31.3.10

Livro expõe cadernos de rascunho inéditos de Agatha Christie

Agatha Christie



Torquay (Reino Unido), 27 mar (EFE).- "O Caso dos Dez Negrinhos" e a "Morte na Praia", dois dos romances mais famosos de Agatha Christie (1890-1976), poderiam ter um final diferente, como mostra um livro que analisa os 73 cadernos de rascunho da autora.


A complexa simplicidade dos romances de Christie é revelada através das dezenas de cadernos que a autora encheu com suas anotações, objeto de estudo do irlandês John Curran em "Agatha Christie's Secret Notebooks" ("Os cadernos secretos de Agatha Christie", em tradução livre), ainda não publicado em português.

Curran, especialista na obra de Agatha Christie, a escritora que mais vendeu livros no mundo - 2 bilhões de exemplares em 45 idiomas, segundo seu site oficial -, passou quatro anos analisando os rascunhos.

"Eu sabia da existência dos cadernos, mas nunca, nem em meus melhores sonhos, cheguei a pensar que acabaria lendo eles um dia e publicando um livro sobre eles", explicou Curran à Agência Efe em Torquay, cidade natal da escritora. Foi ali perto, na residência de verão dos Christie, que o especialista estudou os 73 cadernos conservados.

As anotações são "completamente caóticas". Às vezes a autora começava tratando de um livro e saltava para outro algumas páginas depois. E em alguns casos, ela retomava ideias inacabadas dez anos depois.

"No meio dos rascunhos, havia, por exemplo, listas de presentes", explica Curran. Segundo ele Christie era caótica e trabalhava ao mesmo tempo em várias histórias, o que lhe permitiu escrever 80 livros entre romances e relatos e uma dúzia de peças de teatro.

Com exceção de seis livros, todos os romances da escritora são abordados nos cadernos. O trabalho de Curran nos permite saber, por exemplo, que em "O Caso dos Dez Negrinhos" - o livro policial mais vendido de todos os tempos - a autora pensou, a princípio, em contar com oito personagens, depois 12 e finalmente os dez da história original.

E, segundo as anotações de Christie, qualquer um deles pode ser o assassino. No caso de "Os Cinco Porquinhos", desde o início a autora teve claro quem seriam os personagens, mas não quem seria a vítima ou o assassino. Já para "Morte na Praia" ela pensou em diversas alternativas para quem eram os assassinos e suas motivações.

O trabalho de Curran traz à tona uma série de detalhes que nos permitem conhecer a fundo o trabalho preparatório de uma escritora de tão grande destaque como Christie.

"A maioria dos leitores acham que ela começava a escrever os livros do começo ao fim e que em um mês já tinha uma romance pronto. Mas meu livro mostra a quantidade de trabalho que há por trás dessas histórias", explica Curran.

Christie "tinha ideias, mudava de opinião, voltava do final ao início, colocava um personagem como assassino e depois colocava outro. E às vezes parava tudo isso e começava de novo com uma ideia anterior, levando em conta cada possibilidade da trama".

Com este livro, o especialista acredita que os fãs de Christie terão uma ideia melhor de como ela realizou suas obras e de como elas são complexas.

"Muitos de seus livros foram construídos sobre premissas muito singelas. Alguém é assassinado, vítimas em ordem alfabética, alguém isola um grupo de pessoas em uma ilha e mata um por um".

Mas, segundo ele, "o fato de que pareçam tão simples para o leitor demonstra que há muito trabalho em sua criação". É a arte de uma autora que para Curran é "a melhor escritora de livros de detetives", um gênero que se caracteriza por um tipo de história na qual o leitor consegue as chaves para resolver o mistério.

"Ninguém nunca fez isso tão bem como Agatha Christie. Não considero que ela seja uma grande romancista de crimes, mas foi a melhor escritora de histórias de detetives da história".


Junto aos milhares de detalhes que encantarão os mais fanáticos, estão dois contos inéditos com Poirot como protagonista.

"A Captura de Cérbero" deveria ter sido publicado em 1947 dentro da série de contos conhecida como "Os trabalhos de Hércules", mas foi desprezado pela revista "The Strand". Segundo Curran, a revista o rejeitou provavelmente por tecer um retrato curioso de Adolph Hitler refletido em um personagem chamado Hertzlein.

É um relato que aborda uma transformação pacífica do ditador, muito diferente do segundo conto, "O Caso da Bola do Cão", um exemplo mais clássico do estilo de Christie, descoberto apenas em 2004.

Zorba, o grego

O MODO POÉTICO




Chorando, chorando, sairão espalhando as sementes.
Cantando, cantando, voltarão trazendo os seus feixes.

Escrito nos Salmos



É triste explicar um poema. É inútil também. Um poema não se explica. É como um soco. E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida. Um soco certamente te acorda e, se for em cheio, faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante, empolada máscara que tentamos manter para atrair ou assustar. Se pelo menos um amante da poesia foi atingido e levantou de cara limpa depois de ler minhas esbraseadas evidências líricas, escreva, apenas isso: fui atingido. E aí sim vou beber, porque há de ser festa aquilo que na Terra me pareceu exílio: o ofício de poeta.
— Hilda Hilst

The Clash por Fred kleinberg

A CASA


Confesso:
Quando a olhei
eu apenas queria, 
em sua boca,
a água onde começa a vida.
E fui num murmúrio:
preciso do teu fogo
para não morrer.
Ela, então,
sussurrou o convite:
vem a minha casa.
No caminho,
porém,
recusou meu braço,
esfriou o meu alento.
E corrigiu-me assim o intento:
não te quero corpo,
nem quero o fogo do leito,
nem o frio do adeus.
Suave murmurou:
levo-te,
homem,
a minha casa
para aprenderes a ser mulher.
Que nenhum outro fim
a casa tem.
Mia Couto
No livro “Vagas e Lumes”, da Editorial Caminho.

Piet Van Den Boog
Se Eva tivesse escrito o Gênesis, como seria a primeira noite de amor do gênero humano?
Eva teria começado por esclarecer que ela não nasceu de nenhuma costela, nem conheceu nenhuma cobra, nem ofereceu maçãs a ninguém, e que Deus nunca lhe disse que ter com dor e seu marido te dominará. Que todas essas são puras mentiras que Adão disse à imprensa.
***
Se as santas apóstolas tivessem escrito os evangelhos, como seria a primeira noite da era cristã?
São José, contariam as apóstolas, estava de mau humor. Ele era o único que tinha cara naquela manjedoura onde o menino Jesus, recém nascido, resplandecia em seu berço de palha. Todos sorriam: A Virgem Maria, os anjos, os pastores, ovelhas, o boi, o burro, os magos vindos do oriente e a estrela que os levou até Belém da Judéia.
Todos sorriam, menos um.
São José, sombrio, murmurou:
- eu queria uma boneca.
Eduardo Galeano


Si Eva hubiera escrito el Génesis, ¿cómo sería la primera noche de amor del género humano?
Eva hubiera empezado por aclarar que ella no nació de ninguna costilla, ni conoció a ninguna serpiente, ni ofreció manzanas a nadie, y que Dios nunca le dijo que parirás con dolor y tu marido te dominará. Que todas esas son puras mentiras que Adán contó a la prensa.
***
Si las Santas Apóstolas hubieran escrito los Evangelios, ¿cómo sería la primera noche de la era cristiana?
San José, contarían las Apóstolas, estaba de mal humor. Él era el único que tenía cara larga en aquel pesebre donde el niño Jesús, recién nacido, resplandecía en su cuna de paja. Todos sonreían: la Virgen María, los angelitos, los pastores, las ovejas, el buey, el asno, los magos venidos del Oriente y la estrella que los había conducido hasta Belén de Judea.
Todos sonreían, menos uno.
San José, sombrío, murmuró:
-Yo quería una nena.

Eduardo Galeano

Moki mioke
Talvez o amor só me seja perceptível quando sinto o desejo de partilhar as tuas dores e tornar aprazível cada instante da tua vida. Talvez amar seja ajudar o outro a levar a sua cruz, até concluir a sua vida, repartindo as suas dores, ao longo da jornada. Preocupas-te comigo como eu me preocupo contigo? O que reserva o futuro a um silêncio ainda sem palavras, mas que pode gerar todos os poemas do mundo?
Gonçalo B. de Sousa
04-03-2017
Ohara (1877-1947)

"Be cool"

30.3.10





Fotografia de Joseph Eid.
(Mohammad Anis Mohiedine, 70 anos, 
ouvindo música em sua casa destruída por bombardeios.
Aleppo - Síria.)

fevereiro 2017

Quase decálogo do amor

Magdalena Wanli





Quase decálogo do amor
Suzana Vargas



O amor é vermelho e tem medo de perder.

e se preocupa com cartas não respondidas
com o silêncio do telefone,
e a falta da palavra meuamor
O amor é feito de ausências e dependências

de encontros desmarcados e acertos
de memória e corpo


Se está longe, o amor deseja estar perto

se está perto, não sabe o que fazer com as mãos
nem com as palavras
Em geral, o amor perde tempo na repetição de tudo:
do verbo ao toque
E porque sabe que é feito de finais
o amor nunca começa
ou se perde no momento em que inicia

O amor vicia.




Fonte
http://www.germinaliteratura.com.br/index1.htm

Dia Nacional do Gratite (27/03)







Murais do Studio Kobra na avenida 23 de Maio com o viaduto Tutoia, São Paulo, SP (25/03/2010) Mais Rodrigo Paiva/UOL



29.3.10

Adelson do Prado

Madona das Flores
Arte Brasileira






O Ponto Acomodador


O Ponto Acomodador
Paulo Coelho


Em um dos meus livros (O Zahir), procuro entender por que razão as pessoas têm tanto medo de mudar. Quando estava em pleno processo de escrita do texto, caiu nas minhas mãos uma estranha entrevista, de uma mulher que acaba de lançar um livro sobre – imagine o quê? – amor.
O jornalista pergunta se a única maneira do ser humano atingir a felicidade é encontrando a pessoa amada. A mulher diz que não:
“O amor muda, e ninguém entende isso. A idéia de que o amor leva à felicidade é uma invenção moderna, do final do século XVII. A partir daí, a gente aprende a acreditar que o amor deve durar para sempre e que o casamento é o melhor lugar para exercê-lo. No passado não havia tanto otimismo quanto à longevidade da paixão”.
“Romeu e Julieta não é uma história feliz, é uma tragédia. Nas últimas décadas, a expectativa quanto ao casamento como o caminho para a realização pessoal cresceu muito. A decepção e a insatisfação cresceram junto.”
Segundo as práticas mágicas dos feiticeiros no norte do México, existe sempre um evento em nossas vidas que é responsável pelo fato de termos parado de progredir. Um trauma, uma derrota especialmente amarga, uma desilusão amorosa, até mesmo uma vitória que não entendemos direito, termina fazendo com que nos acovardemos, e não sigamos adiante. O feiticeiro, no processo de crescimento de sua conexão com os poderes ocultos, precisa primeiro livrar-se deste “ponto acomodador”, e para isso tem que rever sua vida, e descobrir onde está.
Quando era pequeno, sempre brigava, e sempre batia nos outros, porque era o mais velho da turma. Um dia levei uma surra do meu primo, fiquei convencido que a partir daí nunca mais ia conseguir ganhar qualquer briga, e passei a evitar qualquer confronto físico, embora muitas vezes tenha passado por covarde, deixando-me humilhar diante de namoradas e amigos. Até que um dia, aos 22 anos, terminei entrando sem querer em uma briga numa boate do Rio de Janeiro. Levei uma surra, mas o “ponto acomodador” foi embora. Hoje não brigo porque é uma péssima maneira de expressar-me, e não por covardia.
Tentei durante dois anos aprender a tocar violão: progredi muito no começo, até que chegou um ponto onde não consegui avançar mais – porque descobri que outros aprendiam mais rápido que eu, me senti medíocre, resolvi não passar vergonha, e decidi que aquilo não me interessava mais. O mesmo aconteceu com jogo de sinuca, futebol, corrida de bicicleta: aprendia o bastante para fazer tudo razoavelmente, mas chegava um momento em que não conseguia seguir adiante.
Por quê?
Porque, diz a história que nos foi contada, em um determinando momento de nossas vidas “chegamos ao nosso limite”. Não devemos mais mudar. Não conseguimos mais crescer. Tanto a profissão como o amor atingiram seu ponto ideal, e é melhor deixar tudo como está. Verdade? A verdade é a seguinte: sempre podemos ir mais longe. Amar mais, viver mais, arriscar mais.
Nunca a imobilidade é a melhor solução. Porque tudo à nossa volta muda (inclusive o amor) e precisamos acompanhar este ritmo.
Estou casado a 28 anos com a mesma pessoa, mas mudei de “mulher” (e ela mudou de “marido”) várias vezes durante nossa relação. Se quiséssemos continuar como éramos em 1979, não creio que tivéssemos chegado tão longe.


Assim, tempo.



Assim, tempo.

Caminho.
Quase todos os dias conto calçadas, casas e jardins. Mania antiga essa de contar coisas. Não saio nem com hora certa, nem com caminho marcado, mas ando para esquecer, para lembrar e guardar.
E nas andanças encontrei rubro sol vespertino numa praça largada pelo mato e esquecida das flores, silente.
Vou lá levar meu tricô passear. Às vezes o crochê também. Também os cães me acompanham. Gostam, bem sei.
Estes têm sido dias, sim, dias. Melancólicos, mesmo que eu não os soubesse assim.
Meus olhos não viram, os sentidos sim.
Hoje pela praça passou um antigo encantamento. Não tenho outras palavras. Este homem aconteceu. Sorri para o que vi. Troquei pontos da agulha, contente pelos poros, coração latejando em todos os bancos do jardim. Aqueci o momento, alegrei.
A lembrança me procurava. E ele... ele... ele passou. Olhou para trás como quem deixa tudo pesado e continuou andando. Não lembrou-se de mim, não me via mais. Ficamos eu e as agulhas olhando seu vácuo. Elas caídas, eu em tralhas, enredada em teias antigas, abstratas.
Entre quatro meias e cinco tricôs teci aquela malha de tempo.
E o presente vazou, voltou e os antigos amores ficaram antigos, somente.
Cruzei as agulhas e restei-me silenciosa.
Respirei meu silêncioso porvir.
Nada a explicar, nada. Nada a entender. Nada somente, nada
E voltei. Voltamos. Agulhas, cachorros e eu à procura da antiga apaixonada, que ainda sorria ao vulto passeante, no banco da praça.

Maria Odila



EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA




Dylan Thomas - (1914 - 1953)
Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

Jantar da velha senhora inglesa




Jantar da velha senhora inglesa

Trata-se de humor inglês, dos melhores.

Assista ao vídeo mas antes, leia o texto logo abaixo.....muito bom!


Uma velha senhora inglesa quer comemorar seu 90 º aniversário com os amigos de sempre, Sir Toby, o Almirante von Schneider, Mr.Pommeroy e Mr. Winterbottom.

Mas eles estão todos mortos. Seu mordomo, então, representa os papéis dessas pessoas. Por isso, ele vai beber muito.
Esta sátira se tornou muito famosa na Alemanha desde a sua primeira difusão. Nunca foi lançada nos Estados Unidos e foi banida, por anos, na Suécia por causa do abuso de álcool.
Também é bem conhecida na Áustria, Dinamarca e Noruega.
A cada ano, véspera do Dia de Ano Novo, é transmitida na televisão em vários canais da Alemanha!

A frase "O mesmo procedimento como todos os anos, James!" (The same procedure as every year, James!) tornou-se cult
.



dinner for one, vostfr, très drôle !!

27.3.10

Anita Malfatti

Constatação

Koscs Gábor


Constatação
Anibal Beça



Chega um tempo em que as nuvens não te reconhecem.
Não digas nada.
Longe não deslindas um som que te freqüentava.
Não aguces os ouvidos.
Na gruta passam por ti como se te não vissem
Não esfregues os olhos.
Caminhas pela campina e teus pés nada sentem.
Não troques de passo.
A palavra não é mais dita, apenas lida por outrem.
Não fales nada.


No universo transverso desse tempo
Na contramão de versos claudicantes
Ainda restam as mãos para o incêndio das horas.

Ouro sob água

Aldemir Martins - Paisagem
Arte brasileira



Ouro sob água
Suzana Vargas



Só me lembro que atrás de nós havia um morro,

a mata
No centro, a música, o violão.
Fazia frio e nuvens
se aqueciam pelo som.


Havia, entre outros,

uma água
um menino cortando cabelo na beira da casa
as tangerinas no pé.


Do grupo, um homem

me perguntava
sobre a melhor forma
de começar um banho
sem reparar no profundo da questão.


— Entro devagar

ou de uma vez por todas? perguntou.


— Por todas, respondi

Não há céu ou inferno
que comece devagar.

Lamartine Babo

Lamartine Babo


Lamartine de Azeredo Babo - o Lalá - nasceu no Rio de Janeiro em 08 de Março de 1904. Foi o mais versátil de todos os compositores do começo do século. Começou a compor aos 14 anos - uma valsa. Quando foi para o Colégio São Bento dedicou-se à músicas religiosas - depois foi a vez das operetas.

Mas ficou acabou ficando conhecido como o Rei do Carnaval, vencendo, por anos consecutivos, com suas marchinhas divertidas - cantadas até hoje, como O Teu Cabelo Não Nega, Grau 10, Linda Morena, e A Marchinha do Grande Galo. Fez também a maioria dos hinos dos grandes times brasileiros - sendo o primeiríssimo em seu coração o América.

Lalá era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada. Em uma entrevista afirmou "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". Numa outra, o entrevistador pergunta qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacila: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." - valeu-lhe o título de O Pior Trocadilho de 1941. E aconteceu também o caso dos correios: Lalá foi enviar um telegrama. O telegrafista bateu então o lápis na mesa em morse para seu colega: "Magro, feio e de voz fina". Lalá tirou o seu lápis e bateu: "Magro, feio, de voz fina e ex-telegrafista"

Certa vez, recebeu de Boa Esperança, MG, uma carta apaixonada de uma certa Nair Pimenta de Oliveira, pedindo fortografias para um álbum de recordações. Lalá mandou as fotos e se correspondeu por um ano com a fã apaixonada, até que esta interrompeu as cartas porque ia se casar. Convidado, tempos depois, para ir à Boa Esperança por um dentista, Lalá se apressa para conhecer Nair - surpresa, não existia nenhuma Nair, quem lhe escrevia era o próprio dentista, que colecionava fotos de celebridades, e viu essa forma como a única de conseguir o queria. Lamartine, então compôs uma de suas mais belas canções "Serra da Boa Esperança".

Não perdeu o humor nem no final da vida. Em 63, um repórter que fora ao Copacabana para entrevistar Carlos Machado, aproveitou que Lamartine estava lá para também fazer uma entrevista. Lalá perguntou se a reportagem sairia naquele dia, e o repórter disse que não, naquele dia seria exibida uma entrevista com Tom Jobim, que chegara dos Estados Unidos. Lalá: "Ah! Quer dizer que agora estou um tom abaixo?". Faleceu em 16 de Junho do mesmo ano, no Rio de Janeiro.

http://www.mpbnet.com.br/musicos/lamartine.babo/index.html





Michel Comte, fotógrafo de famosos

Charlotte Rampling


Gisele Bündchen


Foto de Michel Comte


Veruschka


Robert Downey Jr


Jamie Rishar


Sting


Helena Christensen


Sylvester Stallone


Daryl Hannah


Robbie Williams


TATJANA AND ZEBRA BEAUTY AND BEAST


Mike Tyson


Penepole Cruz


Carla Bruni


Jeremy Irons

Fotógrafo suíço é conhecido por mostrar facetas desconhecidas de celebridades.
26 de março de 2010
UOL



Foi inaugurada nesta semana, em Viena, uma mostra com 38 trabalhos do fotógrafo suíço Michel Comte, conhecido por revelar facetas inusitadas de celebridades.


A retrospectiva The World of Michel Comte ("O mundo de Michel Comte") traz imagens de gente famosa em poses atípicas e eróticas, produzidas desde 1979. Todas estarão à venda.

A obra mais cara é uma versão do famoso retrato em preto-e-branco da ex-modelo Carla Bruni nua, que custa 60 mil euros.

O mesmo instantâneo da atual primeira-dama francesa, produzido em 1993 para uma campanha anti-Aids, ficou conhecido mundialmente ao ser arrematado há dois anos por US$ 91 mil em um leilão da Christie's de Nova York, semanas depois de Bruni ter se casado com o presidente Nicolas Sarkozy.

Entre os trabalhos exibidos, também estão retratos ousados das brasileiras Gisele Bündchen, de 1999, e Sônia Braga, de 1991, à venda por até 9 mil euros, cada um.

Hotel Ritz

Nascido em Zurique em 1954, Comte começou sua carreira há 30 anos, após ser descoberto pelo estilista alemão Karl Lagerfeld. Auto-didata, realizou campanhas para marcas internacionais, como Armani e Dolce & Gabbana, trabalhando também para revistas importantes, como Vogue e Vanity Fair.

Um dos destaques da exposição, uma foto da atriz britânica Charlotte Rampling, foi tirado para a edição brasileira da Vogue, assim como a foto de Sônia Braga.

Desde o começo de sua carreira, Comte se concentrou em um tema especial: a mulher. Suas fotografias as mostram em facetas diversas, glamourosas, íntimas, sensuais e alegres.

Desde 1990, Comte produz seus retratos com celebridades preferencialmente em sessões privadas na suíte 152 do Hotel Ritz de Paris. Frequentemente, ele mostra seus protagonistas fora de seu ambiente habitual, dando um toque inusitado a seus personagens.

Assim, ele revela um lado delicado do musculoso Sylvester Stallone, clicando o ator com pétalas de rosa nos olhos, enquanto o cantor Robbie Williams posa seminu para sua câmera, com a calça jeans aberta e a mão dentro da cueca.

Muitos dos famosos se tornaram amigos pessoais do fotógrafo, como a atriz Sophia Loren, o cantor Sting e o piloto alemão Michael Schumacher. Eles posam regularmente para as lentes de Michel Comte.

A mostra está em cartaz até dia 10 de maio na galeria photographerslimitededitions.com. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

26.3.10


"Seja suave. Não deixe o mundo tornar você insensível.
Não deixe o sofrimento fazer você odiar.
Não deixe a amargura roubar a sua doçura.
Mesmo que o resto do mundo possa discordar de você, orgulhe-se em acreditar que este ainda é um lugar bonito."

 Kurt Vonnegut

Gustav Klimt , Farm Garden with Sunflowers, 1907

Escolha seu melhor silêncio


Vista-se
A casa está fria e as pedras,
você sabe, não respiram há muito.
Estão deitadas ao solo inerte do
que fomos e assim permanecerão.
Escolha seu melhor silêncio
e sua meia azul já costurada
a outros silêncios,
já acostumada a outros silêncios.
Apague a luz
Dê-me suas mãos
A noite é longa.

Lázara Papandrea.


Georgia O'Keeffe, Oriental Poppies (1928)





Coincidência é quando Deus pisca um olho. 

( Ouvido por aí)




"limiar da íris"



 (inédito), by ZIUL SERIP

1.
lavo teu rosto preservado em frente ao espelho
e o que vejo são rugas florescendo

2.
examino o tronco da árvore exposta
como um osso que se quebra ao ser tocado

3.
espalho os olhos dobrando as sombras hesitantes

4.
há muito tempo que o hálito noturno
finge ser um pingente de hortelã

sorver cada pedaço de cristal ao anoitecer
depois comê-los e pendurá-los na mesma árvore


Luiz Gustavo Pires


Francien van Dam

TRAVESSEIRO COM DOIS DEDOS DE ALTURA


José Lira

Como os ascetas que feriam os pés para mostrar a inutilidade das coisas úteis eu vou dentro da noite até que enfim não chego: e os pés me doem: a cabeça dói: e estou de novo em minha cama estreita: o colchão duro: o lençol velho: o travesseiro com dois dedos de altura

Um grilo canta:
Esta noite tornou-se
Interminável
Lira, José. A paisagem lá fora Viagens haicaísticas. Recife: Crossing Borders, 2015, p. 13.

Crônica em Campo Grande


("Se não se passou pela obrigação absoluta de obedecer ao desejo do corpo, isto é, se não se passou pela paixão, nada se pode fazer na vida." Marguerite Duras)

O calor de Campo Grande refaz o corpo, a pele se transforma e anuncia um recrudescimento de sabores, este céu deixa a alma azul, luz assim só lá longe onde os meus desejos se configuraram e as raízes cintilam dentro do coração. Li Marguerite Duras muito, muito jovem e voltei a ler muito, muito menos jovem, as paixões permanecem, o arrepiar continua a habitar os sonhos, me revi numa adolescência complicada de mudanças velozes. A minha infância foi docemente feliz, tranquila e voadora, ah a adolescência foi efervescente, devastadora, apaixonante, devoradora, e o corpo reviu os dias em rodopio voraz. Mudança de continente, nada entendia, mudança de fuso horário e apenas sei que obedeço a alguns desejos do corpo e da alma, como desenhar, desenhar, desenhar, a desenhar crio um código de sensualidade com o mundo, ser mulher num mundo misógino transforma o fazer artístico em resistência poética...
Constança Lucas, março 2017


Constança Lucas

Lettera



2.
A cama da avó era velha, porque tudo era velho. O colchão era fino, de palha e as costas doíam, mas era um bom refúgio. Deitada dava pra ver o céu. Desde o princípio, as janelas. Os dias eram largos e sonolentos, porque as noites eram de insônia e de terror. Terror noturno, já não tão comum como antigamente, quando as casas eram imensas e assombradas. Carregou pela vida a terrível lembrança daquelas noites: o arrastar de correntes, os passos no corredor, as maçanetas que se mexiam sem ninguém do outro lado. O barulho dos cascos dos cavalos fantasmas na rua de pedra e os pesadelos. Noites que pareciam intermináveis. Não eram. Sempre amanhecia. Então esperava, e quando começava a ouvir o barulho das panelas na cozinha, podia finalmente adormecer. O pássaro que lhe acordaria todas as manhãs, ainda não cantava. Também não ouvira ainda o chamado das águas. O rio tão próximo.
Nydia Bonetti



The Road Goes Ever On & On, Adnan Bubalo

Uma Cidade




Uma cidade pode ser 
apenas um rio, uma torre, uma rua 
com varandas de sal e gerânios 
de espuma. Pode 
ser um cacho 
de uvas numa garrafa, uma bandeira 
azul e branca, um cavalo 
de crinas de algodão, esporas 
de água e flancos 
de granito. 
                      Uma cidade 
pode ser o nome 
dum país, dum cais, um porto, um barco 
de andorinhas e gaivotas 
ancoradas 
na areia. E pode 
ser 
um arco-íris à janela, um manjerico 
de sol, um beijo 
de magnólias 
ao crepúsculo, um balão 
aceso 

numa noite 
de junho. 

Uma cidade pode ser 
um coração, 
um punho. 

Albano Martins, in "Castália e Outros Poemas"


Nabil Anani

Legião Urbana Acústico - Metal Contra As Nuvens


Metal Contra As Nuvens
Legião Urbana


Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz

Viajamos sete léguas

Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais

Eu sou metal

Raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal
Eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal
Sabe-me o sopro do dragão

Reconheço meu pesar

Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha

E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas
E sempre terá

Quase acreditei na tua promessa

E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão (4x)


É a verdade o que assombra

O descaso que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes

O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal: eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão

Não me entrego sem lutar

Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então

Tudo passa

Tudo passará (3x)

E nossa história

Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora, ahh!
Apenas começamos.


http://www.youtube.com/watch?v=nW6qKn6VSco
Conheço quando uma mulher acorda grávida:
O seu sorriso faz uma curva, uma ponte,
Até a luz dos olhos. Certeza,
No entanto, o seu beijo:
Doce de jambo.

Domingos Sávio Barroso

25.3.10

meu coração, quando chega perto,

Mateus Leme - Serra do Elefante - MG - Welinton Oliveira



Ana F.



meu coração, quando chega perto,
sabe que está pulsando um sangue diferente
meu olho para por aqui e não quer ver o resto
tosco que invade o mundo atrevidamente
é como um samba que se move
devagar dentro da gente
é como um rio, como água, como matar a sede:
nada
minha serra
de caroços na cabeça
um formato tão perfeito
um desenho de elefante
minha serra, meu filhote
marca a terra de onde eu vim
me desperta um sentimento tão confuso
um desespero tão contente
proteger esse lugar é a mesma coisa
— nobre e necessária —
que cuidar da mãe doente




Cochicho

Roberto Kusterle




Cochicho
Suzana Vargas

Quando escrevo o
medo

é sempre o mesmo:
chegar atrasada ao que
quero dizer

: E de me dar por inteira
nua
e freira




Inscrição

Magdalena Wanli




Inscrição
Suzana Vargas

Conheço um lugar
e dele procuro as raízes
Melancolicamente, às vezes
com raiva

Cortava minha paisagem
a locomotiva,
os dias de sol,
o inverno tardio,
uma árvore que, de tão alta,
se inclinava até o solo.

Quanto mais cresço
mais dobro

Cícero Dias

Sem Título - 1986
Arte brasileira



La Edad Del Cielo



La Edad Del Cielo
Jorge Drexler
Composição: Jorge Drexler

No somos más
que una gota de luz,
una estrella fugaz,
una chispa, tan sólo,
en la edad del cielo.

No somos lo
que quisiéramos ser,
solo un breve latir
en un silencio antiguo
con la edad del cielo.

Calma,
todo está en calma,
deja que el beso dure,
deja que el tiempo cure,
deja que el alma
tenga la misma edad
que la edad del cielo.

No somos más
que un puñado de mar,
una broma de Dios,
un capricho del Sol
del jardín del cielo.

No damos pie
entre tanto tic tac,
entre tanto Big Bang,
sólo un grano de sal
en el mar del cielo.




https://youtu.be/xtN8t-FhY9A

https://youtu.be/smR6ad6yea8

Eu, meu nome

galaxia_arp147





EU, MEU NOME
Suzana Vargas

Talvez tenha encontrado
a poesia do nome

Sou um cristal,
uma pedra a flutuar no abismo

Ela
é o exato momento
suspenso
antes da queda