30.6.17

Khalid- Would You

ORAÇÃO DO OLHAR AMOROSO

Nicolau de Cusa
“O teu olhar, Senhor, é a tua face.
Por isso, quem te olha com face amorosa
não encontrará senão a tua face
a olhá-lo amorosamente.
E com quanto mais amor se esforçar por te olhar,
tanto mais amor descobrirá na tua face.
Quem te olhar com ira
descobrirá igual expressão na tua face.
Quem te olhar com alegria
descobrirá a tua face também alegre
como o é a daquele que te olha”.
Fonte: “A visão de Deus“. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, p. 150.


Ørnulf Opdahl - Out Skerries

Flores de Emil Nolde

Emil Nolde - Blaue Stiefmütterchen (Blue Pansies), 1908


 Emil Nolde - Flowers 1935-40



Emil Nolde - Flowers 1934


Emil Nolde - Amaryllis, 1930

Chris Johanson

 Perceptions (Perceptions #2), 2007

Dois poemas de Ernesto Cardenal

Estar apaixonado

A alegria de estar apaixonado
como a descreverei?
É não ter já um coração só,
aquela habitação desabitada
agora ocupada por quem a gente ama.
É que quem era um, já são dois.


Aquela noite
Aquela noite na ilha de Vancouver
abri a janelinha do motel
e ao ver as estrelas
quase chorei.
Eram tantas essa noite
e me beijavas em todas elas.
Ernesto Cardenal. Telescopio en la noche oscura. Madrid: Trotta, 1993.



A verdade estaria no meio?
Nada disso. Só na profundidade.

- Arthur Schnitzler


@ Khaled Zed

Mercan Dede - Garip

Irreverências









As Janelas




Aquele que olha de fora através de uma janela aberta não vê nunca
tantas coisas quanto aquele que olha uma janela fechada. Não há objeto
mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais
radiante que uma janela iluminada por uma candeia. O que se pode ver à
luz do sol é sempre menos interessante que o que se passa por detrás
de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a
vida, sofre a vida.
Para além do ondular dos telhados, avisto uma mulher madura, já com
rugas, pobre, sempre debruçada sobre alguma coisa, e que nunca sai.
Com seu rosto, com sua roupa, com seu gesto, com quase nada refiz a
história desta mulher, ou melhor, sua lenda, e por vezes a conto a mim
mesmo chorando.
Tivesse sido um pobre velho homem, teria refeito a sua com igual facilidade.
E me deito, feliz por ter vivido e sofrido em outros que não eu mesmo.
Vocês talvez me digam: “Tem certeza de que esta lenda é verdadeira?”
Que importa o que possa ser a realidade situada fora de mim, se me
ajudou a viver, a sentir que sou e o que sou?

Charles Baudelaire in Pequenos Poemas em Prosa



Andrew Wyeth,Wind From The Sea
Na cidade adormecida, os automóveis, na avenida, fazem um barulho de vagas caindo sobre a areia e eu lembro todas as praias onde vi o sol. Tudo em mim vai ter ao mar, tudo, nesta cidade, vai pelo oceano até aos confins do mundo, mas logo um sem-abrigo busca comida num contentor de lixo e eis um navio fantasma assombrando as turvas águas da memória, pois pimenta alguma paga a fome de um único homem.
Gonçalo B. de Sousa
30-06-2017


Melhor para a ideia se bem abrir é andando em trem de ferro. Pudesse vivia pra cima e para baixo dentro dele. 
Guimarães Rosa


Balmorhea - Remembrance (Official Video)

Deixe-se ser desenhado silenciosamente pela forte atração do que você realmente ama.
- Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī -



Evgeny Grinko - Vals in Konya


E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro.

Poemise



Há sonhos que devem
permanecer nas gavetas,
nos cofres, trancados
até o nosso fim
E por isso possíveis
de serem
sonhados a vida toda.

Hilda Hilst





Socorro

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir

Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento
Encruzilhada

Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

 Arnaldo Antunes


https://youtu.be/VDz879eNKNA


Look What They've Done To My Song, Ma

CONFESSO, PEQUEI.


Quando eu estava muito mal, saía usando uma batina. Aí tudo mudava, as pessoas me tratavam como louça fina. Alguns vinham falar comigo, era bem legal. Em meia hora eu já andava de cabeça erguida. Se pudesse, até cantava uma marchinha. Achava difícil me pegarem, Altair tinha perto de 10 mil padres, ninguém dava muita atenção. O risco maior seria esbarrar num conhecido. Por segurança eu evitava os bairros vizinhos. Andava sempre com uma bíblia, tinha um sorriso virtuoso e jamais coçava o saco. Vez ou outra alguém me parava, querendo uma benção, um conselho, até cigarro me pediam. Eu falava o mínimo possível. E quando falava, valia-me de um sotaque espanhol. Padres com sotaque tinham mais aceitação, eu sabia. Os pedidos de confissão eram muitos. Eu sempre tentava me esquivar. Teriam de procurar uma igreja. Somente em casos especiais se admitia tomar uma confissão em outro local. Uma vez cedi. Não tive saída, a mulher estava fechada em casa fazia dois anos. Algum tipo de transtorno. O filho dela me levou de carro. Moravam com uma prima. Ganhei água, café e bolo. Só depois fui ver a pecadora. Ela estava trancada por dentro. Não queria abrir. Terminou por abrir, mas a prima foi barrada. Entrei me xingando por dentro. Aquilo não era certo. A mulher se chamava Alba Tertiná. Teria seus 35 anos. Talvez um pouco mais. Indicou-me uma poltrona surrada. Se sentou de um jeito largadão diante de mim. Nossos joelhos quase se tocavam. Ela estava de saia, vi muita coisa sem querer. Alba confessou várias abominações. De modo algum parecia arrependida. Ficava achando graça de seus crimes. Seria mesmo verdade aquilo tudo? Deixei a mulher seguir com sua lista. Tinha coxas fantásticas e uma voz rouca. Eu sentia um cheiro bom vindo dela. Nada de perfume, cheiro de fêmea, mesmo. Alba Tertiná terminou cerca de uma hora depois. Ditei uma penitência severa e fui embora de pau duro. Tirei o hábito, vesti roupa de paisano e saí de novo. Bebi até bem tarde da noite. Alba Tentiná não saía de minha cabeça. Mesmo um sacerdote de ofício teria enfrentado problemas após a visita
(Carlos Antônio Jordão – 28 – 06 – 2017).

Mona, a Lisa & Cia










B. Keaton


"Um forasteiro que dizia ser capaz de ler rostos e passava por Atenas, ao se deparar com Sócrates foi logo dizendo que ele era um monstro, que em seu interior abrigava todo tipo de vícios e desejos malignos. Sócrates apenas respondeu: 'o senhor me conhece!'"
Nietzsche – O Crepúsculo dos Ídolos

Гиви Сипрошвили.  Givi Siproshvili.
p.s.
há um cisco
no meu olho esquerdo
não sei se choro ou pisco

[assis freitas]

José de Ribera. El Españoleto  (Xàtiva, Valência, 1591-Nápoles, 1652)

Kenny Chesney - Noise

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distância,
Num (teleamor)?!
Num amor longe...
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho...
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos - até os executivos - têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz...
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti

É o teu calor animal!...

Bilhete com Endereço - Mário Quintana


Egon Schiele- Omfavnelsen (De Elskende)

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Fernando Pessoa


29.6.17

Laurie Anderson The Beginning Of Memory (Homeland) PL




Ph. Unknown

ISTO

FERNANDO PESSOA, in POESIAS. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) [1ª publ. in Presença, nº 38. Coimbra: Abr. 1933; Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995)}. 

ISTO

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

(sem data)

*
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=0D5BM9tGudg
*



Tela: Colagem de materiais reciclados e acrílico, de © Than Nguyen Truc

Via Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen

Meus amores


Autora: Delmira Agustini

Hoje voltaram.
Por todos os caminhos da noite vieram
A chorar na minha cama.
Foram tantos, são tantos!
Eu não sei quais vivem, eu não sei qual deles morreu.
Eu própria vou chorar para todos.
A noite bebe o choro como um lenço preto.

Há cabeças douradas ao sol, como maduras...
Há cabeças tocadas de sombra e de mistério,
Cabeças coroadas de um espinho invisível,
Cabeças que vejamos a rosa do sonho,
Cabeças que se dobram a almofadas de abismo,
Cabeças que gostariam de descansar no céu,
Algumas que não conseguem cheirar a primavera,
E muitas que transcendem as flores de inverno.

Todas essas cabeças me doem como feridas...
Doem-me como mortos...
Ah!... e os olhos... os olhos me doem mais: São Duplos!...
Indefinidos, verdes, cinzentos, azuis, negros,
Queimam se fulguran,
São carícias, dor, constelação, inferno.

Sobre toda a sua luz, sobre todas as suas chamas,
A minha alma iluminou-se e o meu corpo foi-se.
Eles me deram sede de todas essas bocas...
De todas essas bocas que florescem meu leito:
Copos vermelhos ou pálidos de mel ou de amargura
Com lisses de harmonia ou rosas de silêncio,
De todos estes copos onde eu bebi a vida,
De todos estes copos onde a morte bebo...
O Jardim das suas bocas venenosa, inebriante,
Onde respirava as suas almas e os seus corpos,
Umedecido em lágrimas
Tem a minha cama...

E as mãos, as mãos preenchidas de destinos
Segredos e alhajadas de anéis de mistério...
Há mãos que nasceram com luvas de carícia;
Mãos que estão preenchidas da flor do desejo,
Mãos em que se sente um punhal nunca visto,
Mãos em que se vê um intangível ceptro;
Pálidas ou morenas, voluptuosas ou fortes,
Em todas, todas elas, pode engastadas um sonho.

Com tristeza de alma,
Os corpos são admirar
Sem véus, solenemente
Vestidos de desejo.

Ímanes dos meus braços, favos do meu implica
Como a invisível abismo se inclinam ao meu leito...

Ah, entre todas as mãos eu procurei suas mãos!
A tua boca entre as bocas, o teu corpo entre os corpos,
De todas as cabeças eu quero sua cabeça,
De todos esses olhos, seus olhos só quero!
Você é o mais triste, por ser o mais amado,
Você chegou o primeiro por vir de mais longe...

Ah, a cabeça escura que nunca toquei.
E as pupilas claras que olhei tanto tempo!
As olheiras que abordarmos a tarde e eu inconscientes,
A palidez estranha que dobrei sem saber,

Vem a mim: mente à mente;
Vem para mim: corpo a corpo!

Vais dizer-me o que fizeste do meu primeiro suspiro.
Vais dizer-me o que fizeste do sonho daquele beijo...
Diz-me se choraste quando te deixei sozinho...
E vais dizer-me se morreste!...

Se morreste,
Minha pena enlutará o quarto lentamente,
E aperto a tua sombra até apagar o meu corpo.
E no silêncio substancialmente de escuridão,
E na escuridão ahondada de silêncio,
Nos velará chorando, chorando até morrer
O nosso filho: a memória.



22.06.2017 tucakors




MIS AMORES
Autora: Delmira Agustini

Hoy han vuelto.
Por todos los senderos de la noche han venido
A llorar en mi lecho.
¡Fueron tantos, son tantos!
Yo no sé cuáles viven, yo no sé cuál ha muerto.
Me lloraré yo misma para llorarlos todos.
La noche bebe el llanto como un pañuelo negro.

Hay cabezas doradas a sol, como maduras...
Hay cabezas tocadas de sombra y de misterio,
Cabezas coronadas de una espina invisible,
Cabezas que sonrosa la rosa del ensueño,
Cabezas que se doblan a cojines de abismo,
Cabezas que quisieran descansar en el cielo,
Algunas que no alcanzan a oler a primavera,
Y muchas que trascienden a las flores de invierno.

Todas esas cabezas me duelen como llagas...
Me duelen como muertos...
¡Ah!... y los ojos... los ojos me duelen más: son dobles!...
Indefinidos, verdes, grises, azules, negros,
Abrasan si fulguran,
Son caricias, dolor, constelación, infierno.

Sobre toda su luz, sobre todas sus llamas,
Se iluminó mi alma y se templó mi cuerpo.
Ellos me dieron sed de todas esas bocas...
De todas estas bocas que florecen mi lecho:
Vasos rojos o pálidos de miel o de amargura
Con lises de armonía o rosas de silencio,
De todos estos vasos donde bebí la vida,
De todos estos vasos donde la muerte bebo...
El jardín de sus bocas venenoso, embriagante,
En donde respiraba sus almas y sus cuerpos,
Humedecido en lágrimas
Ha rodeado mi lecho...

Y las manos, las manos colmadas de destinos
Secretos y alhajadas de anillos de misterio...
Hay manos que nacieron con guantes de caricia;
Manos que están colmadas de la flor del deseo,
Manos en que se siente un puñal nunca visto,
Manos en que se ve un intangible cetro;
Pálidas o morenas, voluptuosas o fuertes,
En todas, todas ellas, puede engarzar un sueño.

Con tristeza de alma,
Se doblegan los cuerpos
Sin velos, santamente
Vestidos de deseo.

Imanes de mis brazos, panales de mi entraña
Como a invisible abismo se inclinan a mi lecho...

¡Ah, entre todas las manos yo he buscado tus manos!
Tu boca entre las bocas, tu cuerpo entre los cuerpos,
De todas las cabezas yo quiero tu cabeza,
De todos esos ojos, ¡tus ojos solos quiero!
Tú eres el más triste, por ser el más querido,
Tú has llegado el primero por venir de más lejos...

¡Ah, la cabeza oscura que no he tocado nunca
Y las pupilas claras que miré tanto tiempo!
Las ojeras que ahondamos la tarde y yo inconscientes,
La palidez extraña que doblé sin saberlo,

Ven a mí: mente a mente;
Ven a mí: ¡cuerpo a cuerpo!

Tú me dirás qué has hecho de mi primer suspiro,
Tú me dirás qué has hecho del sueño de aquel beso...
Me dirás si lloraste cuando te dejé solo...
¡Y me dirás si has muerto!...

Si has muerto,
Mi pena enlutará la alcoba lentamente,
Y estrecharé tu sombra hasta apagar mi cuerpo,
Y en el silencio ahondado de tiniebla,
Y en la tiniebla ahondada de silencio,
Nos velará llorando, llorando hasta morirse
Nuestro hijo: el recuerdo.

Radiohead - All I Need




(...) a viagem nunca acaba. Só os viajantes acabam.
E eles também podem estender-se em memória, em memória, em histórias. Quando o viajante sentou-se na areia da praia e disse: "Não há mais nada para ver", ele sabia que não era verdade. É preciso ver o que não se viu, ver de novo o que já se viu, ver na primavera o que se viu no verão, ver de dia o que se viu à noite, com o sol onde a primeira vez chovia, Ver os Messi verdes, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que não estava lá.
Há que voltar aos passos já dados, para repeti-los, e para não-los ao lado de novos caminhos.
Temos de recomeçar a viagem. Sempre.
José Saramago

Rick Leaf



Photo by Rick Leaf
"certainly"


 Photo by Rick Leaf


Photo by Rick Leaf



Felicidade


Pela flor pelo vento pelo fogo
Pela estrela da noite tão límpida e serena
Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo
Pelo amor sem ironia – por tudo
Que atentamente esperamos
Reconheci a tua presença incerta
Tua presença fantástica e liberta


Sophia de Mello Breyner Andresen


Landscape with Sun - Max Ernst
"Silêncio. Guarda essa pérola rara.
Como podes vender o imensurável?"
~ Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī ~
.
(Imagem: © Abdelali Essaouis)


"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos."~
~Alberto Caeiro ~

.
(Imagem: © Ehtiram Jabi)


David Gilmour - Island Jam

São Pedro


29.06.2017
Hoje é o dia dele.
Salve, São Pedro!



O amor em tempos de Alzheimer - love in times of Alzheimer ' s
 - Fausto Podavini




28.6.17

Porque "pensar é estar doente dos olhos."
Alberto Caeiro




Introduction to MSF



Médecins Sans Frontières (MSF) is an independent international medical humanitarian organisation that delivers emergency aid in more than 60 countries to people affected by armed conflict, epidemics, natural or man-made disasters or exclusion from healthcare. 

Peregrinação

 Dai Eki
Procurando a primavera o dia todo,
não a encontrei.
Apoiando-me em meu bastão,
atravessei montanhas e montanhas,
e voltando para casa
segurei um galho de ameixeira.
Ali a encontrei: florescia em sua ponta

Dai Eki
poeta chinês do período Sung  (960-1279)
Shundo Aoyama Rôshi. Para uma pessoa bonita: contos de uma
mestra zen. São Paulo: Palas Athena, 2002, p. 82.

Chen Shuren

Só as montanhas



Antes que eu penetrasse o Zen,
as montanhas nada mais eram senão montanhas
e os rios nada a não ser rios.
Quando aderi ao Zen,
as montanhas não eram mais montanhas
nem os rios eram rios.
Mas, quando compreendi o Zen,
as montanhas eram só montanhas
e os rios, só rios

(Sentença Zen, in: T. Merton. Zen e as aves da rapina. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1972, p. 129).

Vento Catedral, na Namíbia