22.2.11

Fotógrafo registra as Américas do alto, a bordo de helicóptero

Enseada de Grand-Cul-de-Sac, em St. Barths, no Caribe Mais
Foto de Cássio Vasconcellos




Fotógrafo registra o Brasil do alto, a bordo de helicóptero

Praia de Paripueira, ao norte de Maceió, em Alagoas Mais
Foto de Cássio Vasconcellos




17.2.11

os contos-de-fadas de Jeannette Woitzik

storybook


Uma máquina fotográfica Canon EOS 350D e o programa de edição de imagem Photoshop são as únicas ferramentas mundanas de que a alemã Jeannete Woitzik necessita para compor as imagens de contos-de-fadas, a marca inigualável do seu portfólio. Céus azuis ornamentados com nuvens, cogumelos, livros e corações (muitos corações!) constituem alguns dos elementos que povoam as criações desta alemã, que só há três anos descobriu o mundo da fotografia artística.


Ler o artigo completo

(Copiado do blog Obvious)





Millôr Fernandes e

Johan Thornqvist

15.2.11

"Ter um gato é no fundo um jogo de conquista. Um jogo de verdades sem medidas. De sorrisos velados ou dentes serrados, tudo isso sem alardes. Nada se obriga numa relação verdadeira entre duas pessoas. Na relação com um gato também não". 
Vanelli Doratioto

(Via Obvious)



Akzhana Abdalieva

13.2.11

Dois poemas de Rumi


Tu e Eu


Feliz o momento em que nos sentarmos no palácio,

dois corpos, dois semblantes, uma única alma

- tu e eu.

E ao adentrarmos o jardim, as cores da alameda

e a voz dos pássaros nos farão imortais

- tu e eu.

As estrelas do céu virão contemplar-nos

e nós lhes mostraremos a própria lua

- tu e eu.

Tu e eu, não mais separados, fundidos em êxtase,

felizes e a salvo da fala vulgar

- tu e eu.

As aves celestes de rara plumagem

por inveja perderão o encanto

no lugar em que estaremos a rir

- tu e eu

Eis a maior das maravilhas: que tu e eu,

sentados aqui neste recanto, estejamos agora

um no Iraque, outro em Khorassan

- tu e eu.





Encontro de almas


Vem.

Conversemos através da alma.

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes,

sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos,

sem língua, sem lábios.

Sem abrir a boca,

contemo-nos todos os segredos do mundo,

como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos

que só são capazes de entender

se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.

Já que todos somos um,

falemos deste outro modo.

Como podes dizer à tua mão: “toca”,

se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.


(Poemas Místicos – Divan de Shams de Tabriz, tradução: José Jorge de Carvalho, Attar Editorial).




Grandes são os desertos, e tudo é deserto







Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ter que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.

Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

Álvaro de Campos
4-9-1930




12.2.11

Enquanto a vida acontece




Enquanto a vida acontece








Não havia nada que eu pudesse dizer ao contrário.


Afinal nossa casa era ensolarada, bonita, numa rua boa.

Também tinha uma filha pequena, saudável e toda condição de viver tranqüila.

Ainda bem, pensei enquanto regava o jardim.

Mas, desde que há seis meses meu pai tinha concordado em vir morar comigo eu andava inquieta. Se por um lado me tranqüilizava o fato de tê-lo sob meus olhos. Por outro o fato de ser idoso e ter a saúde precária tornou as noites mais compridas e sombrias.

Com certeza eu estava dormindo pouco. Além de estar amamentando, a todo instante verificava o balão de oxigênio do meu doentinho. E embora ele fosse um doente calmo, dócil até, não podia ficar só. Sempre lúcido, gostava de companhia pra poder contar seus “causos”, entrecortados por longas paradas para recuperar o fôlego.

Fosse por ele ou por Mary, minha filha ainda bebê, meus dias e noites estavam compromissados.

Sorte que Rosa, a moça que trabalhava em casa, esticava sua semana até o sábado à tarde.

Então nossa casa era boa, ensolarada e eu tinha uma filha bem nova e um pai bem velho. O marido saia cedo e voltava à noite.

Não raro meus dias aconteciam com um pouco de leitura, alguma televisão e cuidados.

Muitos cuidados.

De tal modo, que um torpor foi se instalando em mim. Como um medo grande da pouca vida. Ainda maior era o medo de todas as mortes.

Sem que me desse conta vazei e meu pai notou:

- Filha, estou te achando triste. Por favor, não se preocupe tanto. Estou acostumado a isso. Acho que você precisa sair um pouco. Se distrair. Há meses você anda por entre estas mesmas paredes. Saia, eu fico bem com a Rosa.

E assim ele insistiu, preocupado comigo.

Por acaso naquela semana foi o aniversário da filha de uma amiga, e ela nos convidou pra comer bolo em sua casa à tarde.

Até o último momento não me animei, o social não era mais o meu forte.

Mas por fim...

Sem muita vontade, arrumei minha pequena e com poucos cuidados enfiei um jeans e já fechando as janelas do quarto resolvi trocar a camiseta por uma nova que havia comprado algum tempo antes de meu pai vir para casa. Toda bordada com delicadas sementes. E da qual havia me esquecido completamente.

Incrível como eu andava distraída. Pois minha lembrança era de um bordado pequeno e agora olhando na penumbra do quarto me parecia mais recheado.

Enfim, mochila de criança num dos ombros, filha no braço, me despedi de meu pai e de Rosa. Conforme a dona da casa havia me dito, éramos poucos convidados.

Apenas uma meia dúzia de mães que como eu estava no estágio inicial com suas crianças. Todas bastante cansadas e distraídas do geral.

Mas ficaram felizes em me ver e comentaram da minha camiseta.

- Que coisa diferente?

- Onde você comprou?

Depois de tanto tempo enclausurada, aquelas manifestações, educadas ou sinceras me fizeram muito bem. E assim que Mary adormeceu, fui ao banheiro dar uma ajeitada no cabelo e passar um batom.

Inacreditável foi o que me mostrou o espelho. As sementes da camiseta tinham brotado.

Do espanto ao riso, foi um passo.

Frente ao espelho passei a mão lentamente sobre a maciez dos pequenos brotos.

Mas não senti vontade de dividir isso com ninguém.

De volta à sala, sentei-me à mesa, me servi de pão.

Bem verdade é que andava distante de tudo e perdida em mim mesma.

Então, participei da conversa, prestando atenção ao que se passava ao meu redor. Disfarçadamente de vez em quando acariciava as sementes brotadas. O que senti foi qualquer coisa de extraordinário.

Como se pudesse, ou soubesse que seria possível consertar o que estava se partindo em mim.

Quando mais tarde voltei para casa vinha agitada, feliz, com a nítida sensação de que eu brotaria novamente.



(Crônica escrita por Maria Izabel)





Thomaz Farkas


Amigos, sempre amigos!


Jantar de confraternização

Um grupo de amigos de 60 anos discutia para escolher o restaurante onde iriam jantar. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as empregadas usavam mini-saias e blusas muito decotadas.

10 anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos.


10 anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque lá havia uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador.


10 anos mais tarde, aos 90 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical. Todos acharam que era uma grande idéia porque nunca tinham ido lá.

(Autor desconhecido)



Quino e os tempos modernos

Uma das melhores críticas sobre a transmissão de ensinamentos às crianças, nos tempos atuais .
Quino, autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento:











M. Ward - Chinese Translation




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Eu naveguei a um raivoso, raivoso mar
Subi uma alta, alta montanha
Encontrei um velho, velho homem
Sob um salgueiro-branco
Ele disse "Se você tiver perguntas
Apresente-as para mim
Mas meu tempo aqui é curto
Então você tem que escolher apenas três"

E eu disse:
"O que você faz com os pedaços de um coração partido?
E como um homem como eu faz para permanecer na luz?
E se a vida é realmente tão curta como dizem,
Então por que a noite é tão longa?"
E então o sol se pôs
E ele cantou para mim essa canção:

Veja, eu já fui um jovem tolo como você
Com medo de fazer as coisas
Que eu sabia que tinha que fazer
Então eu escapuli, assim como você
Eu escapuli, assim como você

Eu naveguei um raivoso, raivoso mar
Subi uma alta, alta montanha
Encontrei um velho, velho homem
Sentado sob uma muda de árvore
Ele disse "Se você tiver perguntas
Apresente-as para mim
Mas meu tempo aqui é curto
Então você tem que escolher apenas três"

E eu disse:
"O que você faz com os pedaços de um coração quebrado?
E como um homem como eu pode permanecer na luz?
E se a vida é realmente tão curta como dizem
Então por que a noite é tão longa?"
E então o sol se pôs
E ele tocou para mim essa canção.

1.2.11