31.7.17

chá de hortelã –
o cheiro da varanda 
nesta manhã

*
ruisu ukezara
benditos sejam
as sombras, os vultos, os espantalhos, os caricatas, os enfeitados, os emplumados. os palhaços, os que sorriem e os que fazem caretas. as cabras, os bodes, as vacas. os que andam, os que caminham, os que rastejam. os que caem, os que se levantam. os que veem, os que enxergam, os que alcançam, os que não alcançam. 
benditos sejam os ventos, os desertos, as ilhas, os lagos, os rios, as flores, os galhos, as raízes, as pontes, as portas, as janelas e as paredes.
benditos sejam os que são porque são
benditos sejam
tu e eu
nós, vós e eles
amém!
Margarida Di.


Shaza Wajjokh 

Bombino - Azel (2016) (Full Album)

A coisa mais difícil na vida? Ser você mesmo... e ter caráter suficiente para continuar!
- Georges Brassens



 "Eu sou apenas um portador de palavras, que importância tem as palavras? Que importância tenho eu? " ~ Nietzsche ~


Noite quente
As estrelas escondem-se
No fundo do regador.


Mohammed Labib




Nuit chaude
des étoiles se réfugient
au fond de l'arrosoir.
M. L.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in DIA DO MAR (1947; Assírio & Alvim, 2014), in OBRA POÉTICA (Caminho, 2010; Assírio & Alvim, 2015)

PROMESSA
És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
*
Arte de ©Sophie Munn



Alguém entra pela noite com um ramo de rosas na mão. Hoje, as estrelas vão invejar uma certa mulher e é possível que, lá em casa, desliguem a televisão mais cedo. Prevê-se que a alvorada se enfeite de cor, música e torradas acabadas de fazer.
Gonçalo B. de Sousa
28-07-2017


(Imagem: 小林海義 )


28.7.17

Oblivion by Astor Piazzolla and his band (original)

A NOITE DAS BENGALADAS.


Moacir vivia num bairro de gente velha. A média de idade era de 46 anos. Ele apostava numa média bem mais alta. Vários moradores usavam aparelhos de surdez ou bengalas. Moacir tinha 73, e estava aposentado havia 4. Ficar à toa era terrível. Os dias não acabavam. Moacir não gostava de joguinhos, andava pelo bairro atrás de alguma novidade. Adorava acidentes de trânsito. Por toda parte encontrava velhos. Tinha moços e crianças, mas em número menor. Bem menor. Havia alguns bares capengas. Os garçons bocejavam entre um serviço e outro. Os velhos cochilavam diante de seus chopes. Muitos deixavam seus remedinhos sob o balcão. E quando algum velho parava de vir, logo se pensava em hospital ou morte. Não era difícil sair briga entre eles. Falava-se muito de uma briga por causa de futebol. Isso fazia mais de 20 anos. Moacir ainda não morava ali. Sabia dela por outros. Ele gostava de ver briga. Lá, viu somente uma. O motivo foi uma garotinha de 70 anos. Ela chegou por volta de meia-noite. Decotada, salto médio, berloques. Usava batom vermelho e fazia bico quando falava. Nisso de fazer bico parecia uma francesa. Ela estava com uma amiga sem graça. O ferro-velho se agitou. Peito-de-Pombo tomou coragem e foi até onde elas estavam. Arrulhou algumas palavras. A garotinha piou de volta. Deu uma afofada no cabelo. Peito-de-Pombo sentou. Tudo teria andado bem. Teria se um inimigo não jogasse neles uma bolinha de pão. Peito-de-Pombo ficou tenso. Veio o garçom Mormaço. Ele pediu cerveja pros três. Seu inimigo jogou mais bolinhas de pão. E agora olhava para a dama de berloques. E dava uma piscadinha maliciosa. Não estava interessado em namoro, só queria uma boa briga, e conseguiu. Peito-de-Pombo foi para cima dele. Foi uma briga legal. Teve até cadeirada. A garotinha levou um sopapo e perdeu a dentadura e alguém achou e não devolveu. Moacir adorou. Só voltou pro seu quartinho depois de tudo terminado.
(Carlos Antônio Jordão- 20 - 07 - 2017)

2013. © Allison Langton


— Escrever me diverte, e escrevo também, porque quero saber como termina o poema, o conto ou o romance. E ainda porque a escrita transforma o mundo. Ninguém acredita nisto e no entanto é verdade.
José Eduardo Agualusa

Fureur et mystère , poème de René Char , illustré par Joan Miró

Stevie Wonder - My Cherie Amour (1969) HQ

"A razão é um sol impiedoso. Ela ilumina - mas cega."
Romain Rolland

aponte-me o caminho, tucakors

Simone - Jura Secreta



JURA SECRETA
(Sueli Costa/Abel Silva)

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri
Perdeu a doçura enquanto soprava
a lenha no fogão.
Perdeu também o brilho dos olhos
o viço da pele
os dentes.
Era tempo
de mulheres que se perdiam
nas cinzas / restos do dia
então adormeciam
de cansaço e vazio / de frio.
(A lenha verde à espera do sol)
Por elas essa lágrima que insiste
em me brotar dos olhos.
(___em construção)

Nydia Bonetti


Não digas de nenhum sentimento que é pequeno ou indigno. Não vivemos de outra coisa que dos nossos pobres, belos e magníficos sentimentos, e cada um deles contra o qual cometemos uma injustiça é uma estrela que desligamos.
Hermann Hesse


Stefan Horbulewicz

27.7.17

Memória e Fado [Egberto Gismonti] Hamilton de Holanda & André Mehmari

"Se você quer esquecer todos os seus outros problemas, use sapatos muito apertados"
Padmaja Indraganti.

("If you want to forget all your other troubles, wear too tight shoes")


mistura fina
minha mão branca em tua cara preta
tua mão preta em minha cara branca
desancam quaisquer preconceitos
meu peito encaixado no teu
teu corpo por cima do meu
as pernas embaralhadas
(café com leite)
* líria porto



Azuis

Colar Pedra da Lua


Colar Lua Encantada

Cem Yılmaz Bifo - Beethoven's 5.Senfoni


e se chovesse por aqui e se o céu descesse
e se na enxurrada 
ainda navegassem barcos 
de papel 
se os lírios se curvassem e as romãs 
tingissem
as águas de vermelho e o rio transbordasse
ah...
Nydia Bonetti

Marco Andras Fine Art Photography

Renato Guttuso


 
(Bagheria, 1911 – Roma, 1987) 
Sera a Velate
A minha alma leva-me para o deserto, para o deserto do meu próprio eu.
Não pensei que a minha alma fosse um deserto, um deserto árido, quente, e sem bebida.
A viagem conduz através de areia quente, lentamente andar sem um objectivo visível para a esperança?
Que estranho é este deserto. Parece-me que o caminho leva tão longe da humanidade.
Eu dou o meu passo passo a passo, e não sei quanto tempo a minha viagem vai durar.
Porque é que o meu auto-deserto é o meu?
Vivi demasiado fora de mim em homens e eventos?
Porque é que eu me evitava? Não fui querido para mim mesmo?
Mas evitei o lugar da minha alma.
Eu era o meu pensamento, depois de não ter mais eventos e outros homens.
Mas eu não era o meu eu, confrontado com os meus pensamentos.
Também devo levantar-me acima dos meus pensamentos.
A minha viagem vai para lá, e é por isso que se afasta dos homens e dos acontecimentos na solidão.
É solidão, estar com a gente? A solidão só é verdadeira quando o self é um deserto.
Carl Gustav Jung

Bart Peel‎

Naughty Boy - Runnin' (Lose It All) ft. Beyoncé, Arrow Benjamin

É meio-dia
e a garrafa de vinho 
já está pelo meio.
Ana Flavia Sarti

.


Haikai com granizo


Deus, enfim, existe
derramou hoje do céu
gelo no meu uísque
Chico Sá.

.

Rayuela - Palabra Voyeur

ARIMA


Uma gaivota – dizes.
Sim, uma gaivota 
passa distante e arde.
O teu rosto é azul,
e contudo está cheio
do oiro da tarde.
.
Uma gaivota.
Alma do mar e tua,
abandona-se à luz.
.
E na boca nem eu sei
se me nasce o coração
ou é a lua.


EUGÉNIO DE ANDRADE, in MAR DE SETEMBRO (1961; Limiar, 1977), in POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (Modo de ler, 2011)

© Bé Rodrigues

Luz en las manos. Acarician tu presencia.
Rafel Garrit Miralles




em louvor à sombra


estamos no mesmo lugar ?
tem certeza aqui não é um museu de incertezas
um castelo em que cartas escritas
há séculos são descobertas
neste século entre páginas amarelas
de um livro de travesseiro ?
tem certeza que nem uma aparição
vai chacoalhar de risos quando a boca abrir
( já que os olhos nunca se abrem )
(o silêncio o melhor conselheiro)
pra quem tem que mergulhar mais fundo
e encontrar as que jamais tocaram o chão
as que correram como raposas
dedinhos apertados em tamancos de madeira
tanto você não sabe sobre mim
não vê nem ouve
não estamos no mesmo lugar
venho da sombra
aprendi a gerar luz-própria no escuro
escrevi com letras invisíveis
livros para cegos
um dia alguém vai retirar de uma estante
e lerá com assombro
tudo o que precisava neste momento:
o blues do silêncio

Marilia Kubota

Alina Maksimenko

Halil Sezai - Kendi Kendime

GUARDA-ME



Guarda-me à parte
no bolso do casaco, na fronha da almofada
na pele morna do amanhecer
Guarda-me onde o cheiro das tardes
te invada os cabelos e se esconda nos teus braços
feitos algas.
Não me amargues o corpo, nem amoleças o cio
com palavras químicas e vazias
Guarda-me apenas onde o mundo mora
e respira. este desejo terrorista de ti.


©MARGARIDA PILOTO GARCIA 


Uma noite, sentei a Beleza no meu colo.
- E a achei amarga.
- E a xinguei.
.
Arthur Rimbaud, poeta francês
.
Foto: Araquém Alcântara -Dona Beleza, sertão de Canudos
Do livro SERTÁO SEM FIM (TerraBrasil Editora, 2010 )





à sombra das tílias
a mente corre a paisagem
busca o teu retrato


ficarei aqui
entre caminhos dispersos
à espera de ti

*

JOAQUIM MURALE, in GOTAS DE ORVALHO [haikais], in DOBRANDO O CABO DOS MEDOS (Seda Publ. 2017)



JJ Cale - Magnolia

três palavras formam uma ilha:
amor
saudade
ausência

Margarida Di


"A realidade é o que ocorre independentemente do que se passa na tua cabeça. Centra-te nisso. É sólido."
Jeffery Mercer


J.J. Cale - Passion



"Tudo o que sei é que estou muito feliz porque eu a encontrei
Mesmo que ela tenha ido embora, sua paixão ainda está em mim"


(All I know, is I'm sure glad I found her
Even though she's gone, her passion still is in me)

O Amor é um Acidente, uma Renúncia,
um Hábito, uma Maldição.
O amor é um acidente. (...)
O amor é uma renúncia.
Amar alguém é desistir de amar outros,
é desistir por esse amor do amor de outros.
Eu desisti de tudo.
A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias.
José Eduardo Agualusa,
in A Educação Sentimental dos Pássaros

® Eli Craven. From Screen lovers

26.7.17

Javier Pérez Estrella (aka cintascotch)



Beatrix Potter Illustrations








Cem Yılmaz | Alaturka

Eu sou obrigado


Escrever este poema
com revólver e com úlcera.
Com o passo a passo do pesadelo.
Agarrado ao barranco
ao barranco que vai de daqui até ao céu.
E com a pressa de quem deixou
para fugir quando não dava mais tempo.
Escrever com o povo em fúria em volta
gritando escreve escreve
E escrever com as letras estragadas,
na mão desesperada por sexo.
Sem mais nenhuma palavra escrever!
E entregar para o carrasco, que passa para o coveiro,
que mostra para as nuvens e para o vento e para tudo
o que vive para que tudo venha e assine embaixo
um último sim.
Escrever com a vontade danada de calar
de ficar com a boca cheia de terra
De falar para Deus eu não!
Paulo Gonçalves

Jerry Iverson

RECOMEÇAR


Voltar ao erro,
ser nas trevas em que foste o destino inteiro,
a carne luminosa, a sede, a agonia
o primeiro pedaço fremente
da verdade que surgia.
.
Voltar a ter-te outra vez,
boca, corpo, sexo, altivez
e morrer em ti ainda proscrito
ainda ébrio da liberdade deste grito.


EDGARDO XAVIER, in ESCRITA ROUCA (Insubmisso Rumor, Porto, 2016)

Hanno Kübler

Não Vim Pra Ficar

Um batom azul borrado


Eu encontrei minha mãe borrando a cara com batom mirando a boca no reflexo dos vidros dos caminhões errando sempre errando tanto que mais parecia uma palhaça triste, uma figura grotesca dando passos solitários de balé, parei em sua frente como o chinês confrontando o tanque.
Dançamos como dois desconhecidos, acho que na verdade dançamos como dois velhos conhecidos; se você fosse meu filho, ria ela, oh se você fosse o meu filho eu seria amada, chorava ela.
Sentamos ambos na calçada, minha mãe e eu, então eu gritei pra que ela ouvisse, era muita chuva, era muito vento, ela não me ouvia, chorava e ria.
Desapertei o nó da minha gravata azul, eu não conseguia respirar, eu não amava nem o sol, eu odiava os seus dentes tortos, deus, eu fugi tão cedo e vim parar na chuva beijando a testa enrugada da velha louca e bêbada que antigamente alisava os meus cabelos negros pra eu poder dormir.
Eu sumi dali, nem sombra nem o eco das minhas mentiras nem o peso das minhas lágrimas deixei de rastro, como o chinês que enfrentou um tanque na Praça da Paz Celestial.
Mais uma vez eu deixei minha velha mãe que trazia um lenço infantil encardido amarrado no seu pulso magro, um pé descalço e o mesmo amor transbordando em seu olhar azul; que eu sempre quis ter de herança, não por força ou muito menos por merecimento mas nem mesmo que um pintor me refizesse eu teria aquele olhar azul.
(A.Bolívar)

Força sempre ( Legião)


As folhas se perdem pela janela
com o sol
e esse grande tempo de apascentar
pétalas de fogo,
a cigarra da tristeza,
o oblíquo carinho
do raio novo sobre meu peito
me comovem
como uma palavra desfeita.
Em oitenta e seis,
eu sentia a nudez,
as cinzas das canções
aquecendo a minha juventude.
Cada corte, cada cicatriz.
O retrato na parede
determina
o carmim do horizonte
movendo lentamente as horas.
Tudo, eu envelheci
no que foi a pátina
do anoitecer.
Depois, quando Renato Russo morreu,
eu abri um livro pra me silenciar e pra não ver.
Aos 25, eu tinha poucos recursos,
não ia conseguir evitar o naufrágio.
Carlo Levi foi exilado em sua própria terra.
E nessa morte encontrou o país
que não supunha no princípio do vento,
o país do vasto e das pessoas
sombras
que faziam as teias
e a orientação do tempo.
Maria Valéria também encontrou um país esquecido
dentro do país.
E um aboio alongado
na lembrança.
Tem um resgate do mundo bom
em cada aldeia
olvidada.
O eixo, a engrenagem.
O movimento está entranhado
no chão seco.
Esse meio do nordeste.
Eu olho pro céu
e vejo raízes vasculares,
pulsações pélvicas,
rizomas articulados
de uma forma de perdão
e grito.
Eu ouço o eco
e sou laico
sobre o sacro
corpo
da voragem,
a sinuosidade dos rios,
os lençóis d’água.
Quando abri o livro
Renato Russo
estava morto.
Quem?
Eu sustento meu mundo
nalgum tipo de alicerce
arcaico,
meu abraço punk,
campos de poesia
sobre
campos de poesia
e o vinil no centro
do confronto.
Tem uma liturgia na revolta.
Fecho o que li,
aumento o volume
no máximo
e o soluço dos meus lábios
é imperceptível
canto de libertação.
A ave canora
voa solitária
e se faz leve alma
na distância.
Fiori Esaú Ferrari
Você me diz 
para separar o joio do trigo
como se fosse possível assim a ruptura
sem fincar alguma lasca de osso no ouvido
Como se fosse possível dar à borboleta outro viço
em velho colorido
Não se quebra asa de pássaro sem ruído
Além do mais é misturado que se dá o gosto
-meu pecado, sua santidade
(e também o oposto)-
Ouça o que lhe digo
sem joio não haverá bom trigo
nem amoras
nem luas
nem tarântulas de luas
nem pássaros
nem perigo de pássaros
Sem joio só restará o escasso plantio do depois,
com sua escancarada nudez, a dançar em estéril ventania.
Lázara Papandrea


Franco Papaianni

A poesia:
Uma besta.
E no ponto de mira,
Um coração.

Roger Wolfe
A arte na era do consumo



Ricardo Ribeiro e Yamandu Costa - El día que me quieras

Ramon Aranzabal



A N D E R S sehen




Descansa junto a mim. Não vá. Eu te protegerei. Eu te protejo. Vai se arrepender de tudo menos de ter vindo a mim, livremente, orgulhosamente. Eu te amo. Eu não tenho nenhum pensamento que não seja teu; não tenho no sangue nenhum desejo que não seja para ti. Tu sabes.
Não vejo na minha vida outra companheira, não vejo outra alegria.
Fica. Descansa. Não tenha medo de nada.
Vai dormir esta noite no meu coração.
G. D ' Annunzio




 Egon Schiele 

pájaro del mundo de Antonio Gamoneda recitado en persa.wmv

"Oh! não tremas! que este olhar, este abraço te digam o que é inefável - abandonar-se sem receio, inebriar-se de uma voluptuosidade que deve ser eterna."
-Goethe, "Faust

Edvard Munch, The Kiss, 1897


A noite bate asas..
Uma palavra vai morrer..
Um silêncio ensurdecedor vai se abrir..

Abdelghani Balahouane


@ Ara Güler

Tears For Fears - Creep @Kroq Almost Christmas 12/14/14

DAYLIGHT

"E meu espírito tão alto estava por todo o céu,
E antes do final do dia estávamos espalhados como estrelas ou chuva."
de Cathay
Ezra Pound