui-lo. Ao entrar em uma toca atrás dele, ela acaba caindo em um buraco de muitos metros e entra em um mundo cheio de coisas inimagináveis, onde tudo é possível e não se pode prever os acontecimentos.

Por lá, ela encontra personagens muito estranhos como uma rainha que sempre ordena que seus criados cortem a cabeça das criaturas --mas nunca isso acontece--, e um bebê se transforma em porco de repente.

O livro também conta que foi a menina Alice, filha do escritor, que pediu ao pai que transformasse a historinha fantástica em um livro. E assim foi feito. Ele colocou todas as fantasias no papel, criou uma edição única, e presenteou a menina no Natal.

"Alice no País das Maravilhas" é, sem dúvida, um grande clássico da literatura infantil, que também foi para as telas do cinema. Por muitos anos também tem encantado os adultos que se interessam por histórias de sonhos e que, assim como as crianças, ainda tem a capacidade de sonhar.



10.12.09

Alguém

autumn_valentine_ Belarus - Kristina Iolob



"E quando finalmente você encontra alguém a quem sente poder derramar sua alma, você pára, em choque, sem palavras - estão tão enferrujadas, tão feias, tão sem sentido e frágeis, por terem sido guardadas no escuro, pequenas, sufocadas dentro de você por tanto tempo".
Sylvia Plath




Cemitério Adalgisa





Cemitério Adalgisa
Adalgisa Nery


Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva,
Ilhas, esqueletos de animais,
Nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.
Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu,
Podridão, germinação,
Destruição e criação.


"Poemas" (1937)


Intimidades


INTIMIDADES




Há algumas pessoas que se destacam para nós na multidão. E não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e também meio atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a exata medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. Os gestos de que somos capazes para ajudá-las a despertar um sorriso grande. E somente sentir nos bastaria se ainda não estivéssemos tão apegados à necessidade de classificar todas as coisas. De confiná-las entre as paredes das explicações.

Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Seja lá em que momento for, parece que estão na nossa vida desde sempre e que, de alguma forma, mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão bonito compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não estavam ao nosso lado. É até possível que tenhamos sentido saudade antes de (re)encontrá-las, pois estão tão confortáveis em nosso coração que a sua ausência, de alguma forma, deve ter se mostrado presente. E o que sentimos por elas vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.

Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, a luta é nossa também. E não há interesse algum que nos mova em direção a elas, senão a própria fluência do sentimento. Sabemos quem são e elas sabem quem somos e ficamos muito à vontade por não haver enganos nem ilusões entre nós. Ao menos, não muitos. Somos aceitos, queridos, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. E é com esses encontros que a gente se exercita mais gostoso no longo aprendizado do amor.




Ana Cláudia Saldanha Jácomo

Universo

arken - Hans Laubel


Universo
Adelaide Lessa



Num dia de luz
mais forte que os outros,
inventou o poeta
a palavra mais clara.
E pôs-se a cantar,
afluente de tudo,
que tudo faz parte
de um único Verso!


9.12.09

Las hay, muchas.






Las hay, muchas. 

Nasceu velha, por falta de dilatação ficou presa à mãe, 
ao ser liberta herdou uma coroa negra, de sangue pisado, na testa. 
Carregou-a imaginária por contos de terror.
Nem princesa, nem rainha jamais se imaginou.
Foi bruxa, varria o dia todo sapos pra debaixo do tapete.
Caldeirão no fogo, filhos pra criar.
Mas a vida ñ foi pro brejo, à beira do abismo, ardeu em seus próprios desejos e voou pra terra do sempre.

c.p.

(Carmen Picos)
Disse-lhe que o amor era um sentimento
Contra a natureza, que danava dois estranhos
A uma dependência mesquinha e insalubre,
Tanto mais efêmera, quanto mais intensa.
Gabriel Garcia Marquez.






Gli dissi che l'amore era un sentimento 
contro natura, che dannava due sconosciuti
a una dipendenza meschina e insalubre,
tanto più effimera, quanto più intensa.
Gabriel Garcia Marquez.

Tenham um bom dia:)

A.D.






Iluminação de Natal na ponte estaiada é inaugurada

(Foto: Claudia Silveira/G1)





04/12/09

Luzes formam um pinheiro gigante em um dos cartões postais de SP.
A iluminação será ligada até o dia 6 de janeiro de 2010.




Agora é para valer. Depois do teste realizado nesta quinta-feira (3), a ponte Octavio Frias de Oliveira, mais conhecida como ponte Eetaiada, teve sua iluminação de Natal inaugurada na noite desta sexta (4). Localizada no Brooklin, Zona Sul de São Paulo, a passagem já virou um dos cartões postais da cidade. As microlâmpadas instaladas por alpinistas ao longo da semana formam um pinheiro gigante com mais de cem metros de altura e 70 metros de largura. A iluminação será ligada sempre das 20h às 5h até o dia 6 de janeiro de 2010. (Foto: Carolina Iskandarian/ G1)

Kusho – a arte de escrever no céu










Kusho é uma palavra japonesa que significa literalmente "escrever no céu". Melhor: enquanto que ku quer dizer céu, a palavra sho designa tanto caligrafia, como escrita e manuscrito. O significado final da palavra fica a cargo da interpretação de cada leitor. No entanto, kusho é também o nome da nova série de fotografias do japonês Shinini Maruyama a que o autor atribui uma forte carga filosófica. Ler o artigo completo.




Matéria enviada por Diana Guerra - Obvious

8.12.09


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" O pessimista se queixa do vento,
o otimista espera que ele mude 
e o realista ajusta as velas".

Wilian George Ward



Arquilau Moreira Romão

Terminal Rodoviário do Tietê, São Paulo





Muitas vezes, as pessoas vêem a placa "Informações" e acham que podem perguntar qualquer coisa, sei lá, a raiz quadrada de 32, o sentido da vida. "Onde é que eu posso comprar um teco de pimenta?", um homem perguntou para Silvana, atendente do local. "Eles pensam que a gente tem resposta para tudo." Como um dia em que chegou uma velhinha calma, perguntando:
-Moça, onde é que eu faço inscrição para ir pro Iraque?
-...Desculpe?
-Pro Iraque. eu quero ir pra guerra, buscar o meu filho.
-Ahn...senhora, nós não oferecemos esse tipo de serviço.
E a mulher foi embora, bastante brava com a incompetência das atendentes. Ora, que disparate. Como, não sabe responder a pergunta?
I-F-O-R-M-A-Ç-Õ-E-S - é o que está escrito na placa.

Vanessa Barbara
trecho do livro "O Livro amarelo do Terminal"

Gatinho surpreso

7.12.09

Realismo insuportável

Lú Pires (Foto: Gil Konell)


"Li Ssu-hsûn (652-720 d.C) pintou os paraventos do palácio do imperador com cenas representando montanhas e cascatas. Um dia, o imperador se queixa ao pintor: "as cascatas que você pintou fazem muito barulho e não me deixam dormir, por favor, faça alguma coisa"."



Estranheza





"Quem um dia não se sentiu invadir por uma sensação de estranheza diante das coisas mais banais?"
André Parente

Um Papai Noel corajoso


Papai Noel é rodeado por tubarões, tartarugas, arraias e centenas de outros animais marinhos no Aquário de Melbourne, na Austrália. Para entreter as crianças, o mergulhador só entra no aquário após um longo período de alimentação dos predatores que podem atacá-lo William West/AFP

Kant

tl - Romenia - TrekLens




Kant (relido)

Duas coisas admiro: a dura lei
cobrindo-me
e o estrelado céu
dentro de mim.

Orides Fontela

Iniciação

Servia - Jozef Kozan




INICIAÇÃO

Se vens a uma terra estranha
curva-te

se este lugar é esquisito
curva-te



se o dia é todo estranheza
submete-te



— és infinitamente mais estranho.



Orides Fontela


Amedeo Modigliani

Itzchak Tarkay

Franceses adotam estátuas para preservá-las

O Palácio de Versalhes colocou estátuas de mármore e bancos de praça para adoção de qualquer um disposto a pagar por sua restauração e preservação, em troca de uma placa decorativa com seu nome.


Árvore de Natal do Ibirapuera - cidade de São Paulo



Árvore de Natal do Ibirapuera foi inaugurada nesta noite de domingo. Com 75 metros de altura (equivalente a um prédio de 25 andares), 35 metros de diâmetro e 240 toneladas, a árvore desse ano é a maior já construída no parque paulistano. Na decoração foram usadas um milhão de microlâmpadas, 10 mil metros de mangueiras de luzes brancas e vermelhas, 50 mil metros de festões ecológicos verdes e dourados, 15 bolas com estrelas, duas bolas com estrelas duplas, 15 guirlandas, 12 papais noéis e 60 estrelas confeccionadas com garrafas Mais


Fonte: Uol