26.7.17

A vida sexual dos caracóis.


O Universo dos caracóis é pequeno. É um universo sedento, porque estão sempre à procura de água. É um universo onde muitas vezes é difícil encontrar sexo.
O processo é um pouco confuso, porque a maioria destes animais são fêmeas e machos ao mesmo tempo, são hermafroditas.
Portanto, não é o típico processo onde o rapaz conhece a rapariga, mas temos uma rapariga que conhece um rapaz.
E nestas circunstâncias, se ambos são machos e fêmeas ao mesmo tempo, sempre preferem fazer o papel do rapaz, do macho, porque assim se o duro trabalho de produzir os ovos e chocar.
A vida sexual dos caracóis é surpreendente. Às vezes passam três ou quatro dias a testar, a tentar convencer o outro, uma e outra vez, a aceitar o seu pénis.
Há uma espécie em que, depois de se ter acasalassem, o caracol que introduziu o seu pénis e depositado o seu esperma em outro caracol arranca o pénis de uma dentada e insere-o no seu orifício feminino para evitar que o outro se acasalamento com ele.
E mais de um se perguntará e onde tem o pênis o caracol?

Steve Jones
Entrevista na BBC 25.08.2012



La vida sexual de los caracoles.
El universo de los caracoles es pequeño. Es un universo sediento porque siempre están buscando agua desesperadamente. Es un universo donde con frecuencia resulta difícil encontrar sexo.
El proceso es un poco confuso, porque la mayoría de estos animales son hembras y machos a la vez, son hermafroditas.
Por lo tanto, no es el típico proceso donde chico conoce a chica, sino que tenemos a una chica-chico que conoce a un chico-chica.
Y en estas circunstancias, si ambos son macho y hembra a la vez, siempre prefieren hacer el papel del chico, del macho, porque así se ahorran el duro trabajo de producir los huevos e incubarlos.
La vida sexual de los caracoles es sorprendente. A veces se pasan tres o cuatro días probando, intentando persuadir al otro, una y otra vez, de que acepte su pene.
Hay una especie en que, después de haberse apareado, el caracol que ha introducido su pene y depositado su esperma en otro caracol se arranca el pene de un bocado y se lo inserta en su orificio femenino para evitar que el otro se aparee con él.
Y más de uno se preguntará ¿y dónde tiene el pene el caracol?
Steve Jones
Entrevista en la BBC 25.08.2012

Pereza - Todo: https://youtu.be/TD2s0T0Wx1w



Dia 206 - Lembrança adormecida



Batalhou até se tornar a pessoa mais rica do mundo. Logo depois, gastou sua fortuna para que conseguissem inventar uma máquina, onde você pudesse escolher a lembrança que queria de volta. Logicamente, foi o primeiro a usá-la.

Nesse dia, chegou usando chinelo de dedo, uma regata e calção de futebol. Sentou-se calmamente na cadeira do aparelho. Sorriu pra todos e piscou maroto para uma cientista na platéia. Fez um aceno de sim com a cabeça e ligaram o aparelho. Houve um pequeno alvoroço. Logo o cientista e inventor, pediu silêncio absoluto e fez a pergunta primordial.

- Qual é a lembrança que o senhor mais deseja na vida?

E ele, fechando os olhos, respondeu:

- O cheiro da minha Mãe!

Joakim Antonio



Photo by Pascal Renoux
France



dizem 
que seu silêncio vale ouro
mas é apenas um tolo
que não aprendeu a cantar

Nydia Bonetti


Lisa Ono - My cherie amour - Female Voices 178

24.7.17

"O meu corpo é um jardim. Minha vontade o seu jardineiro."
William Shakespeare
1564/1616

Vincent van Gogh

Pablo Picasso


Halil Sezai - Sen Hiç Ona Benzemesende




Mesmo se eu sei o futuro dos dias em que eu penso em você me rasgando por dentro.
Apesar de tudo, eu percebo que eu quero te esquecer ..
Tempo, então agora, eu sei que as feridas abertas serão fechadas.
Eu não quero chegar atrasado. .
Mais uma vez, eu quero tocar sua pele ..
Eu quero que acaricie com seus dedos o meu rosto barbado. .
Anos mais tarde, eu ainda quero dormir em paz ao seu lado ..
Em que o fogo dentro de mim, eu não quero nenhuma dor no meu peito agora. .
Eu quero lembrar de você mesmo me fazendo chorar à noite.
Mais uma vez, eu só queria te amar de novo ..

Cherki Emmanuel


jogo o lápis fora
e vou ferver a sopa
fritar um ovo
assar um bolo
fazer um doce.
a palavra hoje definitivamente
não matará minha fome.
amanhã, de novo,
tento um sonho
algum nome,
outra flor
ponho quentura nesse amor
que agora me aniquila.

Lázara Papandrea


No caderno de memórias, Kishiyama tinha escrito com a sua típica caligrafia:
"Tudo o que existe segue o curso da água".
À esquerda havia um espaço vazio. Nele escrevi:
"Uma sombra solitária espera em silêncio a neve".
Quando terminei de escrever, saboreei as palavras. O poema tinha ficado como se Kishiyama e eu tivéssemos vindo juntos e juntos o teríamos escrito.

Yasunari Kawabata
Primeira Neve no Monte Fuji

Fot. Jean-Marie auradon
Duas orquídeas 1932





http://wolfsonstuart.blogspot.com.es/2017/07/dos-orquideas.html
Escreva
Ao Sol
Sem pensar em nada.

 Mohammed Labib




Vincent van Gogh 




Ecrire
au soleil
sans penser à rien.

 Mohammed Labib

Renato Braz - Sentimental

Espero que passem os comboios, o caso, os olhares.
Mas eu não quero os céus novos.
Quero estar onde já estive.
Contigo, voltar. Que imensa novidade voltar ainda,
Repetir, nunca igual, aquele espanto infinito!
E enquanto tu não vieres, eu fico no limiar.
Dos voos, dos sonhos, dos rastos.
Quieto.

Pedro Salinas y Serrano

Herbert Rometsch
Na realidade
Sei que deve ser assim.
Mas que tristeza
Quando até em sonhos
Continuas a evitar-me.

Ono no Komachi

Poesia clássica japonesa
- Olá. Trotta, 2005.


Eve Eden 

Guimarães Rosa


R.I.P. minha câmera. Última foto. - Guto Della Favera


há uma lua clara
a brilhar
no meu coração 
Boa noite!
.
Via All Enchantment
Glow In The Dark Necklace.









Van Morrison - Comfortably Numb



Van Morrison - Comfortably Numb

There is no pain you are receding 
A distant ship smoke on the horizon. 
You are only coming through in waves. 
Your lips move but I can't hear what you're saying. 
When I was a child I had a fever 
My hands felt just like two balloons. 
Now I've got that feeling once again 
I can't explain you would not understand 
This is not how I am. 
I have become comfortably numb.




Van Morrison - Comfortably Numb

Não há dor que você está recuando
Um navio distante fuma no horizonte.
Você só está vindo em ondas.
Seus lábios se movem, mas não consigo ouvir o que você está dizendo.
Quando eu era criança eu tinha febre
Minhas mãos sentiram-se como dois balões.
Agora eu tenho esse sentimento mais uma vez
Não posso explicar que você não entenderia
Não é assim que eu sou.
Eu me tornei confortavelmente entorpecido.
redizer em preces
o que já não se pode mais
cantar
e esperar 
que o silêncio oferte
a sua música

Nydia Bonetti.
.
(Imagem: Ilse Jungbluth)


O cantor

Porque viver é um eterno adaptar-se.
.
Um conto do livro " O Senhor Brecht", de Gonçalo M. Tavares

O cantor
Um pássaro foi atingido com um tiro na asa direita e passou por isso a voar na diagonal.
Mais tarde foi atingido na asa esquerda e viu-se obrigado a deixar de voar,utilizando apenas as duas patas para andar no chão.
Mais tarde foi atingido por uma bala na pata esquerda e passou por isso a andar na diagonal.
Uma outra bala atingiu-o, semanas depois, na pata direita, e o pássaro deixou de poder andar.
A partir desse momento dedicou-se às canções.

Hans Lemmen


BOMBINO * TUAREG / NIGER




"O que faz o deserto bonito é que em algum lugar esconde um poço."
Gosto da música de Bombino, o JimiHendrix do Tuareg no Níger.
Sua música é incrivelmente bonita e sonora.
Jiddu Saldanha.
Dobras do tempo -
Ainda sou um menino
que só quer brincar.
(jiddu)

© Larkina Liliya

coincidir...fernando delgadillo






Sou vizinho deste mundo por um tempo
E hoje coincide que também estás aqui.
Coincidências tão estranhas da vida;
Tantos séculos, tantos mundos, tanto espaço
E coincidir...

...



Soy vecino de este mundo por un rato
y hoy coincide que también tú estas aquí
coincidencias tan extrañas de la vida
tantos siglos, tantos mundos, tanto espacio? y coincidir
Si navego con la mente en los espacios
o si quiero a mis ancestros retornar
agobiado me detengo y no imagino
tantos siglos, tantos mundos, tanto espacio? y coincidir
Si en la noche me entretengo en las estrellas
y capturo la que empieza a florecer
la sostengo entre las manos más me alarma
tantos siglos, tantos mundos, tanto espacio? y coincidir
Si la vida se sostiene por instantes
y un instante es el momentos de existir
si tu vida es otro instante.. no comprendo
tantos siglos, tantos mundos, tanto espacio? y coincidir

MOMENTOS


Noite de inverno,
travesseiros de nuvens
dormem à luz da Lua...

Vanice Zimerman
24/07/2012

.
(Imagem: Richard Cartwright - UK)



Linkin Park - Rolling In The Deep (iTunes Festival 2011) HD

Uma delícia de leitura.
O livro dela começa assim:
"As ruas de Lisboa cheiram a castanhas e a chuva, à noite têm luzes (o Natal, o Natal), o frio vê‑se quando respiramos. Parti enrolada em lã, com luvas. Agora escrevo à mão por cima do Atlântico. No ecrã do avião, uma personagem diz: "É incrível como a minha vida cabe num armazém de dez metros." A minha também, e penso que essa é uma sensação igual à que temos num avião: estamos suspensos, nada nos impede de cair a não ser a própria força do movimento."
Alexandra Lucas Coelho, "Vai, Brasil"


" (...) Uma composição feita de recortes, retalhos e outras
imagens formando uma textura mágica e intimista."
Edla Van Steen


Livro Japonês caramelo a5 awagami, uso-o para coletar tesouros de observação, no quotidiano. Bruno Wagner

Canto das fiandeiras


Senhora dona da casa
Por que tá tão triste assim
Se é por causa de seu bem
Pros seus braço ele há de vir
A roda que eu fio nela
Sabe lê, sabe escrever
Também sabe me contar
Quanto custa um bem querer
(Casa da farinha - fragmento)


Stefan Horbulewicz








AUTORRETRATO



Sou uma senhora: tratamento
difícil de conseguir, em meu caso, e mais útil
para alternar com qualquer outro título
acrescentado a meu nome em qualquer academia.

Assim, pois, olho meu prêmio e repito:
sou uma senhora. Gorda ou magra
a depender da posição dos astros,
dos ciclos glandulares
e outros fenômenos que não compreendo.

Loira, se escolho uma peruca loira.
Ou morena, segunda alternativa.
(Na verdade, meu cabelo grisalha, grisalha.)

Sou mais ou menos feia. Isso depende muito
da mão que aplica a maquiagem.
Minha aparência mudou ao longo do tempo
– embora nem tanto como disse Weininger
que muda a aparência do gênio. Sou medíocre.
O que, por uma parte, me exime de inimigos
e, por outra, me dá a devoção
de algum admirador e a amizade
desses homens que falam por telefone
e enviam longas cartas de felicitação.
Que bebem lentamente uísque sobre as pedras
e falam de política e de literatura.

Amigas... hmmm... as vezes, raras vezes
e em muito pequenas doses.
Em geral, evito os espelhos.
Digo o de sempre: que me visto muito mal
e que faço o ridículo
quando pretendo flertar com alguém.

Sou mãe de Gabriel: você já sabe, esse menino
que um dia se tornará juiz incorruptível
e que talvez, além disso, exerça o papel de carrasco.
Enquanto tanto o amo.

Escrevo. Este poema. E outros. E outros.
Falo de um lugar.
Colaboro em revistas de minha especialidade
e um dia por semana publico num jornal.

Vico em frente ao Bosque. Mas quase
nunca volta os olhos para olhá-lo. E nunca
atravesso a rua que me separa dele
e passeio e respiro e acaricio
a copa rugosa das árvores.

Sei que é obrigatório escutar música
mas fujo dela com frequência. Sei
que é bom ver pintura
mas não vou nunca às exposições
nem à estreia teatral nem ao cineclube.

Prefiro ficar aqui, como agora, lendo
e, se apago a luz, pensando em rato
em musaranhos e outras necessidades.

Sofro melhor por costume, por herança, por não
diferenciar-me mais de meus congêneres
que por causas concretas.

Seria feliz se eu soubesse como.
Isto é, se me houvessem ensinado os gestos,
as falas, as decorações.

Ao contrário me ensinaram a chorar. Mas o pranto
é em mim um mecanismo decomposto
e não choro na câmara mortuária
nem na ocasião sublime nem frente à catástrofe.

Choro quando queima o arroz ou quando perco
o último recibo do condomínio.


* Tradução de Pedro Fernandes


Mc Solaar - Bouge de là

Recebe este meu rosto, mudo, mendigo. Recebe este amor que te peço. Recebe o que há em mim que és tu.
Alejandra Pizarnik





Recibe este rostro mío, mudo, mendigo. Recibe este amor que te pido. Recibe lo que hay en mí que eres tú.
Alejandra Pizarnik
Guardar recato é atitude de mulher sovina.
Raul Drewnick


Sergio Ceribino



Marcia Fontes


Irene Pronk




"...
- Mestre, qual o melhor mantra para evitar a raiva?
- Meu querido discípulo, se na hora da raiva conseguires te lembrar de um mantra, qualquer um serve!
..." - GRETEL PERLE TROPFEN, Princesa e filósofa, filha de Bodoque I (que foi filho de Reboque, o Idoso), rei dos Longevos, tribo germânica da pré-idade média...

Cy Twombly, Study for Treatise of the Veil, 1970

Cucurrucucu Paloma - Caetano Veloso

"Odeio pequenas conversas. Eu quero conversar sobre os átomos, a morte, os aliens, sexo, magia, intelecto, o sentido da vida, galáxias distantes, música que te faz sentir diferente: Eu quero conversar sobre as memórias que temos, as mentiras que já contamos, os defeitos que estão a flor da pele. Quero conversar sobre os teus cheiros prediletos, sobre a tua infância e o que é que te mantém acordado à noite. Eu quero conversar contigo as tuas inseguranças, os teus medos e os teus sonhos.
Eu gosto de pessoas com profundidade, com conteúdo, que falam com emoção que vem de dentro. Eu não quero conversar com você pra saber "como você está?!"»
Rosangela Aliberti

© Edouard Boubat

GUARDA-ME



Guarda-me à parte

no bolso do casaco, na fronha da almofada
na pele morna do amanhecer
Guarda-me onde o cheiro das tardes
te invada os cabelos e se esconda nos teus braços
feitos algas.
Não me amargues o corpo, nem amoleças o cio
com palavras químicas e vazias
Guarda-me apenas onde o mundo mora
e respira. este desejo terrorista de ti.


©MARGARIDA PILOTO GARCIA


Óleo s/ tela, de ©Dana Levin

Omar Faruk Tekbilek - Resistance



Trata o teu passado como uma referência.
Não como uma "residência"...
Não fiques aí.......
- Padmaja Indraganti

@ Taha Aslan

Mural

 Adélia Prado
Recolhe do ninho os ovos a mulher
nem jovem nem velha,
em estado de perfeito uso.
Não vem do sol indeciso
a claridade expandindo-se,
é dela que nasce a luz
de natureza velada,
é seu próprio gosto
em ter uma família,
amar a aprazível rotina.
Ela não sabe que sabe,
a rotina perfeita é Deus:
as galinhas porão seus ovos,
ela porá sua saia,
a árvore a seu tempo
dará suas flores rosadas.
A mulher não sabe que reza:
que nada mude, Senhor.


Benjamin Clementine "Quiver A Little" @ Alive France Inter (Paris)

22.7.17



Mãe, faz tantos anos que me tiveste! Eu era aquela menina que tanto querias mas eu sei que não foram fáceis os dias com que te coroei. Motivei arrelias, esvoaçava fora de horas e sempre tinha por fim a resposta de língua afiada com que te deixava embaraçada. Mãe, perdoa-me. Perdoa-me por todas as vezes que me acordavas e eu exigia mais tempo enrolada na cama; que fazia de conta que o mar me levava; que desatinava com tanta rebeldia. Tanto fizeste por mim! Um dia, irei pegar-te nas mãos e voltar a ser a menina que tanto querias, mais dócil, mais mulher, mais amiga. E dançaremos juntas a melodia do amor eterno.


©MARGARIDA VIEIRA

*

Óleo s/ tela: Catching Dreams, de ©Candice Bohannon




HISTÓRIA DE UM AMOR

JOSÉ CRAVEIRINHA, in KARINGANA UA KARINGANA (Académica, Lourenço Marques, 1974)

HISTÓRIA DE UM AMOR

Noite misteriosa de segredos murmurados
no cerrar dos dentes e no pulsar das veias
e uma canção no ritmo de nós dois
e as algas dos teus olhos no gritar dos nervos
(ah, Maria, quantas vezes morremos?).

Maria de uma canção de amor
liberta minha solidão secular
a salvo-condutos de ósculos na tua boca
e enquanto minhas mãos procuram tua angústia
e cerras outra vez as pálpebras sombreadas de volúpia
ah, Maria, quantas vezes morremos?

Quanta vezes
a dor rebentou feliz
dos teus lábios meus lábios nossos lábios
das tuas mãos minhas mãos nossas mãos
e cada minuto
cada hora
e cada noite febril
vinham redescobrir
os fantasmas da nossa tristeza?

E em cada encontro marcado
em cada beijo mordido
quantas vezes vivemos e morremos
quantas vezes nascemos e renascemos
e com raiva ou sem raiva
quantas vezes chorámos sem chorar
quantas vezes, Maria?

*

Óleo sobre tela: Lovers, de Donna Tuten



POEMA ANTIGO

MARIA TERESA HORTA, in CIDADELAS SUBMERSAS (Pedras Brancas, Livraria Nacional, Covilhã, 1961), in POESIA REUNIDA (Pub. D. Quixote, 2009)

POEMA ANTIGO

O homem que percorro

com as mãos
*
e a lua que concebo
na altitude
do tédio
*

o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intacta
das janelas brancas
com silêncio
*
ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo
*
O homem que percorro
com as mãos
*
a estátua que consinto
*
a lua que concebo.

*

Fotografia: Landscape nude I, de ©David Moore